segunda-feira, 9 de agosto de 2010

OAB-MS ministra palestras em escolas da Capital; drogas e bullying estão entre os temas

Em agosto, a Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), realiza o projeto “OAB Vai à Escola” em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semed). Serão visitadas 24 unidades de ensino.

Entre os temas abordados nas palestras estão: ética e cidadania, drogas, discriminação racial (preconceito) e direitos humanos, pedofilia e bullying, Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), relacionamento familiar e interpessoal, motivação e ética no trabalho, direito do trabalhador, cidadania, direito do trabalho do menor, direito do consumidor e trânsito e cidadania.

Por: Marcelo Eduardo – (www.capitalnews.com.br)


Fonte: Marcelo Eduardo - Capital News

VIOLÊNCIA - Medidas contra o bullying mobilizam comissões da Câmara

AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS

O combate ao bullying tem despertado o interesse de parlamentares, preocupados com as consequências negativas dessa prática na formação de crianças e adolescentes. Neste ano, duas comissões da Câmara aprovaram proposta que exige a adoção de medidas contra o bullying nas escolas. O assunto estará na pauta de votação nos próximos meses, quando será analisado por outras comissões.

O bullying é caracterizado pela prática intencional e repetitiva de atos agressivos intimidadores, como ofensas verbais, humilhações, exclusão e discriminação. É uma brincadeira que não tem graça e que deixa marcas e traumas em suas vítimas.

No Brasil, cerca de 1/3 dos estudantes afirmam ser vítimas de bullying. Esse percentual consta de levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) com estudantes do 9º ano do ensino fundamental (antiga 8ª série) nas 27 capitais brasileiras. O estudo, divulgado no último mês de junho, integra a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar.

"Essa violência está sendo disseminada e o uso da internet com esse fim, o cyberbullying, tem tornado a prática ainda mais acessível", afirma o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS). Para ele, a tolerância desse tipo de agressão no ambiente escolar tem efeitos como repetência e mesmo evasão, e a solução passa por medidas de conscientização e educação.

Inspirado em leis de combate ao bullying aprovadas no Rio Grande do Sul, Vieira da Cunha apresentou na Câmara projeto que institui um programa nacional para evitar a prática. Ele propõe que o Ministério da Educação (MEC) coordene trabalhos para combater o bullying.

Medidas de prevenção
O projeto de Vieira da Cunha tramita em conjuntoTramitação em conjunto. Quando uma proposta apresentada é semelhante a outra que já está tramitando, a Mesa da Câmara determina que a mais recente seja apensada à mais antiga. Se um dos projetos já tiver sido aprovado pelo Senado, este encabeça a lista, tendo prioridade. O relator dá um parecer único, mas precisa se pronunciar sobre todos. Quando aprova mais de um projeto apensado, o relator faz um texto substitutivo ao projeto original. O relator pode também recomendar a aprovação de um projeto apensado e a rejeição dos demais. com uma proposta do deputado Maurício Rands (PT-PE) - PL 6481/09 - e com outra do deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE) - PL 6725/10. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) agregou o conteúdo desses projetos em um substitutivoEspécie de emenda que altera a proposta em seu conjunto, substancial ou formalmente. Recebe esse nome porque substitui o projeto. O substitutivo é apresentado pelo relator e tem preferência na votação, mas pode ser rejeitado em favor do projeto original. que foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura no início de julho.

O substitutivo obriga escolas e clubes de recreação a adotar medidas de conscientização, prevenção, diagnose e combate ao bullying. O projeto também obriga dirigentes de estabelecimentos de ensino e de recreação a comunicar o Conselho Tutelar sobre os casos de bullying e as providências adotadas para conter o abuso.

"A própria Constituição Federal já traz a obrigação de proteção de crianças contra as condições de crueldade", afirma Maria do Rosário.

A deputada, que foi professora da rede pública de ensino em Porto Alegre, afirma que a sociedade está mais consciente sobre os problemas relacionados ao bullying. Ela avalia, no entanto, que as agressões estão se tornando mais comuns.

Apesar disso, o substitutivo de Maria do Rosário não criminaliza condutas, mas busca garantir um melhor enquadramento do bullying como medida de proteção à criança e ao adolescente. "Acredito no trabalho permanente da escola, com orientação aos alunos e professores, sobre como lidar com a situação", afirma.

O substitutivo ainda precisa ser analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Criminalização
Outro projeto em análise na Câmara inclui o bullying na relação de crimes contra a honra, prevista no Código Penal (Decreto-lei 2.848/40). A proposta, do deputado Fábio Faria (PMN-RN), prevê detençãoA detenção é um dos tipos de pena privativa de liberdade. Destina-se a crimes tanto culposos (sem intenção) quanto dolosos (com intenção). Na prática, não existe hoje diferença essencial entre detenção e reclusão. A lei, porém, usa esses termos como índices ou critérios para a determinação dos regimes de cumprimento de pena. Se a condenação for de reclusão, a pena é cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. Na detenção, cumpre-se em regime semi-aberto ou aberto, salvo a hipótese de transferência excepcional para o regime fechado. Há ainda prisão simples, prevista para as contravenções penais e pode ser cumprida nos regimes semi-aberto ou aberto. de um a seis meses e multa para o agressor.

Como a maioridade penal é fixada em 18 anos, a pena será aplicada nos casos de intimidação cometidos por adultos (seja contra outros adultos ou contra crianças e adolescentes).

Segundo o projeto, a pena será maior se o bullying resultar em violência física (detenção de três meses a um ano, além de multa). Se envolver preconceito de cor, etnia, religião, idade ou limitação física, a pena será reclusãoA reclusão é a mais severa entre as penas privativas de liberdade. Destina-se a crimes dolosos (com intenção). Na prática, não existe hoje diferença essencial entre reclusão e detenção. A lei, porém, usa esses termos como índices ou critérios para a determinação dos regimes de cumprimento de pena. Se a condenação for de reclusão, a pena é cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. Na detenção, cumpre-se em regime semi-aberto ou aberto, salvo a hipótese de transferência excepcional para o regime fechado. Há ainda prisão simples, prevista para as contravenções penais e pode ser cumprida nos regimes semi-aberto ou aberto. de dois a quatro anos e multa. O juiz poderá deixar de aplicar a sanção se entender que o ofendido provocou a intimidação.

O projeto de Fábio Faria será analisado pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de seguir para o Plenário.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Novo livro sobre bullying

A Bertrand vai lançar a 13 de Agosto a obra de Nazaré Barros

'Violência nas Escolas - Bullying' é um livro da autoria de Nazaré Barros, professora de Filosofia no ensino secundário há mais de 20 anos, que será lançado no próximo dia 13 de Agosto, a nível nacional. Este é, segundo a Bertrand Editora, "um livro repleto de actualidade, onde os problemas da indisciplina, violência e bullying escolares são abordados numa perspectiva actual e nas suas várias dimensões: pedagógica, relacional, social e organizacional. Indisciplina, violência e bullying são fenómenos que estão presentes nas escolas portuguesas. Estamos perante um livro onde estes fenómenos são analisados sem alarmismos fáceis ou exageros mediáticos, mas com rigor e conhecimento científico". Isto numa linguagem simples e acessível. "Este livro é um contributo decisivo, um testemunho e uma ajuda para pais, professores e toda a comunidade educativa".

Nazaré Barros licenciou-se em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa (1986), e é autora de vários manuais escolares de filosofia. Fez mestrado na área da educação, na especialização de administração e organização escolar, na Faculdade de Ciências (2009), onde defendeu a dissertação 'Violência escolar ou escola violenta?' com a classificação final de 18 valores. Tem ocupado vários cargos na escola, estando em cargos de gestão e direcção entre 2003 e 2010.

Fonte: DNotícias . PT (Portugal)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Bullying: MP abriu 118 inquéritos nos primeiros seis meses

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) registou 118 casos de violência escolar no primeiro semestre deste ano, segundo uma análise da actividade do Ministério Público no distrito.

Destes 118 casos, a maior incidência verificou-se na comarca da Grande Lisboa Noroeste, com 63 casos, dos quais 43 forem em Sintra, 19 na Amadora e um em Mafra.

A PGDL adianta ainda que o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa registou 16 casos de violência escolar e a comarca de Cascais oito. Paralelamente, a violência contra profissionais de saúde averbou três inquéritos no primeiro semestre deste ano.

A análise da actividade do MP no distrito judicial de Lisboa indica também que deram entrada 45 casos de violência contra idosos no primeiro semestre. A violência contra deficientes registou dois novos casos nos primeiros seis meses do ano, enquanto os crimes contra crianças (que não de natureza sexual), a PGDL refere que há 166 novos casos registados.

Relativamente aos crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual de menores são 395 os casos registados no primeiro semestre, indica o memorando da PGDL, dirigida pela procuradora geral adjunta Francisca Van Dunem.

O mesmo documento diz igualmente que foram abertos 4546 inquéritos de violência doméstica no distrito judicial de Lisboa. Noutro plano, a PGDL revela que as infracções rodoviárias tinham registado no primeiro semestre 4496 inquéritos e os crimes de droga registaram 1645 casos.

O documento adianta ainda que o distrito judicial de Lisboa abriu 106 374 inquéritos no primeiro semestre deste ano, mais 1.119 que no período homólogo do ano passado.

Fonte: Diário Digital / Lusa

Departamento de Educação orienta profissionais para combater o bullying

da assessoria de imprensa da Prefeitura de São Roque

O Departamento de Educação da Estância Turística de São Roque vem promovendo diversas ações aos professores, diretores, coordenadores e supervisores do ensino fundamental e infantil com o objetivo de subsidiar os profissionais para prevenirem um fenômeno que ocorre no mundo e, principalmente dentro das escolas: o bullying.

O bullying é um tipo de violência que cresce a cada dia e sua tradução, para entendimento, se refere às zoações, gozações, de maneira repetitiva com finalidade de humilhar, ferir, expondo o colega a sofrimento e a dor. Ele é definido pelo conjunto de comportamentos agressivos, intencionais e contínuos adotados por um ou mais alunos contra outro em desvantagem de poder ou força física, sem motivação evidente, sob a forma de “brincadeiras de mau gosto” que disfarçam o propósito de maltratar, rebaixar, tornando a vítima impotente, à mercê do agressor e seu grupo. Manifestam-se em xingamentos, desenhos, ofensas morais, verbais, sexuais, extorsões, pelo ato de ocultar e danificar objetos de uso pessoal da vítima, maus tratos físicos, psicológicos reais e virtuais.

Por conta disso, os educadores de São Roque preocupados com a criança e o adolescente vem participando desde abril deste ano de capacitações voltadas ao assunto. No mês de julho eles receberam das facilitadoras e pesquisadoras Neusa Peres e Ducarmo Paes, oportunas experiências e conhecimentos por meio de oficinas nesse campo de violência, visando à erradicação desse mal, que segundo se sabe, é um grande causador da evasão escolar. A representante da Diretoria Regional Estadual de Ensino de São Roque, Maria Aparecida Godinho e Conselheiros Tutelares também marcaram presença no evento.

Na ocasião, para a continuidade do trabalho nas escolas, o Departamento de Educação adquiriu o livro de literatura infanto-juvenil (Bullying - Vamos mudar de atitude!), que trata do assunto de forma lúdica e reflexiva.

O Departamento de Educação do município está alerta para a prevenção, tomada de atitudes para controle e contenção do fenômeno e nesse objetivo pretende continuamente trabalhar junto às famílias.

“Por meio de encontros com pais ou responsáveis, num trabalho contínuo e elucidativo, o Departamento de Educação de São Roque cumpre seu papel, desenvolvendo ações contra as violências, promovendo cursos, debates, visitas de apoio, conscientizando profissionais e famílias e buscando parcerias com segmentos de nossa sociedade”, colocou a diretora Márcia de Jesus Costa Nunes.

No último dia 26 de julho durante o encontro que se concentrou na EMEF “Dr. Bernardino de Campos”, os profissionais que participam do programa de correção de fluxo, Se Liga e Acelera Brasil, debateram amplamente o tema Bullying junto aos profissionais do Departamento da Educação, Ana Maria Brossa e Maria da Conceição Valente Vidal, visando à detecção e contenção do fenômeno em nossas escolas. “Nessa caminhada, a Educação cumpre o papel assumido: A escola Protege!”, finalizaram Brossa e Conceição.

Fonte: Guia São Roque

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Estudo: escolas que sofrem com bullying têm menor rendimento

Escolas em que se observaram mais atitudes agressivas entre os alunos estão entre aquelas que apresentaram as avaliações mais baixas em Português e Matemática na Prova Brasil de 2007. A relação foi identificada pelo cruzamento de uma pesquisa com os resultados do teste que afere anualmente a evolução da qualidade do ensino básico. As informações são da Agência Senado.

O tema foi abordado pelo pesquisador José Batista de Albuquerque em audiência nesta quarta-feira na Comissão de Educação, Cultura e Esportes (CE). Da lista de comportamentos agressivos, constam o bullying e preconceitos

O pesquisador disse, após a audiência, que os dados não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito entre os dois problemas - ou seja, não é possível dizer que o preconceito é a causa determinante do baixo desempenho. No entanto, mesmo isolando outros elementos, ele disse ser ainda possível atribuir as variações dos resultados em provas a atitudes, crenças e valores dos atores do ambiente escolar. Da mesma forma, influem aspectos como a distância social e o conhecimento de situações de bullying em que professores e funcionários são vítimas.

"Essa pesquisa consegue apreender esse fenômeno, quantificando estatisticamente um desempenho negativo influenciado por esses elementos", disse. Ainda em fase de tratamento de resultados, a pesquisa envolveu consulta a mais de 15 mil estudantes do ensino básico em todo o país, além de professores, funcionários de escolas, diretores e pais envolvidos nos conselhos escolares. O objetivo foi levantar atitudes em relação a questões de gênero, raça e etnia, orientação sexual e deficiência física, entre outros temas.

Fonte: Terra

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Bullying invade a internet e faz vítimas em Sorocaba

No cyberbullying, jovens escolhem vítimas e pela internet as atacam com provocações, calúnia e maldade

Mayco Geretti
Agência BOM DIA

Os ataques não estão restritos aos corredores da escola. Tendo a internet como ferramenta, grupos de jovens estão usando a rede para promover ataques a vítimas que ficam na linha de tiro especialmente por estarem num território sem qualquer controle.

De tempos para cá o termo bullying (do inglês bully, algo como ‘valentão’) foi incorporado pelos brasileiros pra designar atos de violência intencional praticados por uma pessoa ou um grupo contra um indivíduo que, invariavelmente, tem poucas condições de se defender. As agressões, física e psicológica, acabam tornando o ambiente escolar tão degradante que o alvo do ataque tem queda do aprendizado, passa a ter repulsa e temor do ambiente escolar e, nos casos mais graves, desenvolve distúrbios psicológicos como síndrome do pânico e depressão.

Cada vez mais, no entanto, as investidas que nascem no dia-a-dia da vivência escolar ganham espaço na internet, dando origem ao cyberbullying, a versão virtual, mas não menos degradante. A net acaba atraindo para o paredão de fuzilamento do bullying até jovens que não teriam coragem de ofender alguém na “vida real”. O anonimato da internet os protege, seduz.

A estudante Ana, 15, diz que os ataques normalmente são feitos com a criação de comunidades em sites de relacionamento, especialmente o Orkut. “Criam comunidades para atacar alguém que é gordo demais, magro demais, porque vazou a informação de que uma menina fez sexo com algum garoto, enfim. O objetivo é deixar sem moral, acabar com a pessoa”, diz a garota, que afirma não enviar comentários, mas assume frequentar as comunidades para saber “o que está rolando.”

O estudante Rubens, 16, pediu que os pais lhe mudassem de uma escola particular para uma pública. Muitos amigos com quem ele estudava desde quando era criança foram deixados para trás por conta de alguns desafetos, que transformaram os tapas na cabeça do dia-a-dia, em boatos, xingamentos e complôs virtuais. “Quando chegava em casa respirava, porque só encararia os ataques no dia seguinte. Quando isso invadiu também minha casa com mentiras que eram colocadas na internet, não aguentei mais”, afirma o jovem, que diz que na nova escola, o número de vítimas do cyberbullying é bem inferior.

A psicóloga Selma Trindade classifica como “desvastador” o estrago causados pelo bullying e por sua versão digital. “Mexe com a autoestima de um jeito que fica difícil para o jovem se levantar sem ajuda externa. Os jovens sabem ser cruéis de forma avassaladora. Eles sabem o que os afeta. Na adolescência imagem é tudo, logo eles percebem exatamente onde fica o calcanhar de Aquiles alheio.”


Pais podem responder criminalmente
O presidente da Comissão de Direito Eletrônico e Novas Tecnologias da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Sorocaba, José Carlos Francisco Filho, afirma que caso a família do jovem ridicularizado descubra a identidade os autores do ataque, serão os pais dos autores das difamações os responsabilizados na Justiça.

“Não adianta os pais alegarem ignorância, dizer que não sabiam. Para a Justiça isso não importa. Os pais terão de pagar indenização caso o juiz assim decida e ao menor poderá ser ministrada uma medida sócio-educativa de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente”, explica. A medida envolverá o acompanhamento psicológico e o trabalho de assistentes sociais que farão atividades em grupo envolvendo também os pais do agressor.

A pedagoga Maria Paula Salto, afirma que o binômio formado por pais e educadores deve ajudar a formar uma espécie de rede de proteção com a meta de desestimular a prática do cyberbullying. “Pais antenados, que mantém o diálogo em dia com seus filhos, têm condições de explicar que a prática não é legal. Os educadores, por sua vez, estão inseridos no meio onde essa hostilização ocorre e têm como detectar e interceder no começo dessa cadeia de violência.”

Adultos também sofrem com bullying

Adolescência marcada pelo fenómeno deixa marcas para a vida. Alguns usam a internet para falar sobre o que sofreram

«Infelizmente sei o que é o bullying, pois fui vítima durante nove anos», começa por contar Joana, no fórum do Portal do Bullying, que recebeu nos primeiros seis meses mais de 20 mil visitas, escreve a Lusa.

Além de estudantes, pais e professores, este site apoia também adultos que sofrem no seu dia-a-dia as consequências de uma adolescência fortemente marcada pelo fenómeno.

«Quando é continuado no tempo, durante grande parte do percurso escolar, o bullying deixa repercussões nos adultos ao nível social e profissional», explica Tânia Paias, psicóloga clínica e directora do portal, em declarações à agência Lusa.

Assim, prosseguiu, existe um conjunto de «distorções cognitivas» validadas pelos comportamentos vividos ao longo do percurso escolar.

«O bullying teve consequências na minha vida. Apanhei uma depressão, fiquei com baixa auto-estima, tímida e não consigo confiar em ninguém», acrescenta Joana.

O desabafo é confirmado pela psicóloga, que aponta como consequências «as dificuldades ao nível da gestão da agressividade», bem como «a constante desconfiança» em relação aos outros, por exemplo.

Lançado a 30 de Janeiro, o site (www.portalbullying.com.pt) recebeu nos primeiros seis meses cerca de 20 mil visitas, registando-se mais de 365 mil visualizações de páginas.

«É um balanço muito positivo. Tivemos uma adesão muito grande e pensamos que conseguimos auxiliar as pessoas naquilo que são as suas preocupações, tanto de adolescentes, como de pais e professores», sublinha a directora.

No fórum, público, foram deixadas mais de 100 mensagens, enquanto no chat ou via email, confidencial, o número ultrapassa as 400. É através do chat que uma equipa de psicólogos responde, esclarece e apoia qualquer utilizador.

«Somos várias vezes questionados por pais e professores sobre a melhor forma de lidar com situações, apesar de já haver um maior conhecimento do fenómeno, devido à mediatização. Por isso, começam a saber intervir de forma mais adequada», considera Tânia Paias.

Quanto aos jovens e adolescentes, a grande maioria «não sabe lidar com a questão». Por isso, um dos objectivos do site passa por «reforçar as competências individuais» de cada um.

«Não sabem lidar com a situação porque há o receio da denúncia, de serem alvo de novas retaliações ou de falar com um adulto, por exemplo», disse.

Para a directora do portal, independentemente das alterações introduzidas no Estatuto do Aluno ou a consideração do bullying como crime, o importante é «intervir no espaço escolar».

«A melhor prevenção é a intervenção na escola. Dar ao próprio aluno, quer seja vítima, quer seja agressor, a necessidade de elaborar as coisas de outra forma. Mudar a sua conduta face à violência», defendeu.

Fonte: IOL Diário

Estudantes do DF são os que mais praticam bullying

Atitudes agressivas, intencionais e repetidas podem, até, levar ao suicídio

O Distrito Federal, onde 14% dos estudantes admitiram ter praticado agressões a colegas de escola, ocupa o primeiro lugar no ranking nacional da prática de bullying. Os dados vêm da pesquisa realizada pelo Centro de Empreendedorismo Social e Administrativo do Terceiro Setor (Ceats) e a Fundação Instituto de Administração (FIA), de março de 2010, nas cinco regiões brasileiras, cujo objetivo é reduzir a violência no ambiente escolar. Foram ouvidas 5.168 estudantes de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental em todo o País e, no Centro Oeste, foram ouvidas 975 crianças de escolas públicas e particulares do Distrito Federal (Plano Piloto, Samambaia e Brazlândia).

De acordo com o estudo, maus tratos entre colegas três ou mais vezes durante o ano letivo caracterizam o bullying. Quase 10% dos estudantes revelaram ter sido vítimas de tal comportamento em 2009 e 28% da amostra nacional afirmaram ter sofrido maus tratos por parte de colegas ao menos uma vez ao ano. As agressões foram mais frequentes nas regiões Sudeste e Centro Oeste. No Distrito Federal, a ocorrência de bullying foi de pouco mais de 11% no ano passado. Em contrapartida, quase 30% dos alunos afirmaram já terem maltratado colegas no ambiente escolar pelo menos uma vez. Cerca de 10% admitiram destratar os colegas de escola mais de três vezes.

O estudo divulgou também que entre os alunos entrevistados o termo bullying é praticamente desconhecido, mas que, na opinião da maioria dos professores, o comportamento é um fenômeno comum nas escolas. Para eles, esse é um tipo de prática sempre existiu ao lado de outras formas de interação entre os jovens, porém não com a mesma nomenclatura. A pesquisa revelou ainda que o modo mais frequente de manifestação de maus tratos é a agressão verbal por meio de apelidos ou xingamentos.

Em relação às estratégias adotadas pela escola, em primeiro lugar está o comunicado aos pais, seguido de punição aos autores. No Brasil, 3,9% das escolas ignora o comportamento e no DF, 4,3%, segundo aponta a pesquisa. A maioria das escolas não apresenta estratégias institucionais de controle à violência de modo geral.

As vítimas são intimidadas, excluídas ou humilhadas

O termo bullying vem do inglês e significa algo como intimidação. Os alunos que sofrem o bullying são aqueles perseguidos, intimidados, excluídos e humilhados pelos colegas de escola. De acordo com a psicopedagoga Francisca Rios, a ação é uma pressão psicológica exercida na criança ou adolescente. Um exemplo é aquela criança excluída de um grupo por apresentar características físicas ou sociais diferentes. Francisca explica que xingamentos, apelidos pejorativos e exclusão são algumas características. “Como o tema está muito em foco, alguns fatores devem ser observados. Nem tudo que acontece entre as crianças pode ser considerado bullying. Algumas brincadeiras e apelidos fazem parte da rotina dos alunos”, ressalva Francisca.

A psicopedagoga diz que agressões físicas podem ser uma consequência do bullying, mas que não é característica da prática. “A agressão física pode aparecer quando uma criança sofre o bullying e reage à prática”, especifica, acrescentando que esse tipo de comportamento acontece no mundo todo e pode provocar nas vítimas, desde diminuição da auto-estima, até o suicídio. O bullying é associado a atitudes agressivas, intencionais e repetidas praticadas por um ou mais alunos contra outro. Portanto, não se trata de brincadeiras ou desentendimentos eventuais, diz a especialista.

O estudante Marcelo Nogueira (nome fictício), 17 anos, já sofreu e praticou o bullying. Para ele, não é uma coisa intencional, é apenas brincadeira. “Eu zoava uma menina da minha sala, colocava apelidos, brincava com ela. Aí, ela foi à direção reclamar e eu tomei dois dias de suspensão”, reclama o jovem. Marcelo relatou que sempre teve apelidos, já foi excluído de alguns grupos, mas nunca teve problemas com isso. “Eu já forcei amizade com um monte de gente que simplesmente me ignorou. Não é porque alguém me coloca um apelido que vou chorar ou ficar chateado”, afirma o garoto.

A psicopedagoga alerta que o bullying pode gerar uma fobia social e da escola nos que sofrem com as brincadeiras de mau-gosto. As crianças que expõem o que estão vivendo têm menor predisposição para atitudes drásticas, como o suicídio. Quando não há intervenção efetiva contra a prática do bullying, o ambiente escolar tende a tornar-se um lugar tomado por um clima de ansiedade e medo. Medidas que envolvam toda a comunidade escolar devem contribuir positivamente para a formação de uma cultura de não-violência. Tais medidas podem incluir trabalho de prevenção, envolvimento dos grupos dentro da escola, aceitabilidade, atendimento particular no foco das ações, entre outras.

Fonte: Jornal Tribuna do Brasil

Casos de bullying em escolas preocupam pais e educadores

O bullying é o ato de ameaçar ou agredir o outro, verbal ou fisicamente  Foto: Getty Images

O bullying é uma palavra em inglês utilizada para denominar ações de violência física ou psicológica contra outra pessoa

As mudanças de comportamento de *Renata, de 13 anos, vieram sutilmente. Considerada boa aluna, a adolescente começou a apresentar queda significativa no rendimento escolar. Depois disso, vieram as constantes tentativas de não ir às aulas, sempre alegando dores de cabeça, de barriga ou febres imaginárias.

Mas a mãe da menina só desconfiou que alguma coisa realmente ia mal na escola quando Renata teve uma crise de choro e pediu para sair do colégio. O motivo? A constante implicância de alguns colegas, que colocavam apelidos, faziam brincadeiras maldosas e até mesmo ameaçavam fisicamente a aluna, características conhecidas, hoje, como bullying.

"No início achei que o motivo das notas baixas era o namoradinho que ela arrumou aqui no condomínio", afirma *Marise, mãe de Renata, que pediu para que a verdadeira identidade de ambas não fosse revelada. "Mas quando ela começou a não querer frequentar as aulas, percebi que o problema era na escola. Cheguei a conversar com os professores, que disseram que não havia nada de errado com ela. Somente quando minha filha teve uma crise de choro e me contou o que estava acontecendo é que resolvi tirá-la do colégio e procurei um psicólogo. Infelizmente, a escola não estava preparada para ajudar minha filha".

Infelizmente, segundo especialistas, o que aconteceu com Renata é mais comum do que se imagina. O fenômeno conhecido como bullying, palavra inglesa utilizada para denominar ações de violência - física ou psicológica - de um indivíduo ou grupo de indivíduos e que tem como objetivo humilhar outra pessoa. De acordo com o psicólogo José Antonio Martins, a ocorrência de bullying nas escolas públicas e privadas sempre aconteceu, mas só vem ganhando notoriedade de alguns anos para cá, muito por conta de uma intensa campanha, principalmente através da mídia, alertando para os perigos de tais atitudes violentas.

"O bullying pode se manifestar de diversas maneiras, por isso é tão difícil detectar. Apelidos maldosos que ressaltam alguma imperfeição da vítima, exclusão do grupo, xingamentos, ameaças veladas e até mesmo agressões físicas são as principais características. Mas como separar um apelido jocoso de um comportamento que evidencie o bullying? Cabe à escola e à família trabalharem em conjunto para evitarem situações extremas", ressalta Martins.

Pesquisa realizada pela Organização Não Governamental Plan Brasil em 2010, com 5.168 alunos de todo o país revelou que quanto mais frequentes os atos repetitivos de maus tratos contra um determinado aluno, mais tempo dura essa violência. A constatação demonstra que a repetição das ações de bullying fortalece os agressores e reduz as possibilidades de defesa das vítimas. Este resultado indica ser essencial uma rápida identificação destas ações e imediata reação para conter este tipo de atitude.

Ainda segundo a pesquisa, o bullying é mais comum nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, e a incidência maior está entre adolescentes na faixa de 11 a 15 anos de idade, que frequentam a sexta série do ensino fundamental. Os agressores geralmente cometem os maus tratos para obter popularidade entre os colegas, para serem aceitos ou simplesmente se sentirem poderosos. No caso das vítimas, estas costumam apresentar algum traço característico marcante (obesidade, baixa estatura), algum tipo de necessidade especial ou o uso de roupas consideradas diferentes pela maioria dos colegas.

"Os jovens tímidos, com dificuldades para se expressar, são alvos em potencial. Os primeiros sinais apresentados geralmente são a queda no rendimento escolar e o medo de frequentar a escola", explica José Antonio. "O problema é que a maioria das escolas não está preparada para reconhecer essa prática, já que a linha que separa o bullying da brincadeira é muito subjetiva".

Para auxiliar pais e educadores a reconhecerem - e evitarem - o bullying, a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia) desenvolveu um Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes, com diversos conselhos, entre eles o de estimular os estudantes a fazerem pesquisas sobre o tema, fazer com que os estudantes criem regras de disciplina que evitem a prática de bullying, além de interferir, quando necessário, em grupos de alunos que apresentem características de estarem cometendo maus tratos.

A pedagoga Aline Feijó faz questão de ressaltar que os estudantes que praticam o bullying também precisam de cuidados especiais, já que muitas vezes esse comportamento é fruto de problemas mais profundos, como desequilíbrio emocional e desajustes familiares. A cooperação da família, nestes casos, é fundamental para que agressores e vítimas não façam mais parte deste quadro de violência.

Fonte: Terra

Foto: Getty Images