sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Em Duque de Caxias, escolas enfrentam roubo de computadores e até de merenda

Violência em comunidades da Baixada Fluminense atinge professores e estudantes, que contam assaltos e até sequestro

A sala de informática do Ciep 015 Henfil ficou sem computadores após roubo
Divulgação
A sala de informática do Ciep 015 Henfil ficou sem computadores após roubo
A qualidade do ensino nas escolas da rede pública de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, vai mal. O município não atingiu as metas de desempenho do Ministério da Educação em 2013. Os alunos estão abaixo da média do Rio de Janeiro e da nacional. Mas não é só com o aprendizado que os professores da rede pública da cidade precisam se preocupar. Assaltos na porta da escola, furtos de fiação, de computadores e até de merenda escolar atrapalham o cotidiano escolar.
Cenário: 
"A violência piorou no ano passado, foram dez furtos. Nos primeiros, roubavam apenas o bebedor e a fiação elétrica. Até que em setembro, roubaram computadores, ar-condicionado, micro-ondas da sala dos professores, geladeira e até talheres", conta a professora Wanderleia Monteiro, de 46 anos, que dá aulas no Ciep 328 Marie Curie, na Chácara Arcampo. Parte da merenda escolar também foi levada nessa invasão.
  • 16%
    dos alunos em Duque de Caxias terminam o 9° ano sabendo português
  • 7%
    dos alunos do 9° ano sabem o adequado de matemática
  • 3,3
    pontos
    é a nota do município nos anos finais do fundamental. A média brasileira é 4
Segundo ela, a cada roubo de fiação elétrica as aulas eram suspensas por um ou dois dias devido à falta de luz. O último furto mudou a programação dos professores, que ficaram sem computadores para usar em atividades escolares até dezembro.
No mesmo bairro, o Ciep Municipalizado Henfil foi alvo de cinco roubos em 2014. Em outubro, levaram computadores, televisão e outros equipamentos. O prejuízo foi calculado em aproximadamente R$ 18 mil
"Escolas em áreas de conflito sofrem com a violência que não é da escola, é do entorno. As escolas são invadidas à noite e levam o que podem levar, de computador a merenda", explica Ivanete Conceição da Silva, coordenadora do sindicato dos professores (Sepe-RJ) em Duque de Caxias. "Em alguns lugares, a escola é o único espaço público do local e muitas delas não têm porteiro ou vigia e não há policiamento na região."
Outros casos:
Em um levantamento feito pelo Ministério Público Estadual e pelo Ministério Público Federal, 23 de 202 escolas que responderam disseram que a escola não oferecia condições de segurança para os alunos pelo controle de circulação de pessoas.
"Normalmente, a violência no entorno está diretamente relacionada ao domínio que o crime organizado exerce sobre o território", afirma a promotora de Justiça Elayne Rodrigues, responsável por um processo sobre qualidade de educação no município que está em andamento no MP.
Sequestro de professor
Campus de Duque de Caxias do IFRJ
Divulgação/IFRJ
Campus de Duque de Caxias do IFRJ
A realidade se repete em diversos bairros. Professores e alunos ouvidos pela reportagem contaram casos de assaltos, invasões e até sequestro-relâmpago de professores em escolas de Chácara Arcampo, Santa Lúcia, Parada Angélica, Sarapuí, Mangueirinha, Vila Ideal e Vila Operária.
A falta de segurança de profissionais e estudantes do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) culminou no sequestro-relâmpago de um professor no estacionamento do campus, em Sarapuí, em agosto de 2014.
"Há algum tempo os professores começaram a perceber que havia uma invasão na quadra do instituto para uso do crack e tráfico no noturno. No entorno do campus, alguns alunos já haviam relatado assaltados. Até que aconteceu o roubo e o sequestro-relâmpago de um colega no estacionamento do instituto durante o dia", conta o professor de história Fabiano Faria, de 40 anos.
Segundo ele, depois do sequestro-relâmpago, a situação ficou ainda mais dramática e começou um conflito entre os invasores e os profissionais da escola. "Nossa diretora chegou a receber uma ameaça de morte."
Os professores, então, paralisaram as aulas e conseguiram uma reunião com o prefeito do município, que garantiu que haveria policiamento na região. A partir de então, a polícia passou a fazer a segurança da unidade. No entanto, após algum tempo, a frequência foi reduzida.
"Estamos em aula agora e já não tem mais policiamento. A sensação de insegurança permanece porque sabemos que não há nenhuma medida de segurança para que seja reduzida a violência. Estamos à margem das circunstâncias", diz.
Goiás aposta em militarização de escolas para vencer violência
Também houve rapto de uma professora em uma escola municipal da Vila Operária.
Para Solange Bergami, da Associação de Pais e Alunos da Escola Pública, os casos mostram a necessidade de mais policiamento na área das escolas. "Isso indica a necessidade mais policiamento. Os professores e os alunos estão expostos a uma situação de insegurança." 
Outro lado
Sobre os assaltos em frente a escolas estaduais do município, a Secretaria do Estado da Educação afirmou que 30% das escolas da rede em Duque de Caxias participam do Programa Estadual de Integração na Segurança e tem policiais dentro das unidades. 
Procurada pela reportagem, a secretaria municipal de Educação não havia respondido até a publicação da matéria. 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

E o bullying? Também não seria “liberdade de expressão”?


Por Nara Rúbia Ribeiro
Fonte: Conte Outra
Vejo que hoje muitas pessoas demonstram um entendimento equivocado acerca da livre manifestação de pensamento. Por exemplo. Se o coleguinha do seu filho o chama, de modo recorrente, de “gordo”, “crente burro”, “idiota católico”, “branquelo azedo”, isso é “bullying”. Mas se um jornalista faz isso, o nome é outro: é liberdade de expressão.
Precisamos, então, ponderar acerca desse direito tão importante às bases democráticas, mas devassador quando tem exorbitados seus limites.
Ocorre que a liberdade de expressão não é absoluta. Essa liberdade, assim como todos os outros direitos, é relativa. Precisa amoldar-se, no contexto social, a várias outras garantias que a lei dá ao indivíduo.
Aquilo que você pensa, é algo seu. Inerente a você e isso é indiferente à sociedade. A partir do momento em que você manifesta o seu pensamento, ele terá repercussão em dado local, num determinado período de tempo e, se ferir direito de terceiros, teremos que colocar na balança o que vale mais: o seu direito de dizer ou o direito que foi ferido pela sua fala. A sociedade estabelece leis para que possamos aferir o que é mais importante.

Por exemplo, talvez você não goste de negros. Conheço muitos que não gostam. É um direito seu. Cada um cultiva internamente aquilo que bem lhe aprouver: flores ou abrolhos. Pavimenta estradas de esperança ou  margeia lamaçais de podridão. Ser preconceituoso é um direito íntimo seu. Agora, se você disser que não gosta de negros, aí a coisa muda de figura. Afinal, você externou uma opinião sua que qualifica homens e mulheres não por sua essência, mas por  sua cor. E isso é racismo e trata-se de um crime passível de severa punição.
Você pode achar o seu vizinho esnobe e feio. E se isso ficar com você, que problema há? Mas se você o disser, ele poderá se sentir ofendido, e isso poderá caracterizar um crime de injúria.
10917750_855050671221890_184955779_nTalvez você não goste do credo de alguém. Direito seu. Mas se você ridicularizar esse credo, você pode ferir intimamente o outro. E ele possui, assegurado constitucionalmente, o direito ao livre exercício de seu credo, de modo a garantir que sua crença não seja um motivo de escárnio. Se você fizer isso, pode infringir o art. 208 do Código Penal, que diz que é crime “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa”.
Você pode achar que, por exemplo, todo político é ladrão. Pode achar (veja que pensamento vulgar, mas tem gente que até pensa) que todo padre é pedófilo. Mas se você o disser, assim mesmo: genericamente, incorre em crime tanto de injúria quanto de calúnia. Como são ações penais de natureza privada, (aquelas situações em que é a própria pessoa ofendida e não o ministério público leva o caso a julgamento) se qualquer político ou padre se ofender (seguindo com o exemplo acima mencionado), você responde por esses crimes. Afinal, é crime mesmo.
E não interessa se quem achincalha, ofende, agride ou calunia é você, um menininho que estuda com o seu filho ou se é um jornalista de uma grande revista internacional. Ninguém tem o direito de usar o verbo para humilhar e ofender gratuitamente, movido por preconceito, pela necessidade de hierarquizar o humano, de colocar o outro em um patamar inferior ao seu (ou aos seus). Afinal, assim como os indivíduos coexistem e devem conviver harmonicamente, assim também a integralidade dos nossos direitos, e não apenas o direito à liberdade de expressão, deve ser respeitado.

Nara Rúbia Ribeiro10375991_704688386255695_1410672344130654829_n

Escritora, advogada e professora universitária.
Administradora da página oficial do escritor moçambicano Mia Couto.
No Facebook: Escritos de Nara Rúbia Ribeiro
Mia Couto oficial


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Adolescentes suspeitos de matar colega por bullying são apreendidos

Eles confessaram ter matado o amigo, de 16 anos, com tiro na cabeça. Meninos, de 17 anos, disseram que sofriam bullying e crime seria vingança.


Do G1 Rio Preto e Araçatuba

Os dois adolescentes, de 17 anos, suspeitos de matarem um colega, de 16 anos, nesta semana em São José do Rio Preto (SP), foram apresentados na noite desta sexta-feira (9), na Central de Flagrantes. Eles estavam acompanhados dos pais e ficarão no local aguardando vagas na Fundação Casa. O pedido de internação provisória, de 45 dias, foi solicitado pelo promotor da Infância e da Juventude, André Luiz de Souza à Justiça.
Os dois menores confessaram o assassinato e disseram que mataram porque eram vítimas de bullying, mas os delegados do caso não acreditam nessa versão e cogitam outras possibilidades. O que mais chamou atenção dos policiais foi o fato de os jovens terem combinado o crime dias antes. “Eles alegam que a vítima brincava com todo mundo e não aceitava brincadeiras de volta, e já tinha agredido um deles. Como a gente duvidou de todas as versões apresentadas ainda estamos checando esta versão”, diz o delegado da DIG, que investiga o caso, Alceu de Oliveira.
A promotoria da Vara da Infância e Juventude deve ouvir nos próximos dias os dois adolescentes  para mais esclarecimentos. Só depois disso, serão definidas quais medidas serão tomadas. O avô de um dos jovens pode ser indiciado pela polícia por posse ilegal de arma. O revólver, calibre 22, usado para matar a vítima pertencia ao avô e não tinha registro. Segundo a família, essa arma tinha sido furtada, mas ninguém sabia que estava com o adolescente.
Os pais da vítima não quiseram dar entrevista, mas disseram não acreditar na versão apresentada pelos jovens. Na academia em que a vítima frequentava, colegas e professores foram pegos de surpresa com a notícia de que o crime teria sido cometido por dois amigos do estudante. Um deles, o que teria atirado na cabeça do rapaz, frequentava o local com ele. “Ficamos chocados porque eram dois amigos que víamos treinar juntos, frequentavam a escola juntos, nunca poderíamos imaginar”, afirma Valdeci dos Santos, professor da academia.
Adolescente foi encontrado morto às margens de rio em Rio Preto (Foto: Reprodução/TV Tem)Adolescente foi encontrado morto às margens de rio
em Rio Preto (Foto: Reprodução/TV Tem)
Entenda o caso
Nivaldo Lopes Júnior, de 16 anos, estava desaparecido desde a última segunda-feira (4), quando ele saiu de casa para ir à academia e não voltou mais.
Imagens feitas pelas câmeras de segurança de um supermercado mostram um dos suspeitos saindo do mercado. Ele atravessa a rua e, em seguida, Nivaldo aparece andando rapidamente, os dois se cumprimentam e saem juntos. Segundo a polícia, eles seguiram direto para o local do crime, perto da linha do trem que fica a poucos quarteirões do supermercado e da casa de Nivaldo.
O corpo do estudante foi encontrado por moradores na tarde da quinta-feira (8). A mãe esteve no local e foi uma das primeiras a reconhecer o corpo. Os adolescentes que aparecem nas imagens do supermercado foram identificados e ouvidos pela polícia na quinta-feira (8). Eles confessaram o crime e disseram que mataram o amigo porque estavam cansados das brincadeiras e humilhações dele.
Corpo do jovem foi encontrado próximo à linha férrea (Foto: Felipe Bella/TV TEM)Corpo do jovem foi encontrado próximo à linha férrea (Foto: Felipe Bella/TV TEM)

Victor, dupla de Leo, lembra poemas que fazia na escola: ‘Sofria bullying’

Sertanejo conta que expressava os sentimentos através das palavras: ‘Escrevia para alguns professores por quem tinha admiração’


Gshow

Cantor conta que escrevia poemas desde a infância (Foto: Carol Caminha/Gshow)Cantor conta que escrevia poemas desde a infância (Foto: Carol Caminha/Gshow)








Que as músicas da dupla Victor e Leosão encantadoras todo mundo já sabe. Mas alguém tem ideia que Victor adorava escrever poemas desde pequeno? No camarim do Sai do Chãodeste domingo, 11, o sertanejo relembrou a época da escola: “Eu sofria sofria bullying e era chamado de poetinha”, contou o cantor.
Segundo o sertanejo, escrever era uma forma de se declarar para as pessoas especiais. “Eu tinha admiração por alguns professores, como a Raquel de matemática, e fiz poemas para eles. Essa era a minha forma de expressar os meus sentimentos”. Assista ao vídeo!
Victor lembra tempos de infância (Foto: Carol Caminha/Gshow)Victor lembra tempos de infância (Foto: Carol Caminha/Gshow)

sábado, 10 de janeiro de 2015

Thaila Ayala diz que bullying sofrido no colégio ajudou a compor nova personagem

O Globo

Foto: (FOTO: REPRODUÇÃO) THAILA AYALA
THAILA AYALA

Thaila Ayala, que passa uma temporada em Nova York, voltou ao Rio para curtir as festas de fim de ano e cumprir compromissos profissionais. Um deles foi a gravação de um episódio da segunda temporada da série "As canalhas", do GNT. A estreia será em março.

- Danielle é uma ex-gordinha que sofreu muito bullying no colégio, emagreceu, ficou sarada e virou personal trainer. Ela tem a chance de se vingar quando a líder da turma do bullying pedir aulas, sem reconhecê-la. A personagem vai ensinar tudo errado para a tal aluna e saborear a vingança dia após dia - conta a atriz, que foi casada com Paulo Vilhena, no ar em "Império" por dois anos.

Thaila, que declarou ter sido vítima de brincadeiras agressivas dos colegas de colégio por ser muito magra, usou a experiência no novo papel:

- Acho que isso me ajudou muito a compor a personagem.

A atriz ficará no Brasil até março, a trabalho. Depois, voltará para Nova York, para onde se mudou no início do ano passado. Ela conta que não teve dificuldade para se adaptar.

- Acho que Nova York tem tudo do melhor para oferecer para todos os gostos e estilos. Mas, para mim, o que faz o coração bater mais forte lá é a arte - conta ela, que estreará este ano o longa "Maybe a love story", rodado na cidade americana.

Adolescentes dizem que mataram colega porque sofriam bullying

Polícia encontrou corpo às margens da linha férrea em Rio Preto (SP). Vítima foi flagrada, antes de morte, por câmeras de supermercado.


Do G1 Rio Preto e Araçatuba

A Polícia Civil de São José do Rio Preto (SP) divulgou na manhã desta sexta-feira (9) o conteúdo do depoimento dos dois adolescentes suspeitos de matar um garoto de 16 anos, cujo corpo foiencontrado às margens da linha férrea em São José do Rio Preto (SP), no bairro Jardim Soraia, na quinta-feira (8).

Adolescente foi encontrado morto às margens de rio em Rio Preto (Foto: Reprodução/TV Tem)Adolescente foi encontrado morto às margens de
rio  em Rio Preto (Foto: Reprodução/TV Tem)
Segundo a polícia, os menores disseram que mataram o colega porque eram vítimas de bullying. Os suspeitos disseram que não aguentavam mais as "brincadeiras de mau gosto" que a vítima fazia com eles, por isso decidiram matá-lo.
A informação foi divulgada pela Delegacia de Investigações Gerais durante coletiva no fim da manhã desta sexta-feira (9). Mesmo com a confissão, a polícia vai investigar para apurar se o crime tem outra motivação.
Segundo informações da DIG, o adolescente foi morto com um tiro. A arma seria de um dos avós dos agressores, que faziam parte do mesmo círculo de amizades da vítima. Eles foram identificados após imagens do circuito interno de um supermercado flagrar, na segunda-feira (6), os três deixando o local. Agora, os adolescentes estão à disposição da Justiça, que deve definir ainda nesta sexta-feira (9) o destino dos menores.
Entenda o caso
Nivaldo Lopes Júnior, de 16 anos, desapareceu, no mesmo bairro onde foi encontrado, por volta das 14h depois de ir à academia, na segunda-feira (6). Por três dias, parentes e amigos se mobilizaram na busca pelo estudante e espalharam cartazes com a foto dele no bairro e nas redes sociais.
"Nós vimos que ele demorava para voltar e ligamos no celular, mas não atendia. Meu filho não era de sair, eu sempre levava e buscava ele nos lugares, não tinha amigos de rua, só amigos de escola ou da academia”, afirma o pai Nivaldo Lopes.
Corpo do jovem foi encontrado próximo à linha férrea (Foto: Felipe Bella/TV TEM)Corpo do jovem foi encontrado próximo à linha férrea (Foto: Felipe Bella/TV TEM)

Cyberbullying e seus efeitos na sociedade

As legislações tais como o ECA, o CC, o CP e a Lei nº 12.965 (Marco Civil da Internet), são interpretadas no sentido de dar proteção jurídica. No entanto o Direito é mais do que a lei. E uma das suas funções é promover o combate a todas as formas de agressão, entre elas o cyberbullying.

Os seres humanos por natureza são dependentes e carentes de seus pares, suscetíveis a cobranças absurdas de serem medianos, ou seja, devem obedecer a um padrão estabelecido pela sociedade, e os que fogem destes padrões “normais”, sejam eles, acima ou a baixo do esperado, são rotulados na maioria de estranhos, ao da mesma espécie, e assim exposto de forma vexatória, que até pouco tempo dava-se o nome de bullying (anos 80) e atualmente devido a era digital sobre o nome de Cyberbullying, ou bullying virtual.

Em sua maioria as vitimas são jovens, mas não como regra, lembrando que a dependência do ser humano é do ventre da mãe ao leito de morte, e não fica restrita a uma instituição específica, ou seja, ela está presente em todos os espaços físicos possíveis, e como a tecnologia atravessa paredes, ela não pede licença às pessoas para entrar em seus lares basta um meio tecnológico, seja ele um computador de mesa, ou um portátil, e até mesmo um inocente celular. 

Em um quadro geral, o lar que deveria ser um porto seguro, devido sua inviolabilidade  (Art. 5º inciso XI Constituição Federal), deixou de ser diante do Cyberbullying.

O bullying, e o Cyberbullying iniciam-se de forma sucinta, confundindo-se com uma brincadeira, e quando a vítima percebe que não se trata disso, já ultrapassou o limite suportável, e assim em alguns casos, ela tenta contra si mesma, ou contra a vida de seu agressor, e, é nesse momento que a convivência em sociedade se tornar insuportável e a vitima tentando se livrar torna-se maioria agressiva, pequenos infratores, ou mesmo grandes infratores, jovens com grandes problemas familiar, social, afetivo, e pior, não soma nada á sociedade, é só mais um.

Porém é preciso dar suporte as vítimas e respectivas famílias e garantir que os infratores sejam punidos, dando à sociedade a devida segurança para cada situação, ou seja, uma lei que defina tal situação como crime, como é exigência na nossa Constituição Federal em seu art. 5º inciso XXXIX.

É possível concluir que todos devem ter seus direitos assegurados, seja na Carta Magna,  seja em leis específicas. 

As legislações tais como o ECA, o CC, o CP e a Lei nº 12.965 (Marco Civil da Internet), são interpretadas no sentido de dar proteção jurídica. No entanto o Direito é mais do que a lei. E uma das suas funções é promover o combate a todas as formas de agressão, entre elas o cyberbullying. 

Como bem afirmado por Lima (2011), a lei veio reafirmar o que é garantido na Lei Maior, ou seja, que há garantias individuais e coletivas, como o respeito à privacidade, o direito à segurança, assim como prescreve o art. 1º da Lei n. 12.965/14, reafirmando um direito constitucional de liberdade de expressão, muito embora o anonimato não seja aceito.

É imperioso que novas leis sejam criadas de modo a inibir a prática de crimes no âmbito da internet, em todas as suas formas, sejam eles em transações comerciais e/ou mesmo com abrangência social, de modo a diminuir o sofrimento de pessoas que, embora vítimas, ainda não podem se defender, pois ainda não existe uma lei específica para isso, a qual, se existisse, poderia certamente contribuir para que o cyberbullying fosse combatido com todo o rigor da lei.

Entre as medidas que podem ser adotadas diante de uma situação como essa se pode citar a reforma do Código Penal (CP), tipificando, no ordenamento jurídico pátrio, tal situação como crime, exatamente como assim o exige a Constituição Federal (CF), mais precisamente em seu art. 5º, inciso XXXIX, que assim preceitua: “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal” (BRASIL, 1988, p. 6).

Casos vistos na mídia revelam a extensão da problemática e de seus efeitos, tanto para o agressor, como também para a vítima; porém, vale ressaltar que esses efeitos não atingem somente o agressor e a vítima, visto que tal prática, seja de forma direta ou indireta, acaba por repercutir também no âmbito da sociedade, no seio familiar e demais institutos.

Desse modo, existem sim consequências danosas em relação à prática do Bullying e/ou do Cyberbullying. É importante lembrar que há formas de prevenção e combate que podem e precisam ser adotadas.

Mas, para que isso aconteça é necessário não apenas o interesse das famílias e da sociedade, de forma a prevenir e combater essa prática, mas também do Estado, especialmente dos legisladores, os quais têm informações suficientes dessa guerra que, em muitos casos, é silenciosa, e que vem repercutindo negativamente na vida de tantas crianças, adolescentes e até de adultos.

O combate ao cyberbullying pode ser realizado por várias formas. A par das legislações, inclusive as que deverão ainda surgir, o Direito pode dar sustentação ao desenvolvimento de programas de combate, tal como o SaferNet, que é uma organização não governamental, e que faz um trabalho, norteando uma navegação segura, controle dos pais, entre outras medidas que propiciam adequação à atualidade e ao mesmo tempo segurança.

Tratando-se de realidades muito novas, como é o caso da internet, pouco ainda se conhece a respeito das formas pelas quais se realiza e dos efeitos que produz. Assim, torna-se cada vez mais necessário o estudo aprofundado dessa realidade e, por consequência, daí surgem ideias, estratégias, procedimentos e formas que, combatendo os crimes virtuais, contribuem para a construção de uma sociedade autoprotegida e com liberdade.

Fonte: Direito Net

domingo, 4 de janeiro de 2015

Sofria Bullying e Respondeu Com Post-its Positivos

Fonte: Chiado Magazine

Quando a adolescente Caitlin Prater-Haacke foi vítima de bullying por colegas da sua escola, através da sua conta de Facebook, decidiu que não se iria vingar, mas sim fazer algo incrível.

O mês passado, um dos seus colegas da Secundária George McDougall conseguiu abrir o seu cacifo, entrar na sua conta de Facebook através do Ipad e escrever algumas declarações que diziam que a Caitlin se deveria suicidar. 

Obviamente afectada por este acto, decidiu que era tempo de agir e tornar as pessoas cheias de ódio em pessoas carregadas de pensamentos positivos.

Entrou na escola, com um saco cheio de post-its que continham mensagens como "Tu és muito bonito!", "Sorri, és lindo!", "Feliz dia beleza!". Colou um em cada cacifo da escola, para que todos os colegas pudessem ter a sua mensagem pessoal. 

Foi repreendida pela escola, é certo, mas recebeu o apoio de toda a comunidade local, que disse ser uma forma fascinante de responder a quem não nos trata bem. Algumas empresas até começaram a fazê-lo para os trabalhadores e o resultado, claro, é super positivo.

Todas as pessoas se alegram quando recebem uma mensagem positiva logo pela manhã.

Foi até já criado um grupo no Facebook, com imagens de muitas pessoas que o estão a fazer nos seus locais de trabalho ou em casa.

Grande ideia, Caitlin!






Os bons alunos também são vítimas de bullying

Como protegê-los da inveja? O que é que pais e professores podem fazer para ajudar quem, nos estudos, nunca precisou de ajuda?


Fonte: Activa

Por CATARINA FONSECA



Têm boas notas, mas muitas vezes é isso que os afasta dos outros. Ou enfim: isso vem por arrasto. Joana Lima, ‘ex-boa aluna’ e hoje médica, recorda o seu tempo de ‘bullied’ no ensino secundário: “Quando és bom aluno em pequeno, não és ostracizado por teres boas notas, porque os miúdos não se importam nada com isso. És ‘bullied’ por seres outras coisas que muitos bons alunos são: por seres tímido e pouco sociável, principalmente. Mas também é uma coisa que dura uns três ou quatro anos e depois transforma-se no oposto: de repente és o herói da escola e toda a gente quer lucrar com as tuas boas notas.”

“Pois: mas esses três ou quatro anos podem deixar muitas e graves marcas”, comenta Patrícia Poppe, psicóloga escolar na Escola Alemã de Lisboa, que se confronta quotidianamente com estas situações. “Por isso é que tem de se intervir logo, assim que a criança começa a mostrar sinais como tristeza, ansiedade, dores de cabeça ou barriga, recusa em ir à escola. Eles têm de saber que, se qualquer coisa correr mal, têm de contar a um adulto. E esse adulto tem de reagir e não ignorar. Porque as crianças têm todo o direito de se sentirem seguras na escola e é mesmo importante evitar este sofrimento.”

TER BOAS NOTAS PODE SER ‘COOL’
Se tem um bom aluno em casa e já está a tremer, relaxe: a maioria dos bons alunos estão bem integrados. Mas é decisivo o valor atribuído ao desempenho escolar. “Há países, como o Reino Unido ou a Ásia Oriental, onde os bons alunos são muito respeitados e celebrados, mas há outros, por exemplo como a Alemanha, onde não é muito ‘cool’ ter boas notas”, explica Patrícia Poppe. 

“Nestas idades, 12-15, o que um adolescente quer é ter um papel dentro do grupo e ser reconhecido pelos pares, não é ser bom aluno. Mas há sempre miúdos que, por qualquer razão, não se encaixam nestes padrões.”

A boa adaptação escolar também depende da turma em que se está inserido: uma turma com uma maioria de maus alunos vai massacrar mais os bons alunos.
O que há a fazer: começar pela prevenção. “Nós esforçamo-nos por criar um bom ambiente na escola através de turmas equilibradas. Tentamos equilibrar alunos bons com alunos menos bons, rapazes com raparigas, juntar alunos que querem ficar juntos”, explica Patrícia Poppe. “Mas por mais que se previna, situações de bullying vão acontecer em todas as escolas.”
Sempre que existe um grupo de pessoas, vai haver situações pontuais de conflito. O que se pode fazer: “Criar um bom ambiente na escola, falar abertamente sobre o tema e não fingir que não acontece nada, porque os alunos não podem estar a sofrer durante muito tempo.”

OS BONS ALUNOS TAMBÉM PRECISAM DE ATENÇÃO
Para criar um bom ambiente na escola, todos podem ajudar: pais e professores. Os professores: “Devem valorizar os resultados e as boas qualidades dos bons alunos sem os favorecer cegamente. É muito importante ter o cuidado de não fazer comparações entre alunos bons e menos bons. Estes podem ajudar-se mutuamente em equipas de trabalho, por exemplo.”
Muitas vezes, os pais também não ajudam face às boas notas dos filhos e tornam-se demasiado competitivos através das crianças.
“Tenho um filho que sempre teve 5 a tudo”, conta Maria Isabel Pereira, mãe do Miguel. “Pois não há fim de ano ou de período em que eu vá ver as notas que não apanhe alguma mãe atrás de mim a dizer ‘Ai mas quem é este Miguel, que teve estas notas?” com uma voz tão despeitada que até me faz tremer. Acho que os pais são terrivelmente competitivos através dos filhos e isso assusta-me imenso, porque não é esse tipo de mundo que quero para o Miguel.” Também nota que o filho se tornou bastante reservado, para se proteger da inveja alheia. “Faz tudo para não dar nas vistas, e houve uma altura em que tinha alguns problemas por causa dos outros meninos. Mas agora as coisas já lhe correm melhor, porque os outros percebem que ele explica bem as coisas e servem-se disso...”
“Quando os pais mostram um orgulho demasiado grande perante os resultados dos filhos é como se aquele resultado fosse deles e não dos miúdos”, comenta a psicóloga Patrícia Poppe.
Outras vezes, os pais relaxam porque sabem que a criança é boa aluna, mas desvalorizam aspetos importantes da sua vida como a capacidade de ter ou fazer amigos, tão importante para qualquer pessoa, mas principalmente para um adolescente: “Há pais que pressionam demasiado as crianças para as boas notas, quando deviam ajudá-las noutros aspetos muitas vezes pouco valorizados, como a socialização. Podem inseri-los em ocupações de tempos livres que não sejam competitivas e sejam feitas por prazer. Podem ainda estimular as competências sociais: convidar amigos lá para casa, por exemplo.”

COMO LIDAR COM SITUAÇÕES DE BULLYING
Quando uma situação de bullying acontece, seja por este ou outro motivo, é urgente ajudar os alunos a lidar com isso, tanto o agressor como o agredido, porque ambos precisam de ajuda.
“Mas há muitas formas de lidar com a situação que não passam, pelo menos nas primeiras ocorrências, pelo castigo, mas pelo diálogo, pela capacidade de se pôr no lugar do outro, e pela reparação do que fizeram”, explica ainda Patrícia Poppe.
“Num primeiro momento não envolvemos os pais. Juntamos as duas crianças, tentamos perceber o que aconteceu falando com elas e com colegas que tenham presenciado o conflito, e tentamos que todos tenham consciência do que se passou. Tentamos que o agressor tenha capacidade para se pôr no lugar do outro. Porque muitas vezes o agressor não tem noção do sofrimento que causou.”
E acima de tudo o mais importante é ajudá-los a lidar com as emoções (as boas e as más) e educá-los para a tolerância. “Temos urgentemente que lhes ensinar a tolerância para a diferença, qualquer diferença. E é muito importante fazê-los perceber que há muitos tipos de diferença.”

SEM VERGONHA DAS BOAS NOTAS
O mito do ‘nerd’ caixa de óculos sem um amigo nem sempre se aplica: é perfeitamente compatível ser bom aluno e ser sociável. Como ajudar um adolescente a conseguir isto? “Deve ter confiança em si mesmo, e não deve envergonhar-se dos seus bons resultados”, diz a psicóloga Patrícia Poppe. “Às vezes não gostam de se destacar, mas lá está, isso depende daquilo que a escola, os pais e os colegas valorizam, e depende também da maneira como são tratados os maus alunos. Se estes forem maltratados, têm de descarregar em alguém. E a inveja dos outros pode ser muito destrutiva.”

Jovem que perdeu visão em pesca supera bullying e estreia na Copinha

Atacante do Monte Azul-SP ficou cego do olho direito após se envolver em um acidente com anzol de vara e sofreu preconceito em seu clube anterior


Por Monte Azul Paulista, SP
Cristiano, atacante do Monte Azul (Foto: Divulgação/Monte Azul)Cristiano, atacante do Monte Azul, perdeu a visão do olho direito (Foto: Divulgação/Monte Azul)
O jovem Cristiano, de 16 anos, é um dos milhares de garotos que estarão desfilando pelos gramados durante a 46ª edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior neste mês de janeiro, no maior torneio de base do Brasil. Mas o atacante do Monte Azul-SP tem um desafio extra dentro de campo, além de ter que passar pelos zagueiros adversários. O garoto perdeu a visão do olho direito quando tinha 9 anos, durante uma pescaria em Matão, no interior de São Paulo, sua cidade natal.  
– Estava em um pesqueiro com minha família quando o anzol da vara que eu segurava entrou dentro do meu olho. Tinha nove anos na época e foi difícil no começo para aceitar que teria que me readaptar – diz Cristiano, que teve de encontrar formas de driblar a deficiência.
aptar – diz Cristiano, que teve de encontrar formas de driblar a deficiência.
No começo, quando ia jogar, foi difícil porque não conseguia ver o adversário que vinha me marcar pelo lado direito. Mas, aos poucos, fui encontrando formas de me proteger do adversário, principalmente usando o braço para aumentar meu “campo de visão”
Cristiano, atacante do Monte Azul
– No começo, quando ia jogar, foi difícil porque não conseguia ver o adversário que vinha me marcar pelo lado direito. Mas, aos poucos, fui encontrando formas de me proteger do adversário, principalmente usando o braço para aumentar meu “campo de visão” – emenda o jogador, que será titular do Monte Azul contra a Ferroviária, às 14h deste domingo, em Araraquara.
Além de se adaptar à nova realidade, Cristiano também teve de superar o preconceito dos companheiros de time. De acordo com o jovem, em 2013, quando estava na equipe juvenil do Marília, ele enfrentou a discriminação por conta de sua situação física. Por conta do "bullying", pediu para sair do clube.
– Lembro que no Marília tinha um garoto do time sub-17 que começou a pegar no meu pé por conta do meu problema no olho. Ele ficava me chamando de "zóinho" e dando risada de mim. Fui reclamar com a direção, mas eles não fizeram nada para pará-lo. Na terceira vez que isso aconteceu peguei minhas coisas e deixei o clube – conta o jogador, que se transferiu para o Monte Azul após o incidente. 
Cristiano, atacante do Monte Azul (Foto: Ronaldo Oliveira / EPTV)Cristiano, em treino do Monte Azul (Foto: Ronaldo Oliveira / EPTV)
No clube de Monte Azul Paulista desde janeiro de 2014, Cristiano espera fazer bonito em sua primeira participação na Copa São Paulo, e diz se inspirar no xará português, Cristiano Ronaldo, para “vingar” no futebol.
– O Cristiano Ronaldo é o cara em que eu me espelho. Ele é meu ídolo e espero, quem sabe, chegar onde ele chegou – diz o garoto, esperançoso. 
Com Cristiano como titular, o Monte Azul estreia na Copinha neste domingo, às 14h, contra a Ferroviária, na Arena da Fonte Luminosa, em Araraquara.
Cristiano, atacante do Monte Azul (Foto: Ronaldo Oliveira / EPTV)Cristiano diz ter sofrido bullying em seu clube anterior, o Marília (Foto: Ronaldo Oliveira / EPTV)