sexta-feira, 4 de março de 2016

Conor dá tapa em Diaz na encarada, e americano é contido por seguranças

Por Direto de Las Vegas, EUA


A coletiva com os principais personagens do UFC 196 aconteceu no David Coperfield Theater, no Hotel Cassino MGM, em Las Vegas. Mas, ao contrário do ambiente mágico que normalmente o teatro recebe, a tensão esteve no ar durante todo o tempo e alcançou seu ápice na encarada realizada após a conferência. Nate Diaz fez a sua pose habitual, com o braço esticado e punho cerrado, e Conor McGregor, ao se aproximar, se irritou com a posição do rival e deu um tapa em sua mão. O americano se revoltou e precisou ser contido por diversos seguranças, que tiveram trabalho, já que as equipes de Diaz e McGregor invadiram o palco. Pelo lado do americano, foram vistos no palco seu irmão, Nick Diaz, Jake Shields e Joe Schilling; do lado do irlandês, Artem Lobov e Owen Roddy também subiram. A confusão foi tão grande que Dana White não sabia quem conter, e até mesmo oficiais de polícia tiveram que intervir para acalmar os ânimos, já que os seguranças do UFC não conseguiram manter a ordem no palco.
Conor McGregor Nate Diaz UFC 196 coletiva (Foto: Jason Silva)Conor McGregor deu tapa em Nate Diaz, e americano se irritou na coletiva do UFC 196 (Foto: Jason Silva)
Durante toda a coletiva a troca de farpas foi notória. Nate Diaz fez diversas críticas aos companheiros de equipe do irlandês e disse que treina apenas com lutadores de alto nível, ao contrário de Conor. Por outro lado, logo na primeira resposta de McGregor na coletiva, ele já começou a mostrar seu arsenal de provocações para Diaz.
- Eu não sei. Há muitas pessoas que não se arriscam nesse jogo. Há muitos frouxos medrosos no esporte. Eles não assumem riscos, eu assumo riscos em cada luta e continuo fazendo isso. Os fãs sempre aparecem, e o meu oponente destroi todo o card pensando apenas nele, sem pensar no outro. Eles adoram jogar o card todo na privada. Mas estou feliz em salvar o evento e amo lutar. Vamos ver se esse cara pode lutar. Ele fala muito. Tem falado há muito tempo. Mas agora que a luta está chegando ele é apenas um garoto medroso, tentando passar os holofotes para o irmão Nick, tentando fugir dos holofotes. É isso que um cara medroso faz, passa o holofote para os outros. Vamos ver o que ele tem a mostrar. Ele até tentou irritar o jornalista Jon Anik outro dia. Ele tem uma mentalidade de quem faz bullying com os outros. É como o Mike Tyson diz, ele tem uma mentalidade de bullying até um homem de verdade aparecer.
Conor McGregor coletiva UFC 196 (Foto: Jason Silva)Conor McGregor coletiva UFC 196 (Foto: Jason Silva)

O irlandês não deixou de cutucar até mesmo Dana White, que estava no púlpito como mediador da coletiva.
- Eu deveria estar no púlpito no lugar de Dana White. Esse lugar deveria ser meu. Trago muita coisa para a mesa, tenho uma ótima relação com o UFC, ótimos negócios, mas é olho por olho, dente por dente. Você viu o novo pôster né? Eles criaram um pôster logo depois que eu falei. Eles me ouviram e fizeram um novo pôster. Fiquei muito feliz com isso.
A coletiva, que ainda teve Holly Holm e Miesha Tate, foi monopolizada pelos protagonistas do evento principal do UFC 196. Os dois trocaram provocações, que em alguns momentos arrancaram risadas dos presentes. Confira os melhores momentos.
Conor McGregor: 2015 foi o maior ano. O que foi 2015? Esse foi o meu ano. Veja a bolsa que o Nate vinha ganhando...20 mil para aparecer, 20 mil para vencer, nem teve bônus naquela luta. Veja agora o salário que ele vai ganhar. Ele deveria me agradecer.

Nate Diaz: Você deveria ficar feliz também. Porque você está ganhando um cheque maior agora do que quando ia enfrentar o Rafael dos Anjos.
Nate Diaz coletiva UFC 196 (Foto: Jason Silva)Nate Diaz coletiva UFC 196 (Foto: Jason Silva)


Conor McGregor: Não fale dos meus cheques Nate, porque você está quebrado. Agora terá o seu primeiro milhão. Só queria um agradecimento, talvez um obrigado e até uma dança… Dance para mim Nate, mas não me olhe nos olhos enquanto dança. Eu vou brincar com ele. Nate é muito previsível. Essa semana parece uma semana de sparring. Vai ser como uma sessão de sparring no sábado. Esse é um sentimento muito bonito. Por isso Nate pediu a luta no meio-médio.

Nate Diaz: Eu disse sim para a luta no peso-leve

Conor McGregor: Você disse sim para a luta no peso-leve? Dana, ele disse sim para a luta no peso-leve?

Dana não responde, mas sorri

Conor McGregor: Está aí a sua resposta!

Nate Diaz: Lutar no meio-médio foi opção minha!

Conor McGregor: Você não dá carta nenhuma, você apenas atende o telefone.

Conor McGregor: Eu cacei o Nate e o fiz de presa. Eu já enterrei três corpos em Vegas, sábado vou enterrar o quarto.

Nate Diaz: Você só nocauteou anões. Olha os caras com os quais você treina.
Conor McGregor: E você Nate, com quem você treina? Traga seus parceiros de treino, você vai precisar. Vou comer a sua carcaça na frente dos seus amigos gazelas. E você, Nate? Com quem você treina?

Nate Diaz: Eu treino com caras tops, com os melhores caras do jiu-jítsu, como Kron Gracie, Nick (Diaz), Jake Shields... A elite. Aí me vem esse cara treinando com macarrão de piscina no estacionamento e vem falar que isso é treino.
O Canal Combate transmite o UFC 196 ao vivo neste sábado, a partir das 20h10 (horário de Brasília), com transmissão das duas primeiras lutas em vídeo e tempo real do evento peloCombate.com. Na sexta-feira, canal e site transmitem a pesagem do evento, a partir das 20h45.
UFC 196
5 de março de 2016, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL - a partir de 0h (horário de Brasília)
Peso-meio-médio: Conor McGregor x Nate Diaz
Peso-galo: Holly Holm x Miesha Tate
Peso-meio-pesado: Gian Villante x Ilir Latifi
Peso-meio-pesado: Corey Anderson x Tom Lawlor
Peso-galo: Amanda Nunes x Valentina Shevchenko
CARD PRELIMINAR - a partir de 20h30 (horário de Brasília)
Peso-meio-médio: Brandon Thatch x Siyar Bahadurzada
Peso-meio-médio: Erick Silva x Nordine Taleb
Peso-médio: Vitor Miranda x Marcelo Guimarães
Peso-leve: Darren Elkins x Chas Skelly
Peso-leve: Diego Sanchez x Jim Miller
Peso-leve: Jason Saggo x Justin Salas
Peso-pena: Julian Erosa x Teruto Ishihara

Pais em tempos de crise: Cyberbullying em crianças e adolescentes

Mário Freire  da Reconquista


O cyberbullying é uma nova expressão do bullying feita virtualmente através da internet (e-mails, blogs, redes sociais), do telemóvel… Consiste em ameaçar e provocar premeditada e repetidamente a vítima. A distingui-lo do bullying, o cyberbullying pode permanecer indefinidamente no tempo, no espaço virtual, e ultrapassa as fronteiras físicas que vão do agressor à vítima. Além disso, ele já não usa a força física para agredir mas, antes, a capacidade de usar as tecnologias. Por outro lado, o agressor usa o anonimato para difundir as suas agressões e amplificá-las através das várias vias virtuais que tem à disposição.
Num estudo financiado pela União Europeia (EU Kids Online/Net Children Go Mobile) que comparou dados de 2014 e 2010, verificou-se um aumento do número de vítimas, passando dos 8% para os 12% em Portugal, semelhante à Dinamarca, Itália, Irlanda, Roménia, Bélgica e Reino Unido, ao contrário dos outros países da U.E., onde esse crescimento foi menor. Este aumento deu-se sobretudo entre as raparigas. Os conteúdos mais comuns das mensagens foram de ódio, ameaça e pró-anorexia; as de cariz sexual parecem ter diminuído.
O cyberbullying, apesar de ter sido objecto de muitos estudos, revela ainda facetas pouco conhecidas. Parece, no entanto, que alunos que sejam agressores físicos ou verbais no bullying directo, teriam mais tendência para serem, igualmente, agressores no cyberbullying. Por outro lado, alunos que foram vítimas nos dois espaços revelavam maiores dificuldades de aprendizagem, uma baixa capacidade de atenção nas aulas e grande absentismo.
Algo se pode fazer quer na escola, quer na família para reduzir estes fenómenos. Na escola, a existência de regras bem definidas e aceites, onde se viva um ambiente de tranquilidade e onde estes problemas sejam discutidos, poderia reduzir o número de ocorrências deste tipo. Na família, o aceder à internet em espaço aberto, a informação sobre os perigos que dela podem advir e uma vigilância discreta dos pais, contribuiriam, igualmente, para defender os filhos dos riscos que o mundo virtual hoje coloca.

Legislação atual já pune cyberbullying e cyberstalking, diz advogada à CPI

Especialista alerta, porém, que número de denúncias de cyberbullying aumentou mais de 500% entre 2012 e 2014. Para lidar com o problema, deputados da CPI defenderam educação digital nas escolas




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Legislação atual já pune cyberbullying e cyberstalking, diz advogada à CPI
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A advogada especialista em direito digital Gisele Truzzi afirmou nesta quinta-feira (3) que já são tão tipificados no Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40) os crimes de cyberbullying (intimidação sistemática praticada via internet) e de cyberstalking (perseguição praticada pela rede), não sendo necessárias mudanças na legislação para puni-los.
Em audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Crimes Cibernéticos, Gisele ressaltou, porém, que estatísticas da organização não governamental Safernet mostram que o bullying na rede só aumenta. Entre 2012 e 2014, o número de denúncias de cyberbullying à organização aumentou mais de 500%. Para lidar com o problema, deputados da CPI defenderam iniciativas para melhorar a educação digital dos jovens.
Crimes contra a honra
Conforme a advogada, o cyberbullying nada mais é do que um crime contra a honra praticado em meio virtual. Segundo o Código Penal, esse crime pode ser de três tipos: calúnia, injúria ou difamação. “O Código Penal já define inclusive aumento de pena para quando o crime for praticado na presença de várias pessoas, por meio que facilite a divulgação”, explicou Gisele.
De acordo com a especialista, o cyberstalking, por sua vez, é o crime de ameaça, também já definido no Código Penal. Além disso, o cyberstalking também seria uma contravenção penal – a perturbação da tranquilidade, já prevista na Lei das Contravenções Penais (Decreto-lei 3.688/41). Ela observou, entretanto, que no caso de os crimes serem praticados por menores de 18 anos, a prática será caracterizada como ato infracional, punível com medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei 8.069/90).
As crianças e os adolescentes que praticam essas contravenções também devem ser inseridas em programa escolar de combate ao bullying, conforme já prevê a Lei de Combate ao Bullying (Lei 13.185/15). Gisele ressaltou que esta lei entrou em vigor em fevereiro e ainda precisa de regulamentação. “Vamos ver o reflexo dessa nova lei nos próximos meses”, disse.
A advogada também ressaltou que a maioria das vítimas de cyberstalking é do sexo feminino, e a maioria dos perseguidores é do sexo masculino, a maior parte deles conhecidos das vítimas.

Educação escolar
Para mudar essa realidade, o deputado JHC (PSB-AL), que pediu a audiência, ressaltou a necessidade de incluir a educação digital nas escolas, conforme prevê projeto de lei de sua autoria (PL 2801/15). O deputado Rafael Motta (PSB-RN), subrelator da CPI, informou que incluirá em seu relatório um plano nacional de educação digital.
“Os próprios educadores têm dificuldade com as plataformas”, observou o deputado Sandro Alex (PPS-PR), também subrelator da CPI. Segundo ele, a comissão poderá deixar como legado sugestões ao Ministério da Educação relativas ao tema.
Para a psicóloga Maria Tereza Maldonado, que também participou da audiência, é preciso alertar especialmente crianças e adolescentes sobre os riscos que a internet apresenta e sobre as possibilidades de autoproteção. Segundo ela, mesmo quando acontece fora da escola, o bulllying repercute dentro dela, e a escola deve ser envolvida tanto para a reparação dos danos, como para a prevenção e o monitoramento. Ela destacou ainda que discurso de ódio não pode ser considerado liberdade de expressão.
O que fazer
No caso de uma pessoa estar sendo vítima de cyberbullying e cyberstalking, a advogada Gisele Truzzi orienta a vítima a fazer um boletim de ocorrência em delegacia, com a indicação do suspeito, se houver. "Jamais apague o conteúdo. Armazene o conteúdo, tire prints do material, com data e horário, e guarde isso tudo. Materialize a prova, isso será essencial", acrescentou.
Também poderá ser necessário, de acordo com ela, entrar com ação judicial contra o provedor do serviço, como a operadora de telefonia, para que ela possa rastrear dados do responsável pelo conteúdo enviado.
Conforme a especialista, descoberto o suspeito, caberá ação judicial na esfera cível, com indenização, e ação judicial na esfera criminal, para punição do agressor. “Existe também a possibilidade de exclusão do conteúdo, por meio de notificação extrajudicial aos sites que hospedam o conteúdo ofensivo”, explicou.

Dulce María responde Christopher Uckermann sobre Vondy: “foi só uma novela”

 Por: Leonardo Torres | RBD, Yeah! Notícias

Christopher von Uckermann reclamou dos fãs que enchem o saco shippando Vondy (ele + Dulce María) até hoje, e a cantora respondeu o comentário dele, em acordo. A mexicana, que está gravando uma novela e divulgando um single novo, fez questão de se posicionar, em meio à sua agenda atribulada. “De verdade, é uma tristeza e uma decepção que usem [Vondy] para insultar e machucar. Sabem que isso foi só uma novela. Parem, por favor”, escreveu.
dulce christopher vondy
Vondy é o nome que os fãs do RBD deram ao casal formado por Dulce e Christopher, inspirado em seus personagens Roberta e Diego na novela “Rebelde”. Os dois nunca oficializaram namoro fora da trama, mas incentivavam as fantasias dos fãs com beijos nos shows, fóruns especiais para esse tema e com a série “RBD: La Família”. Depois que o grupo se desfez, no entanto, não quiseram mais saber dessa shippada (ou trauma, como os fãs diziam há dez anos: quem shippava eram “as traumadas”).
O fato é que Christopher namora há anos a atriz e apresentadora Natalia Tellez, e ela é massacrada nas redes sociais por fãs que não querem vê-la ao lado do ídolo. Por isso, ele pediu no Twitter que o público pare com o bullying e respeitem as pessoas. Depois, enviou uma mensagem para Dulce, dizendo: “Vamos parar de alimentar essa questão de Vondys, assim como eu faço com os que me seguem. Não apoio o bullying. Obrigado”. Os fãs não gostaram.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Pediatras americanos denunciam bullying envolvendo alergia alimentar


Catherine Saint Louis
New York Times

  • Mês sim, mês não, uma criança conta ter sido forçada a comer um alimento alergênico
    Mês sim, mês não, uma criança conta ter sido forçada a comer um alimento alergênico
Qualquer diferença serve para separar alunos dos colegas e transformá-los em alvos potenciais de bullying. Porém, alergia severa à comida é uma vulnerabilidade singular. Basta um almoço ou festa de aniversário para as outras crianças saberem quais colegas não podem comer nozes, ovos, leite ou uma quantidade mínima de trigo. Pode demorar até eles compreenderem como é assustador viver com uma alergia que pode ser letal.
De forma surpreendente, os colegas podem se aproveitar dessa vulnerabilidade, tramando trocar o lanche para ver se, por exemplo, a criança fica enjoada ou cuspir leite em seu rosto para provocar uma rápida reação anafilática.
Segundo pesquisa recente com 251 conjuntos de pais e filhos com alergias a alimentos, publicada na revista "Pediatrics" no mês de janeiro, praticamente um terço das crianças relatou ter sofrido bullying por causa das alergias. Os pais somente sabiam do comportamento ameaçador em metade das vezes.
O médico Robert Wood, diretor de alergia pediátrica do Centro Infantil Johns Hopkins, em Baltimore, escuta relatos muito frequentes de intimidação dos pacientes e dos pais. "Na semana passada, uma criança teve o rosto lambuzado com creme de amendoim, colocando-a em risco. Geralmente, o bullying não é tão radical, mas o fenômeno sempre existe."
Agora, no entanto, a questão está começando a chamar a atenção. Em maio, o Food Allergy Research and Education, grupo sem fins lucrativos de McLean, Virgínia, divulgou um comunicado de serviço público destacando o tema com um estudante lamentando o fato de a cantina da escola ser um "lugar assustador". O vídeo teve mais de 17 mil visualizações no YouTube, tendo sido exibido na rede de televisão CW, levando dezenas de pais a contar episódios inquietantes na página do grupo no Facebook.
"O bullying nunca deveria ser visto como um rito de passagem", afirmou John Lehr, diretor-presidente do grupo. "Nunca é uma piada, mas a intimidação via alergia alimentar nunca é piada porque alguém pode terminar no pronto-socorro."
O Centro Médico Infantil Nacional, de Washington, acabou de contratar um psicólogo para participar do programa de alergia alimentar, em parte para ajudar os pacientes jovens que se sentem isolados ou estão sofrendo intimidação. De acordo com o médico Hemant P. Sharma, diretor do programa, um terço dos pacientes já relatou casos de bullying.

Mês sim, mês não, uma criança conta ter sido forçada a comer um alimento alergênico. "Ainda que seja apenas uma criança que se sinta isolada por causa da alergia alimentar, o fato contribui para o fardo emocional."
Na verdade, algumas crianças com alergia alimentar ficam aflitas ou ansiosas. Wood costuma mandar a criança falar com um psicólogo "porque não tocam em maçaneta nem usam o banheiro por temerem uma exposição inadvertida ao alimento alergênico".
O Instituto Jaffe de Alergia Alimentar, do Centro Médico Mount Sinai, Manhattan, não apenas oferece orientação psicológica às crianças e aos pais depois do episódio de bullying como também convoca os diretores em nome do paciente.
Nem sempre as vítimas da intimidação alertam os pais. Porém, Miles Monroe, de 8 anos, de Bethesda, Maryland, que é alérgico a leite, ovos e trigo, contou aos seus pais que não se sentia à vontade na cantina depois que um colega segurou uma embalagem do chocolate Kit Kat perto do rosto e ficou cantando "você não pode comer isto".
Miles não ficou "com medo de ficar doente por causa disso, mas se sentiu agredido", contou Courteney Monroe, 44 anos, sua mãe e diretora de marketing do canal National Geographic. A compreensiva professora de Miles arrancou o mal pela raiz ao falar para o agressor que seria como se ele não pudesse comer o alimento preferido, fosse provocado com ele ou terminasse no hospital se o ingerisse (até então, esse resultado era inconcebível).
Nem todo professor se mostra tão preocupado. "A intimidação relacionada à alergia alimentar nem sempre vem dos colegas, mas de adultos, como os professores", afirmou Elisabeth Stieb, enfermeira do Centro de Alergia Infantil do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston.
Pelo menos 15 estados americanos têm diretrizes para a administração da alergia alimentar nas escolas, e muitos cuidam de forma específica do bullying. As normas do Texas pedem "tolerância zero à intimidação ligada à alergia alimentar". Já as do Arizona sugerem que os responsáveis sejam treinados a "intervir rapidamente para ajudar a impedir a troca de alimentos ou bullying" na cantina.
"Bullying e provocação comum não são a mesma coisa. O que os distingue não é apenas a força diferencial entre as crianças, mas alguém propositalmente tentando prejudicar outro", afirmou Rashmi Shetgiri, pediatra e pesquisadora do Centro Médico Southwestern da Universidade do Texas.
Da mesma forma que os agressores cibernéticos usam equipamentos eletrônicos para machucar, os intimidadores da alergia alimentar "reafirmam a força utilizando o alimento alergênico", finalizou Shetgiri.

Alteração de saúde ou de humor pode indicar que a criança sofre bullying

Catarina Arimatéia
Do UOL, em São Paulo


  • Para descobrir o que acontece com a criança, não a pressione nem a exponha diante dos amigos
    Para descobrir o que acontece com a criança, não a pressione nem a exponha diante dos amigos
De repente, o filho que sempre foi bem no colégio começa a apresentar queda no rendimento escolar e mudança de humor. Ou então passa a ter dores de cabeça inexplicáveis, diarreia, suor excessivo e náusea, coincidentemente no momento de ir à escola.
Indícios de algum problema físico? Até pode ser, mas não descarte a possibilidade de a criança estar sendo vítima de bullying (agressão, intencional e repetida, sem motivo aparente, em que se faz uso do poder ou força para intimidar ou perseguir alguém, segundo o dicionário).

"Quando a criança muda de comportamento, algo está acontecendo. Por exemplo, é calma e começa a agredir os colegas. Ou costuma bater em todo mundo e, inesperadamente, fica amuada. São atitudes que podem significar muita coisa, como problemas físicos ou em casa, mas também podem ser sinais de bullying", diz Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, e autora, em conjunto com Anna Flora, do livro infantil "Gato Xadrez - Vamos Brincar Outra Vez" (Editora Suplegraf), em que aborda o problema.
A lista de sinais de que o bullying pode estar angustiando a criança ou o adolescente é longa. Fora as mudanças de humor ou sintomas psicossomáticos –que podem incluir dores de estômago e tremores–, ainda podem existir dificuldades nas relações sociais e transtornos do sono ou alimentares, como afirma a educadora Cléo Fante, pesquisadora do tema e autora do livro "Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz" (Verus Editora), entre outras publicações sobre o assunto.
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Você é capaz de perceber se seu filho está sofrendo bullying na escola?

A criança ou o jovem vítima de bullying dá sinais físicos e comportamentais. Faça o teste a seguir e descubra se você é capaz de identificar se seu filho está passando pelo problema | Consultoria: Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da PUC de São Paulo; Cléo Fante, educadora, e Regiane Machado, psicóloga

Diálogo e compreensão

Uma das maiores dificuldades é fazer o filho contar o que está acontecendo. "Geralmente, a criança se mantém em silêncio por vergonha de se expor ou por se achar impotente diante do problema. Há  também o medo de represálias ou de ser incompreendida pelos adultos. Por isso, é preciso promover um ambiente familiar acolhedor, com diálogo, compreensão e afeto. Um ambiente tenso, agressivo e inquiridor fará com que a criança se feche em seus problemas", diz Cléo Fante.
Para Neide Noffs, uma boa maneira de fazer com que o filho se abra é partir para uma abordagem lúdica. "A brincadeira é um espaço muito importante para os pais identificarem o que está acontecendo com o filho", declara, já que, ao brincar, a criança costuma expressar seus sentimentos, suas angústias e suas dúvidas.
Nessa hora, os pais devem dirigir a conversa sutilmente para os assuntos que queiram abordar. Do tipo: por que a boneca está levando bronca? Por que os carrinhos estão sendo quebrados ou destruídos? Mas isso deve ser feito calmamente e com delicadeza, para que a criança não se assuste ou se feche.

Reforçando a autoestima

Importante também é saber o que não deve ser feito: os pais jamais devem ficar bravos com o filho porque ele não quer contar o que está acontecendo, tampouco devem ameaçá-lo ou expor a criança diante dos irmãos ou dos amigos. Esse é o momento de reforçar a autoconfiança e a autoestima da criança.
"É preciso apontar todas as qualidades do filho e valorizá-las", fala a psicóloga Regiane Machado. "E é imprescindível que os pais mantenham a calma, não incentivando o revide nem responsabilizando a criança pelo que está acontecendo. Devem encorajá-la a não aceitar qualquer forma de agressão e a buscar ajuda da família e da escola", afirma a educadora Cléo Fante.
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Febre, quedas, dor de barriga: saiba agir diante de dez problemas infantis11 fotos

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Nem sempre que as crianças reclamam de dor ou sofrem algum mal-estar, como febre e diarreia, é necessário ir ao hospital ou consultório do pediatra. Os especialistas recomendam que os pais busquem investigar a origem do quadro, observem a evolução dos sintomas e tomem medidas simples, porém eficazes, para ajudar os filhos melhorarem | Consultoria: Camila Richieri Gomes, professora de pediatria da Faculdade de Medicina do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo; Maria Zilda Aquino, pediatra do Hospital Sírio-Libanês, também na capital paulista, e Evandro Roberto Baldacci, professor do Departamento de Pediatria da USP | Por Maria Laura Albuquerque | Do UOL, em São Paulo Getty Images
Bullying identificado, o próximo passo é entrar em contato com o colégio. "De imediato, os pais devem comunicar o fato à escola, que deve encontrar alternativas pedagógicas para cessar os ataques e tratar o problema com os estudantes envolvidos, seus familiares e os profissionais do colégio", diz Fante.
Também é preciso observar cuidadosamente o comportamento dos filhos e, caso seja necessário, recorrer a psicólogos ou pediatras.

Troca de escola

A mudança de colégio nem sempre é indicada. "Tirar imediatamente a criança da escola pode acentuar sua fraqueza diante do problema", afirma Neide Noffs, da PUC de São Paulo. 
Já para a psicóloga Regiane Machado, dependendo das consequências geradas, a mudança de escola pode ser considerada.  "Se possível, é importante a criança aprender a enfrentar esse tipo de situação e superar", diz ela. Mesmo porque, de acordo com a pesquisadora Cléo Fante, para muitas crianças, a mudança significa transferir o problema e, às vezes, agravá-lo. "Se o estudante não consegue se posicionar em sua defesa e fazer cessar os ataques, dificilmente, sem ajuda profissional, o fará em outro estabelecimento", diz.
No entanto, ela fala que, em alguns casos, para garantir a integridade física e psicológica da criança, a mudança de escola é recomendável.

Em casos de bullying, agressor precisa de tanta atenção quanto a vítima


Beatriz Vichessi
Colaboração para o UOL, em São Paulo

É comum que educadores e pais se mobilizem para acolher e escutar crianças e adolescentes que sofrem bullying. E não há nada de errado nisso. No entanto, o responsável pelas agressões também precisa de atenção.

"Quem agride ou oprime um colega a ponto de constranger ou machucá-lo repetidas vezes expressa muita fragilidade emocional e alto nível de sofrimento psíquico", diz Karyn Bulbarelli, diretora educacional da Escola Lourenço Castanho, de São Paulo. Segundo Cátia Alves, coordenadora pedagógica do Colégio Graphein, também na capital paulista, o agressor, geralmente, sofre de baixa autoestima.
Somente punir o responsável pelo problema não ajuda a acabar com a situação. É preciso investir na educação de todos, para evitar que as relações inadequadas se formem ou se prolonguem.
Educadores têm se mobilizado para fazer campanhas a respeito e, desde fevereiro, está em vigor a lei que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemáticaem todo o território nacional.
O objetivo principal do programa é prevenir e combater a prática de bullying no Brasil. Uma das ações possíveis é fazer um trabalho minucioso e profundo de compreensão para reverter a situação, o que inclui conversas claras com os envolvidos, além de trabalhos com os alunos que estão ao redor.

Acolha o agressor

Para acolher a criança ou adolescente que faz bullying, antes de mais nada, é essencial não pré-julgá-lo e permitir que ele expresse seus sentimentos. Muitas vezes, a fala do agressor é surpreendente e revela problemas em casa, medos e vergonhas. Para se defender e tentar revidar o que o agride, ele ataca os colegas.
É evidente que, ao ser chamado para conversar com um adulto, ele tende a não se abrir de imediato. Por isso, é fundamental validar os sentimentos dele --mas não as ações, claro--, para que ele se sinta acolhido e seguro.
"Não podemos calar, isolar e marginalizar quem comete bullying. Precisamos fazer com que ele se envolva com o grupo de forma positiva, ajudá-lo a se colocar no lugar do outro e a se sensibilizar", fala Edith Rubinstein, psicopedagoga e mestre em psicologia e diretora do Centro de Estudos Seminários de Psicopedagogia, de São Paulo.
Uma estratégia eficiente --cada vez mais comum em escolas-- são as reuniões com alunos em que um educador atua como mediador. São baseadas na ideia de círculos restaurativos --abordagem colaborativa e pacificadora para resolução de conflitos empregada em diversas situações (familiar, escolar, profissional etc.).
Cátia explica que quando, além do agressor e da vítima, a conversa envolve outros colegas de turma, colocações pertinentes são feitas. De acordo com ela, pelo fato de estarem fora do problema, distantes da tensão emocional, é mais fácil para eles ajudarem.
No mais, ao envolver os indivíduos ao redor na resolução do problema, muito pode ser investigado, já que o problema nem sempre está restrito a quem comete bullying e a vítima. "O agressor pode ser porta-voz de um grupo, que assiste de forma silenciosa à situação", afirma Cátia

Mau casamento pode (mesmo) dar-lhe cabo da cabeça


Estudo comprovou que o stress sofrido por alguém num relacionamento com uma pessoa arrogante pode mesmo ‘queimar’ os neurónios.


POR VÂNIA MARINHO COM ELSA PEREIRA

Um grupo de investigadores da Ohio State University, nos Estados Unidos, comprovou que ter um parceiro (ou um chefe) arrogante pode mesmo dar-lhe cado da cabeça – mais especificamente, da memória.
De acordo com as experiências que fizeram em ratos, repetidamente expostos as intrusos grandes e ofensivos (para imitar as relações de ‘bullying’ entre humanos), o stress sofrido por alguém ‘nas mãos’ de um parceiro ou patrão arrogante inflama os neurónios e arruína a memória.
Isto porque quando eram postos frente a frente com um rato alfa deixavam de ser capazes de se lembrar como passar um labirinto (sendo que haviam provado anteriormente ser capazes de decorar o caminho) e sofriam alterações no cérebro.
As conclusões deste estudo, publicado no The Journal of Neuroscience, poderão ser úteis para levar ao tratamento de vítimas de ‘bullying’ e de violência psicológica. 

terça-feira, 1 de março de 2016

O suicídio como tema de reportagens


Por Aline Imercio para o Observatório da Imprensa

A divulgação do “Mapa da Violência – Os jovens do Brasil” trouxe um dado um tanto quanto alarmante: a taxa de suicídio de jovens em São Paulo aumentou 42% entre os anos de 2002 e 2012. Esse dado chocou muitas pessoas, mas para alguns especialistas não deveria chocar. Afinal, o suicídio é um problema sério no Brasil e em outros países pelo mundo onde pouco é discutido e quase nunca pautado pela imprensa.
Nas escolas de Jornalismo e nas cartas de princípios editoriais aprendemos: “Evite falar sobre suicídio em jornais, a não ser que a pessoa tenha muito destaque em nosso meio. O melhor que se tem a fazer é calar sobre essa notícia, pois, ela pode influenciar a mente de quem assiste ou lê.” O assunto suicídio é tabu no jornalismo. Na maioria das vezes não se pode falar e muitos até evitam fazer reportagens que alertem sobre a prevenção dos casos.
Em uma das edições do seu Conexão Repórter, Roberto Cabrini falou sobre suicídio e questionou o silêncio da imprensa sobre o assunto: “Já que não falamos e eles ainda acontecem, não seria porque a sociedade não sabe perceber a tendência à morte provocada de seus familiares?”
Falar de um problema pode não incitar a cometê-lo. Com o incêndio na boate Kiss, ocorrido em 2012, muitas boates pelo Brasil decidiram estar de acordo com a lei de prevenção de acidentes e os adolescentes prestaram mais atenção na segurança dos locais que estavam frequentando. E tudo isso aconteceu porque o acidente foi trabalhado pela imprensa, foi pauta em inúmeros veículos e trouxe a problemática das consequências que um local sem segurança pode trazer aos seus frequentadores.
Quantas pautas estamos perdendo?
As pautas em torno do suicídio devem problematizá-lo e mostrar às famílias o quanto este pode ser um problema, na maioria das vezes evitável. Uma das causas do suicídio entre jovens é obullying sofrido no colégio ou entre amigos, bullying esse muitas vezes desconhecido pelos pais. Não seria então o caso de a imprensa enfatizar mais esse problema? Provocar discussões, textos problematizadores que façam os pais entenderem a relação de seus filhos com os colegas da escola? Talvez com esse estímulo e a orientação correta a pais e a educadores essa situação pudesse ser evitada, ou ao menos amenizada.
Muitos psicólogos e especialistas no assunto orientam também que uma pessoa propensa a praticar o suicídio pode dar sinais de que realmente possa fazê-lo. O afastamento dos mais queridos, a instabilidade emocional, a entrega a vícios, ou mesmo a falta de motivação para tudo que se faz são apenas alguns dos sintomas de quem pode estar pensando em tirar a vida. Será que mostrar esses sintomas, discutir em programas de TV, em jornais, em websites os perigos que eles podem representar não faria com que um ente querido possa ao menos tentar ajudar essa pessoa? Talvez sim.
Pautar esse assunto é também pensar em políticas públicas para o controle do suicídio e fazer a medicina também evoluir nesse sentido. O jornalismo tem o poder de trazer à tona problemas da sociedade, causar a discussão acerca do assunto e até formar a opinião pública sobre determinado tema. Falar do suicídio não deve ser mais um tabu, principalmente em uma era que podemos buscar a informação, em qualquer lugar, de qualquer maneira. Então, por que não trazer o assunto à tona de uma maneira correta, apurada e que possa ajudar muitas famílias a evitarem esse tipo de tristeza? Quantas pautas estamos perdendo sobre este assunto e quantas famílias deixamos de ajudar com esse tipo de orientação? É um debate que vale ser colocado à tona.
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Aline Imercio é jornalista