quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Vereadores votam projeto contra o bullying

Fernanda Deslandes

Arquivo
O vereador Mario Celso Cunha (PSB) é um dos autores do projeto.

Depois de ver em várias cidades brasileiras o crescimento dos casos de agressões físicas e verbais em sala de aula, os vereadores Mario Celso Cunha (PSB) e Pedro Paulo (PT) se reuniram para criar um projeto de lei com intuito preventivo, que foi aprovado por unanimidade na Câmara durante a manhã de ontem.

O projeto seguirá para segunda votação na próxima segunda-feira e, em 15 dias, poderá ser sancionado pelo prefeito Luciano Ducci. “Pretendemos desenvolver planos locais para prevenção e conscientização com as equipes pedagógicas em todas as escolas, públicas ou particulares, de Curitiba”, ressalta Mario Celso.

A prefeitura deverá envolver a Secretaria de Educação para implantar e fiscalizar o projeto, mas outras secretarias poderão participar. Inicialmente, palestras e debates servirão para explicar para pais e professores o que é o bullying e como evitá-lo.

Depois, os casos em cada escola serão registrados e as vítimas receberão apoio psicológico. Os autores também serão acompanhados. “É importante reunir a família com psicólogos e assistentes sociais para evitar que a criança volte a cometer atos agressivos. Ao invés da punição, sugerimos círculos restaurativos, para provocar uma real mudança no comportamento do infrator”, explica o vereador.

Agressão

De acordo com o psicólogo Caio Feijó, bullying é um termo novo para descrever uma ação antiga. “Quem de nós, adultos, passou pelo universo escolar sem ter sofrido, ou ao menos presenciado ameaças, agressões, gozações e apelidos maldosos?”, questiona.

De acordo com ele, o que explica as agressões e atitudes preconceituosas é o condicionamento do comportamento coercitivo ao longo das gerações: As crianças aprendem que quem pune ou ameaça punir é quem detém o poder.

Ele concorda que as duas partes envolvidas (vítima e agressor) devem ter acompanhamento específico, e ressalta que os pais devem evitar “tomar o partido” do filho antes de conhecer realmente o que aconteceu.

“Uma maneira de ajudar a criança a não sofrer com o bullying é ensinar que o agressor tem um motivo para agredir (ciúme, vingança, inveja, insegurança) e que é ele quem precisa de ajuda”, pontua.

Foi com este método que Gabriele Maria Victoria Alves dos Santos, 12 anos, deu a volta por cima. Humilhada pelo simples fato de usar óculos, hoje ela é uma das responsáveis pelo site http://www.dizemosnãoaobullying.blogspot.com, que auxilia outras crianças vítimas do mesmo problema.

“Meus pais falaram para eu não ligar para o que faziam porque isso fortalece o agressor. Fiz isso e eles pararam. Agora espalhamos isso para outras pessoas que sofrem na escola através de dicas, enquetes, vídeos e recomendações de livros”, conta.

Fonte: Paraná Online

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