terça-feira, 12 de janeiro de 2016

CADIn promove seminário sobre neurodesenvolvimento no Algarve

O CADIn - Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil, o primeiro centro em Portugal dedicado ao tratamento e estudo das perturbações do neurodesenvolvimento, vai promover no Algarve, nos dias 19 e 20 de fevereiro, um seminário sobre a área. 

Dirigido a pais, professores e profissionais de saúde, o evento abordará temas basilares em matéria de intervenção e inclui ainda um conjunto de workshops subordinados a temas cada vez mais prementes, como perturbações do sono, bullying e cyberbullying. 

A Universidade do Algarve vai ser o palco do seminário «Neurodesenvolvimento: Antes, durante e depois da Escola, Dentro e fora da Sala de Aula». 

Ao longo de dois dias, especialistas nas áreas da psicologia, psiquiatria e terapia da fala, neuropediatria, psicomotricidade, pedopsiquiatria, educação especial e reabilitação do CADIn farão uma ampla reflexão sobre o diagnóstico de perturbações do neurodesenvolvimento que surgem no ambiente familiar e nas escolas, a sua vigilância e as melhores práticas ao nível da intervenção. 

No painel de oradores, constam ainda o neurologista pediátrico e diretor clínico do CADIn, Pedro Cabral, bem como o psiquiatra e diretor científico do CADIn, Bernardo Barahona Corrêa. 

O dia 19 de fevereiro será marcado por quatro workshops temáticos dedicados às perturbações do sono, bullying e cyberbullying, intervenção em contexto escolar e legislação de educação especial, a realizar na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. 

Já os temas «A Criança que não fala», «A Criança que não aprende, que não segue regras» e «O Depois da Escolaridade Obrigatória» estarão em debate no dia 20, no anfiteatro Teresa Júdice Gamito.


.diariOnline RS

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Escolas da rede usam o teatro para combater o bullying


Educação leva para as unidades kits para diminuir conflitos entre os alunos



Alunos das escolas E.E. Professor Eurico Figueiredo e E.E. Professora Odila Bento Mirarchi começaram a usar o teatro como uma forma de combater o bullying. Há três anos, os estudantes receberam o kit Sou do Paz, do Insituto Sou da Paz, e desde então as ocorrências na diretoria e brigas entre os alunos vem diminuindo.
 “Nós recebemos esse kit para trabalhar com os alunos em situações de violência, de bullying que ocorrem no dia a dia escolar. Foi nos apresentada uma série de atividades desta cartilha para desenvolver na mediação junto aos professores da escola. Em seguida, passamos para o grêmio estudantil e assim começamos a trabalhar com os alunos”, diz a professora mediadora da E.E. Professora Odila Bento Mirarchi, Stefânia Patrícia Louro Côrrea.
As atividades com o kit são realizadas pelos professores mediadores em reuniões semanais. Os temas são desenvolvidos em um bate papo com os próprios alunos.
“Em nossa escola, os alunos se reúnem toda semana comigo e vemos qual o tema que vamos abordar no teatro. Eles definem os assuntos, pois são eles quem fazem os atores e atrizes do teatro e dão a voz para o debate em sala de aula”, diz a professora mediadora da E.E. Professor Eurico Figueiredo, Elizabeth Christina de Souza Ramos.
Os estudantes aprovaram o projeto e passaram a enxergar a diminuição da brincadeira de mau gosto. “Achei a ideia muito incrível, porque aqui tinha muito bullying com várias pessoas. O teatro foi uma forma de ensinar que essa prática é uma coisa chata que as pessoas sentem e não enxergam muitas vezes o que o outro está sentindo, acrescenta a aluna da E.E. Professor Eurico Figueiredo, Beatriz Nobre da Silva.
Outros alunos confessam que desde o início das atividades, mudou o comportamento até mesmo em sala de aula. “Eu parei de praticar o bullying porque percebi com o teatro que muitos alunos estavam faltando nas aulas. Comecei a respeitar mais os professores, os colegas, os alunos com deficiência. Hoje sou outra pessoa”, relata a aluna da E.E. Professor Eurico Figueiredo, Karoline Novaes Santos.
Outras atividades são feitas em conjunto com o kit Sou da Paz como exibição de vídeos e bate papo com psicólogos. “A professora nos levou para assistir filmes sobre o que era bullying, e que muitas crianças tiravam a vida por causa de brincadeiras como esta.  Uma psicóloga, que também é professora, conversou com a gente e explicou que sofria e relatou como se sentia. Depois disso, muitos alunos da minha sala pararam com esse tipo de atitude”, revela a aluna da E.E. Professora Odila Bento Mirarchi, Gabriela Barbosa Vieira.
Professor Mediador
Neste início de 2015, são 2,7 mil profissionais em atividade, número 133% maior do que o registrado em 2010, quando o projeto começou. As capacitações e treinamentos são oferecidos ao longo do ano e novos profissionais são incluídos ao grupo destes docentes.
Diálogo com o Teatro
Criado em 2011 pelo Instituto Sou da Paz, o projeto Diálogo com o Teatro está inserido dentro da metodologia do Sistema de Proteção Escolar, que visa à prevenção da violência no ambiente escolar. A iniciativa tem como objetivo capacitar professores e gestores para realizar uma intervenção nas escolas na qual atuam usando o teatro como ferramenta para a criação de um espaço de diálogo e prevenção à violência.

Jovem muda hábitos alimentares, elimina 33kg e dá adeus a bullying

Leandro Brambila, 21 anos, chegou a pesar 103kg na adolescência e hoje tem vida nova com seus 70kg


Por Santo Anastácio, SP

Leandro Brambila (Foto: Leandro Brambila / Arquivo pessoal)Na adolescência, Leandro chegou a pesar 103kg (Foto: Leandro Brambila / Arquivo pessoal)
O final do ensino médio foi fundamental na vida do jovem Leandro Brambila, de 21 anos. Até os seus 17, ele seguia uma rotina sedentária que, aliada à alimentação calórica, fez com que ele chegasse aos 103kg. Mas ao se olhar no espelho no último ano do colegial, o morador de Santo Anastácio não gostou do que viu e ficou incomodado com sua aparência. Nessa mesma época, ele fazia acompanhamento com um endocrinologista, o que o ajudou a entrar de cabeça em uma dieta e, consequentemente, nas atividades físicas, que nunca fizeram parte de seu dia a dia. O resultado foi um adeus a 33kg em um ano e oito meses.
A transformação de Leandro começou primeiro com sua alimentação, onde ele passou a excluir de seu cardápio tudo que não fazia bem. Entre os cortes, até os amigos entraram “na dança”. Na sequência, foi a vez dos exercícios fazerem parte da semana do jovem.
- O processo iniciou logo no fim do colegial, quando resolvi me olhar diferente no espelho. Comecei a perceber que não estava me sentindo bem com minha aparência física. Foi aí que resolvi me vigiar em minhas refeições. Comecei retirando refrigerantes, doces, barzinhos entre amigos de fim de semana, esquecendo até mesmo dos lanches de domingo, que iniciavam uma semana muito calórica. Depois de dar esse enorme passo na alimentação, era extremamente necessário atividades físicas. Nunca pratiquei exercícios e nenhum esporte. Então, comecei com esteira, caminhando até criar um pouco de resistência. Depois, comecei a correr e intercalar com bicicleta.
Atualmente com 70kg, o anastaciano relembra que não foi fácil chegar ao objetivo desejado, pois de acordo com ele, os maus costumes eram muito fortes. No entanto, sua força de vontade em emagrecer foi maior e ele conseguiu driblar as dificuldades. Além disso, mesmo quando estava acima do peso, o jovem não tinha nenhum problema de saúde e isso fez com que Leandro visse que os quilos a mais eram causados apenas por sua rotina desregrada.
Jovem elimina 33kg, dá adeus a bullying  (Foto: Leandro Brambila / Arquivo pessoal)Leandro diz que mudança na aparência foi a menor de todas (Foto: Arquivo pessoal)
- Com 17 anos comecei a ir ao endocrinologista para fazer o acompanhamento da idade óssea, situação hormonal e descobrir se havia algo de errado com a glândula tireoide, que poderia causar o aumento de peso, porém não havia nada de errado.
- A principal dificuldade no começo foi a da “mente gorda”. Temos que nos reeducar começando com a cabeça. Minha rotina era escola e depois computador durante toda a tarde. Antes da dieta, comia de tudo e sempre com um refrigerante bem gelado de acompanhamento. Quando iniciei a dieta, saia com os amigos normalmente, porém, optava por suco natural sem açúcar e uma salada com algum grelhado de acompanhamento. Claro que no começo não é fácil, mas é tudo questão de força de vontade e de objetivo.
A mudança na mente de Leandro foi fundamental para vencer a balança. Hoje, para permanecer com o peso adquirido, o estudante mantém a dieta e as atividades físicas, sendo que, agora, a intensidade é maior. 
- Minha dieta não é tão rígida quanto foi no começo, mas estou sempre de olho e com uma balança sempre por perto. Porem, é bem mais fácil você manter do que o processo de perder peso. Continuo me alimentando bem, comendo frutas, folhas e bebendo bastante líquido. Hoje, pratico exercícios diariamente, não só aeróbicos, mas também exercícios de hipertrofia e ganho muscular. Estou feliz dessa forma. Mas é claro, devemos procurar melhorar sempre.
Hoje, Leandro colhe os frutos de uma de suas melhores decisões, que foi a de ter não só a aparência, mas a vida transformada. Uma história que antes era carrega por vergonha e até bullying, hoje ganha elogios e serve até de inspiração.
- A mudança visual é a menos importante quando se passa por todo esse processo. O mais importante é a conquista., ver como foi difícil alcançar o seu objetivo. Além disso, a mudança na autoestima também é maravilhosa.

Para docente da USP, ética é o melhor jeito de barrar bullying

Bruna Souza Cruz
Do UOL, em São Paulo


  • Escola tem obrigação desenvolver valores morais, diz psicólogo
    Escola tem obrigação desenvolver valores morais, diz psicólogo
Há um motivo bem pragmático para que o professor Yves de La Taille, titular do Instituto Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), defenda o ensino e a discussão de valores morais e da ética na escola. Segundo o especialista em psicologia moral, essa é uma estratégia boa para combater o famigerado bullying.
"A humilhação a que o aluno é exposto é uma forma grave de violência. E violência se combate com moral", afirma o professor. "O problema é que a moral da nossa sociedade está fraca. É uma questão de hierarquia."
Ele argumenta que a sociedade incentiva os vencedores, o sucesso, o consumo, o empreender: "na hierarquia de valores, a moral e a ética ficam em 10º lugar. É preciso que elas surjam mais fortes entre os valores do cidadão. Enquanto elas estiverem lá embaixo, o bullying vai sempre acabar acontecendo", explica.
Prática proibida, o bullying (intimidação frequente seja física ou psicológica) é um dos principais problemas de disciplina na escola. Uma dificuldade em combater essa prática é que muitos dos agressores – e até alguns pais de alunos e professores - acreditam estar apenas "brincando" com as vítimas.
Escola responsável
"É uma prática que fere a dignidade do outro. Logo, fere os princípios da instituição de ensino. A escola deve ser transparente com os alunos e professores deixando claro que humilhar ou agredir um indivíduo não é uma prática tolerável e que a humilhação é uma forma de violência", acrescenta.
Reforçar para os alunos que a intimidação é um problema incontornável já dá força para que eles enxerguem a prática como uma coisa que fere seus próprios valores morais.
No último dia 9 de novembro, a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática em todo o território nacional. O objetivo principal é prevenir e combater a prática de bullying no país, sobretudo nas escolas.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Intel e Lady Gaga juntam esforços contra o ciber-bullying

Pela CES passaram nos últimos dias centenas de novos produtos, mas nem só de gadgets se fez a feira. Também houve anúncios como este, que junta a Lady Gaga à Intel.
tek lady gaga

A fundação criada pela cantora é uma das entidades reunidas numa parceria que, além da Intel e da Born This Way Foundation, reúne a Vox Media e a Re/Code, para criar um movimento contra o cyber-bulling.
A iniciativa #hackharassment

é uma campanha colaborativa que quer fazer nascer mensagens positivas e promover uma experiência online mais segura e inclusiva.   
A ideia é chamar mais apoiantes para o projeto, entre empresas, investigadores ou membros de comunidades online e ao longo do ano promover iniciativas alinhadas com o objetivo da campanha.
Deste leque vão constar vários hackathons, onde se espera que surjam soluções tecnológicas que ajudem a promover uma experiência online mais segura e a gerar mudanças positivas, adiantam os promotores. 

Bullying retratado pela objetiva de uma centena de fotógrafos

Rádio Horizonte Algarve

Depois de ter arrancado em Munique, em 2011, e de ter percorrido a Rússia e o Brasil, o tema do Bullying dá origem a uma exposição que pode ser visitada em Vila Real de Santo António, na Biblioteca Municipal Vicente Campinas.


A iniciativa é trazida pela Peace and Art Society - PAS, associação internacional de arte sediada em Faro, e a exposição conta, neste momento, com 125 trabalhos fotográficos oriundos de países como o Reino do Bornéu, Nova Zelândia, Argentina e Cuba, entre tantos outros.

Este projeto começou em 2011 e conta a história de Alena Breitscheidel, menina de nove anos que foi vítima de abusos físicos e emocionais, numa reputada escola da cidade onde reside.

A mãe, artista plástica, após infrutíferas tentativas de acabar com o sofrimento da filha, teve a ideia de apelar à ajuda de dezenas de artistas espalhados pelo mundo, tendo assim nascido um extraordinário movimento solidário a nível global.

Este evento foi já exibido em S. Petersburgo, Rússia e em Ubá, no Brasil. O grande objetivo é alertar para a problemática que afeta crianças e jovens pelo mundo inteiro, tendo a arte e os artistas um papel pacificador, tentando ajudar, neste caso, a combater o bullying.

A exposição vai estar patente em VRSA entre os dias 6 e 31 de janeiro e será pretexto para o encontro com especialistas, nomeadamente, psicólogos, que vão levar a cabo sessões de esclarecimento sobre o fenómeno social bullying direcionadas para crianças, jovens, pais e professores.

A iniciativa levada a cabo pela Peace and Art Society-PAS, associação internacional de arte com sede em Faro, conta com apoio da câmara municipal de Vila Real de Santo António para chamar a atenção de todos para uma problemática que afeta muitas crianças e jovens e as suas famílias.

De referir, ainda, que «Alena´s Project» tem ao longo dos anos contado com a adesão de novos artistas.

Recorde-se que a associação Peace and Art Society entre Março e Abril de 2015 trouxe até à Eurocidade do Guadiana a exposição internacional de arte «Minha Fukushima».


Ademar Dias

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

24ª CRE instala Centro Regional de Gestão de Conflitos e Combate ao Bullying

Fonte: Rádio Fandango

A 24ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), de Cachoeira do Sul, terá um Centro Regional de Gestão de Conflitos e Combate ao Bullying, que funcionará no prédio da CRE. O local será uma referência para as escolas da rede estadual dos 11 municípios que fazem parte da região de abrangência da Coordenadoria. A instalação ocorrerá no próximo dia 14, durante a primeira reunião do ano com as novas equipes diretivas das escolas estaduais, às 11h30min para os 10 municípios do interior da região, e às 16h30min para os gestores das escolas de Cachoeira do Sul.

As professoras Cleonice Bankow e Veridiana Arruda atuarão no centro. Elas que também atuam no Núcleo de Apoio Pedagógico da 24ª CRE. “Tendo em vista que ainda vivemos em uma cultura de violência, o núcleo tem como proposta a construção de uma cultura de paz e não-violência”, explicou Cleonice, que coordenará o local.

Conforme ela, o centro atuará em atividades como a prevenção da violência, formação continuada de professores, mediação de conflitos, círculos de construção de paz e círculos restaurativos (espaços dialógicos para resolução não-violenta de conflitos). “O centro terá um viés pedagógico, trabalhando a partir de uma abordagem sistêmica do conflito enquanto possibilidade de aprendizagem e qualificação das relações”, definiu.

FORMAÇÃO - Cleonice explicou que um dos focos será oferecer formação para que cada escola tenha professor habilitado para a resolução de conflitos. Ela informou que, em março, iniciará a formação continuada “Construindo Redes Humanas para a Cultura de Paz”, com encontros mensais. “A ideia é trabalharmos junto com as comissões internas de prevenção a acidentes e violência escolar (Cipaves)”, enfatizou.

A coordenadora do Centro Regional de Gestão de Conflitos informou que será incentivada a criação das Cipaves nas escolas que ainda não possuem. “Vamos trabalhar mobilizando para que todas as escolas tenham suas Cipaves atuantes”, projeta Cleonice.

BULLYING

Um dos temas que ganhará mais destaque com a criação do centro da 24ª CRE será o combate ao bullying, termo que descreve a prática de atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, contra uma pessoa indefesa, que podem causar danos físicos e psicológicos às vítimas. Conforme dados estatísticos divulgados pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), a prática de bullying responde por 21% dos casos de violência nas escolas estaduais gaúchas. Só perde para a indisciplina, com 42%.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Após bullying escolar, transexual suicida-se em noite de Natal

"Uma série de pessoas riam dele a vida toda. É o flagelo do assédio perseguindo o diferente", diz mãe do garoto


por
iG São Paulo

"Meu filho não cometeu suicídio, ele foi vítima de um crime social", diz a mãe de Alan
Alan, de 17 anos, sempre se sentiu como homem. Aos 14 anos, assumiu-se como lésbica e, três anos depois, foi o primeiro menor transexual a obter a mudança legal de sexo na Catalunha.
Sua adolescência foi marcada pela discriminação. Começou a mutilar-se fisicamente, até que em dezembro de 2013 foi diagnosticado com depressão maior. Dois anos depois, Alan suicidou-se na noite de Natal.
“Meu filho não cometeu suicídio, ele foi vítima de um crime social. Uma série de pessoas riam dele a vida toda. É o flagelo do assédio perseguindo o diferente. E o meu filho era um”, disse a Ester, mãe de Alan.
Ela conta ainda que já havia conversado com a gestão escolar sobre a identidade de gênero do filho. “Pedi à gestão e aos professores que os alunos deveriam saber que Alan era um menino e que ninguém deve saber em qual gênero nasceu.”
Mas Ester culpa os colegas do filho, que na escola levantavam a camisa e perguntavam: "Como seu nome é Alan se você tem seios?"
Nas redes sociais, internautas criaram a hashtag #YoTambiénSoyAlan (Eu também sou Alan) para discutir a transfobia e o bullying escolar.

Bullying: agressão verbal e física - O ato pode ser manifestado em qualquer lugar onde existam relações interpessoais

O ato pode ser manifestado em qualquer lugar onde existam relações interpessoais
Caracterizado por atos de violência física ou verbal, o bullying pode ocorrer de forma repetitiva e intencional contra crianças ou os mais adultos. Geralmente, ocorre com mais frequência no ambiente escolar, onde causa consequências nocivas na vida de muitos indivíduos.
De acordo com a psicóloga Júlia Perez Nader, o bullying compromete o comportamento das pessoas, o que é prejudicial à sociedade. “Se uma criança está com a autoestima baixa, ela pode ter problemas, como ir mal na escola, brigar com os pais e com os irmãos ou podem se frustrar com muita facilidade”, afirma. Além de ocorrer isolamentos dentro de casa e em outros ambientes sociais.
A psicóloga frisa ainda que o bullying pode marcar a vitima durante toda a vida, porém, em alguns casos, as pessoas têm a capacidade de enfrentar a situação com resiliência. 
“Quando uma pessoa sofre bullying, sua autoestima fica ferida, portanto, a sua resiliência também é ferida. E quando não há resiliência, não há habilidade para enfrentar uma limitação,” diz.
Um dos sinais que a pessoa está sofrendo o ato é o retraimento e reclusão, como as mudanças bruscas no comportamento, agressividade, baixa autoestima, choros excessivos e medo de ir à escola.
“Estes são indícios que o individuo está precisando de ajuda ou algo está errado”, ressalta a psicóloga.
Tratamento

Tanto à pessoa que sofre com o bullying, quanto aos que o praticam, o convívio familiar é fundamental para superar os obstáculos.
Em tratamentos oferecidos, o psicólogo pode desenvolver com o paciente a psicoterapia familiar, que, segundo Júlia, consegue abordar o assunto com todos os envolvidos. “Desta forma será possível proporcionar uma reconstrução de significados, levando ao enfrentamento da situação,” comenta.
Ela diz ainda que, dependendo do caso, também pode ser indicado o atendimento individual, mesmo dentro do modelo familiar ou não.
Intervenção dos pais

Os pais precisam evitar atitudes de proteção em demasia, ou de descaso referente aos filhos. A atenção em dose certa é elementar no processo evolutivo e formativo para uma pessoa do bem.
A psicóloga comenta que existem duas situações. “Uma coisa é evitar que os filhos sejam vitimas, outra coisa é evitar que eles pratiquem o bullying”, afirma.
Ela destaca que os pais devem estar abertos a esse tipo de assunto e entender os sinais do filho quando estiver passando por este problema. E, se houver a suspeita que o filho esteja praticando o bullying, é preciso conversar com o indivíduo de maneira que ele possa entender facilmente como um ato de violência pode afetar a outras pessoas.
Documentário 

A Secretaria da Educação de Ribeirão Preto prepara documentário sobre bullying para rede municipal de ensino, com material produzido durante debate com especialistas e utilizado na formação de gestores e professores municipais.
A equipe técnica da pasta iniciou as discussões acerca do trabalho para definir a formatação do debate, que deve acontecer neste mês de janeiro.


Foto: Arquivo Revide

sábado, 2 de janeiro de 2016

Estudante que tinha pré-diabete emagrece 46 kg e recupera saúde

Mussa Bakri levou susto quando médica disse que teria que fazer cirurgia. Estudante de direito sofria bullying durante a infância por causa de peso.


Mariana LenharoDo G1, em São Paulo

O estudante de direito Mussa Bakri, de 19 anos, convivia com o sobrepeso desde a infância. Preocupados com sua saúde, os pais sempre o levaram a psicólogos, endocrinologistas e nutricionistas, mas ele não seguia as recomendações dos profissionais. 
Aos 15 anos e pesando 136 kg, Mussa foi diagnosticado com um quadro de pré-diabete e sua endocrinologista disse que, caso ele não emagrecesse, iria recomendar que ele se submetesse a uma cirurgia de redução do estômago. “Estava com pré-diabete, com colesterol altíssimo, percentual de gordura corporal muito alto, problemas na articulação... Me assustei com a situação e resolvi que tinha que fazer algo”, conta.
Mussa decidiu mudar a alimentação quando endocrinologista o alertou sobre problemas de saúde: ele passou de 163 kg para 90 kg (Foto: Mussa Bakri/Arquivo pessoal)Mussa decidiu mudar a alimentação quando endocrinologista o alertou sobre problemas de saúde: ele passou de 163 kg para 90 kg (Foto: Mussa Bakri/Arquivo pessoal)
Raio-X Mussa (Foto: G1)
Ao sair do consultório já pediu que os pais não levassem mais chocolate para casa nem servissem batata frita e outros pratos gordurosos. “Minha mãe que cozinha em casa. Ela passou a usar menos sal, menos óleo, a colocar mais salada na mesa. Hoje, meu prato tem que ser colorido. Antes, ficava só com carne e carboidrato”, diz.
Mussa, que nasceu na Palestina, veio para o Brasil com 4 anos e hoje vive em Porto Alegre (RS). Ele conta que chegou a sofrer bullying na escola por causa do peso. “Toda pessoa acima do peso ou com qualquer coisa diferente do padrão já recebe um olhar diferente, é sempre um motivo para bullying. Por estar acima do peso, não conseguia fazer atividade física e ficava mais retraído. Não gostava nem de conviver com os colegas”, conta.
Com a colaboração dos pais, o estudante conseguiu mudar a rotina e, hoje, sua alimentação cotidiana tem muitos alimentos integrais, verduras, legumes e frutas, carnes magras e cereais. O emagrecimento vem acontecendo aos poucos nos últimos anos. Hoje, ele está 46 kg mais magro: pesa 90 kg. Mas ainda quer perder mais 10 kg.
Há dois anos, Mussa tem feito musculação e exercícios aeróbicos todos os dias. “Gosto de fazer porque me sinto melhor depois, sinto liberdade, como se tivesse tirado um peso de cima de mim. Quando estou nervoso, vou para a esteira”, diz.
A mudança não passou despercebida por amigos e familiares. “Meus amigos sempre falavam sobre como eu tinha mudado. Parentes distantes ficavam surpresos quando me viam. Minha mãe sempre diz que queria ter a força de vontade que eu tenho.”
O jovem atribui o sucesso de sua empreitada de emagrecer à persistência e diz que, apesar das recaídas, é importante não desistir.
Mussa abandonou fast food e doces; hoje, refeições são balanceadas (Foto: Mussa Bakri/Arquivo pessoal)Mussa abandonou fast food e doces; hoje, refeições são balanceadas (Foto: Mussa Bakri/Arquivo pessoal)
Mãe de Mussa colaborou com a dieta passando a cozinhar com menos sal e menos gordura (Foto: Mussa Bakri/Arquivo pessoal)Mãe de Mussa colaborou com a dieta passando a cozinhar com menos sal e menos gordura (Foto: Mussa Bakri/Arquivo pessoal)
Mussa chegou a sofrer bullying de colegas da escola por causa de sobrepeso (Foto: Mussa Bakri/Arquivo pessoal)Mussa chegou a sofrer bullying de colegas da escola por causa de sobrepeso (Foto: Mussa Bakri/Arquivo pessoal)