quinta-feira, 24 de março de 2016

Mulher que sofria bullying no trabalho perde 39 kg e reencontra a chefe

A alimentação também foi fundamental para eu conseguir entrar em forma


Juliana Oliveira

Estávamos em uma loja de grife. Eu, com meus 98 quilos na época, e minha chefe, magérrima como sempre. Nós duas sabíamos que nenhum modelo caberia em mim. Mesmo assim, peguei  uma calça 36 e levei direto ao caixa. “Para quê? Ele não passa nem no seu tornozelo”, disse ela, com a voz de desprezo de quem sempre me chamou de “chupeta de baleia”.

Chegando em casa, pendurei a peça na porta do meu guarda-roupa para nunca me esquecer desse dia. Sou teimosa. Ninguém me fala o que eu posso ou não fazer. Dois anos mais tarde, entrava na audiência contra a minha chefe – a processei pelo assédio moral vivido durante quatro anos – vestindo aquela mesma calça jeans, que, por sinal, até precisou de ajustes.  Ela não foi a única a apontar o dedo para mim porque eu estava acima do peso. Meu namorado viajou para a Europa e me ligou para contar como as mulheres de lá eram lindas. “E você parece o boneco da Michelin.” Terminei o relacionamento de três anos, desliguei o telefone, tirei uma selfe – na época, não gostava de me ver nem no espelho –, olhei mais uma vez para a calça no armário e decidi que iria mudar. 

A minha vida nunca foi fácil. Passei por diversos desafos e venci a maioria deles. Quando mais jovem, sofri um acidente de moto e ouvi dos médicos que jamais andaria novamente sem muletas. Veja só: hoje tenho medalhas de corrida no currículo. Em 2008, descobri um câncer de colo do útero. Mas a doença não abateu nem meu corpo nem minha mente. Passei por ela sem fraquejar. 

Sabia que com a balança não seria diferente. Primeiro, precisei abandonar alguns hábitos que carregava desde a adolescência: sedentarismo, batatas fritas e hambúrgueres. Antes, tudo era motivo para um banquete. Se estava feliz, queria comer. Se fcava deprimida, um prato cheio me servia de consolo. Foi o que aconteceu após meu divórcio, há seis anos, quando engordei 40 quilos de uma única vez.

Só que então estava decidida a virar o jogo. Passei a praticar 12 minutos de HIIT todos os dias. Procurava vídeos na internet e copiava os exercícios em casa mesmo. Tinha vergonha de ir à academia. Desse jeito, mandei embora 18 quilos em um ano. As coisas começaram a mudar. As vendedoras das lojas não me perguntavam mais se eu estava atrás de um presente (antes, nunca encontrava a minha numeração).

A alimentação também foi fundamental para eu conseguir entrar em forma. Aderi à dieta Dukan logo de cara. Dez meses sem abrir exceção para carboidratos. Chorava de vontade por tudo, mas aí focava no jeans. No meio do processo, apresentei alguns sintomas de início de AVC, como formigamento de metade do corpo e muita dor de cabeça. Já tinha passado  por isso em 2009. Mas, dessa vez, cheguei ao hospital rapidamente e, após três dias na UTI, estava liberada para voltar a malhar. Eu disse: minha história parece novela  mexicana.

Depois de tantos obstáculos, hoje treino para participar de uma competição nacional de fsiculturismo no segundo semestre. Para isso, treino musculação seis vezes por semana. São 40 minutos e muitaaa carga (60 quilos no supino!), principalmente para membros superiores, que é a categoria em que vou disputar. Estou tão focada que, durante a madrugada, levanto duas vezes para comer. Preciso seguir, religiosamente, as oito refeições diárias a cada três horas. Na porta do meu guarda-roupa, agora, está pregado o biquíni que usarei no campeonato. 


3 dicas de Juliana para manter o foco 

1. NÃO DEIXE QUE A TRATEM COMO COITADA.
“Só você pode determinar o que vai alcançar na vida. Não se entregue ao que os outros dizem”, aconselha a pedagoga, que sempre encarou os desafios pessoais como metas a serem cumpridas. 

2. INSISTA, PERSISTA E NÃO DESISTA.
“Comemorar cada conquista – por menor que ela seja – dá mais força para seguir firme. Vale celebrar desde cada grama perdido até o pneuzinho que desapareceu.”

3. QUANDO CAIR, LEVANTE-SE.
“Se você escorregar, está tudo bem. Só não fique deitada, esperando algo acontecer. Lembre-se do seu desejo e vá em frente.”

Trabalhadores da Segurança Social de Braga acusam director de “assédio moral”


Governo abriu um inquérito à actuação de Rui Barreira, que é dirigente do CDS. O ministro Vieira da Silva já disse estar à espera que o director do centro distrital apresente a sua carta de demissão.
Rui Barreira dirige a Segurança Social de Braga desde 2011. Já tinha 
sido vice-presidente da direcção entre 2002 e 2005 
HUGO DELGADO/ARQUIVO

Processos disciplinares, mudanças forçadas de funções e locais de trabalho e um clima de “assédio moral” e “bullying profissional” fizeram parte do dia-a-dia do centro distrital da Segurança Social de Braga nos últimos quatro anos. É esta a descrição feita por um grupo de funcionários daquele serviço, que, num relatório enviado ao Governo, aponta o dedo ao director Rui Barreira. A tutela já abriu um inquérito à actuação deste dirigente, que é militante do CDS. No final do mês passado, o ministro socialista Vieira da Silva pediu a Rui Barreira que se demitisse.  

Num memorando de 30 páginas, um grupo de trabalhadores de vários serviços da Segurança Social de Braga descreve a actuação de Rui Barreira à frente daquele serviço desde que, em 2011, foi nomeado director pelo anterior executivo como “autoritária”. O dirigente – que já tinha sido “vice” entre 2002 e 2005, também durante um Governo PSD-CDS – é acusado de ter uma “prática reiterada de retaliações a quem ousasse reagir” às suas decisões.

Dizem os trabalhadores que, nos últimos quatro anos, Barreira mudou de funções ou de local de trabalho os funcionários que “ousaram reclamar ou reivindicar”. Esta é uma prerrogativa que os directores podem usar para melhorar o funcionamento dos serviços, mas que terá passado a ser usada “como instrumento de humilhação vingança básica”. Além disso, o director regional enviava aos funcionários “mensagens electrónicas de caracter intimidatório”, lê-se também no memorando.

Entre os exemplos elencados contam-se ameaçadas de procedimento disciplinar a funcionários e dirigentes que não participassem ausências ao serviço que não tenham sido autorizadas pelo director ou a obrigatoriedade de todas as entradas e saídas do serviço serem feitas pela porta das traseiras. Noutra situação, Rui Barreira terá imposto a todos os trabalhadores que participaram na iniciativa “abraço solidário” – uma homenagem feita no final de 2014 aos colegas colocados na requalificação – que picassem o ponto para registo de presença.

O clima dos últimos quatro anos foi de “profunda alienação profissional, com severos reflexos no bem-estar emocional e profissional” dos trabalhadores, lê-se no documento. Os trabalhadores dão conta de um “elevado número de baixas médicas” e um “estado geral do nível de desmotivação”. Na segunda-feira, em declarações ao Porto Canal, a dirigente distrital do Bloco de Esquerda Paula Nogueira – que tinha trabalhado na Segurança Social até ao processo de requalificação na função pública – dizia que, entre os cerca de 600 trabalhadores do centro distrital, 100 estavam em casa, entre processos disciplinares e baixas por doença, a maior parte por razões psicológicas.

O documento foi entregue ao ministro Vieira da Silva e está na base da decisão do Conselho Directivo do Instituto de Segurança Social de “abrir um processo de inquérito com base nos factos relatados”, confirmou ao PÚBLICO fonte do ministério do Trabalho e da Solidariedade. O inquérito começou no final do mês passado e ainda está a decorrer.

O PÚBLICO tentou, sem sucesso, obter uma reacção do director da Segurança Social de Braga às acusações feitas pelos trabalhadores e à decisão do Conselho Directivo do Instituto da Segurança Social.

Rui Barreira é o director da Segurança Social de quem o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, tinha dito, no Parlamento, no final do mês passado, estar “à espera da carta de demissão”, citando uma entrevista dada pelo dirigente, em 2013, à revista Sim, na qual este afirmava que a função que ocupa deve “ser exercida por alguém com a mesma orientação política” do Governo.

Dirigente do CDS, tendo liderado, até Janeiro do ano passado, a concelhia do partido em Guimarães, Barreira é ainda deputado na Assembleia Municipal pelos centristas naquele concelho. Jurista de profissão, já desempenhou outros cargos de nomeação do partido, tendo, entre 2006 e 2008, sido consultor jurídico do grupo parlamentar do CDS na Assembleia da República.

Nas últimas semanas, PCP e BE têm exigido a demissão de Rui Barreira. Numa pergunta ao ministro Vieira da Silva, os comunistas acusam-no de ter “participado em iniciativas de cariz partidário” junto de IPSS, criando condições para que seja “confundido nos seus papéis”. Em comunicado, o BE acusa o dirigente de ter uma “orientação caritativa e mercantilista”, sublinhando que Braga é um dos distritos onde os apoios sociais “mais diminuíram” nos últimos anos, tendo em muitos casos sido “entregues serviços a privados”.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Família e escola unidas em nova edição do projeto Bem Conviver

Da Redação
Agência Pará de Notícias
Para coibir a violência na escola em todas as suas vertentes - do bullying até violência contra a mulher, assaltos ou roubos, depredação do patrimônio público, homofobia, entre outros - a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) aposta numa ação integrada entre a escola e a família. A edição 2016 do projeto Bem Conviver foi lançada nesta terça-feira (22), no auditório da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa). O projeto passou por mudanças, para melhor atender as escolas.
Desde 2014 o órgão estadual desenvolve o projeto, sob responsabilidade da Coordenadoria de Ações Educativas Complementares (CAEC). A partir deste ano, segundo informou a coordenadora do Bem Conviver, Rosemary Nogueira, serão trabalhados dentro do projeto três eixos temáticos: Direitos Humanos, Educação Ambiental e Saúde.
A coordenadora explica que houve a necessidade de fazer alterações em função dos resultados obtidos nos fóruns realizados com os gestores. “Nós identificamos quais as situações mais evidentes de cada bairro. Vimos que essas temáticas estavam distribuídas nesses três eixos. No caso dos Direitos Humanos, por exemplo, trabalha a questões dos gêneros, o que resvala na questão do bullying, homofobia e violência sexual”, informa. A coordenadora diz que as famílias dos alunos, mais do que nunca, são peças importantes nesse processo.
Parcerias - Rosemary Nogueira ressaltou que a relação com os parceiros do projeto Bem Conviver foi fortalecida. Um deles é a Polícia Militar, através da Companhia Independente de Policiamento Escolar (Cipoe), que atua com policiais distribuídos em sete viaturas e três motocicletas que fazem rondas ostensivas nas escolas estaduais. O trabalho conta, ainda, com a parceria da Polícia Civil. Semanalmente, a Cipoe em conjunto com a CAEC, realiza reuniões sistemáticas com os gestores das Unidades Seduc na Escola (Uses), com o objetivo de repassar aos diretores das unidades educacionais as orientações de como agir em caso de assaltos ou outras situações que envolvam violência na escola.
O Bem Conviver integra os projetos desenvolvidos por órgãos, instituições, entidades e lideranças comunitárias no combate a violência dentro e fora da escola, com a parceria do Ministério Público Estadual e Federal, Fundação Pro Paz, Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH), Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, Fórum Paraense de Erradicação do Trabalho Infantil, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Polícia Militar.
Rose Barbosa
Secretaria de Estado de Educação

Polarização cria 'bullying político' em escolas

Meninos e meninas reproduzem nas salas de aula brutalidade e ideias cristalizadas que observam em casa.


Ingrid FagundezDa BBC Brasil em São Paulo

Menino de 8 anos foi hostilizado na escola de inglês ao usar camiseta com bandeira da Suíça (Foto: Arquivo pessoal)Menino de 8 anos foi hostilizado na escola de inglês ao usar camiseta com bandeira da Suíça (Foto: Arquivo pessoal)
Uma camiseta com a bandeira da Suíça, país conhecido por sua neutralidade, teria feito com que um menino de 9 anos fosse xingado e ameaçado em uma escola de São Paulo. O motivo? A peça era vermelha.
Segundo seu pai, João - nome fictício - (*) saía de uma aula de inglês no começo de março quando colegas da mesma idade o chamaram de "petista" e disseram que deveria "ser espancado" e "jogado na rua".
O pai do menino descreveu a história do filho em sua página no Facebook. A postagem tem mais de 4.500 compartilhamentos.

"Fiquei muito assustado em ver as crianças repetindo um discurso de ódio", disse o pai à BBC Brasil.
A polarização política, que tomou conta de ruas e casas no país, está chegando às escolas. Pais, professores e alunos ouvidos pela reportagem contaram que a política nacional tornou-se assunto nas salas de aula. Lá, meninos e meninas com opiniões ligadas à esquerda e à direita se dizem constrangidos por colegas que pensam o contrário.
"(Meus amigos) explicam que a Lava Jato é roubar dinheiro das pessoas pobres. Às vezes, no recreio, ficam falando que o Lula está roubando dinheiro de todo mundo e que a Dilma não presta, é comparsa dele. Chamam ela de trouxa, idiota", diz Luisa, de 9 anos.
Ela conta que os bate-papos acontecem na hora do lanche e que até os "preços muito caros da cantina" são colocados na conta do governo. "Falam que é culpa da Dilma, do Lula e da Lava Jato."
"De vez em quando, ela me pergunta o que é corrupção. Dou exemplos do dia a dia, não de política. Eles são muito pequenos para se envolver nisso. Hoje conversam muito na escola e chega a ter bullying", diz a vendedora Karina, mãe de Luisa.
Coordenador de ciências humanas do Pueri Domus, um dos colégios mais conhecidos da capital paulista, Ricardo Lourenço diz que os alunos do ensino fundamental estão trazendo a opinião dos pais para a classe. "O frisson veio com força nas eleições de 2014 e nas últimas semanas está ganhando novo fôlego", diz ele.
"Para nós é sempre complicado. De vez em quando, o pai fala na mesa do jantar com uma certa brutalidade, e o aluno repete. No fundamental, ele chega com uma falta de compreensão sobre o tema e posições mais cristalizadas."
'É petista, é petista'
A professora de inglês do Pueri Domus Christina, 40, diz que os alunos se sentem "excluídos e acuados" com as discussões cada vez mais frequentes sobre política.
No Facebook, Christina contou o que aconteceu com seu caçula, de oito anos, quando ele chegou na escola na quinta-feira (17), um dia depois da manifestação contra o governo na Avenida Paulista.
Segundo ela, a maioria dos colegas estava de preto, "em sinal de luto pelo país" e, quando viram Luis de uniforme, começaram a apontar para ele repetindo "é petista, é petista". O uniforme é branco e azul.
Ela e o marido são contrários ao impeachment, uma minoria entre os pais do colégio no Itam Bibi, zona nobre de São Paulo. A região teve panelaço durante a posse de Lula como ministro da Casa Civil e Luis foi um dos poucos que não foram para as janelas gritar 'Fora Dilma'.
"As crianças têm que poder ir de preto, vermelho, amarelo, sem achar que precisam se vestir assim para pertencer ao grupo", diz a professora, que também é mãe de um menino de 11 anos.
Para evitar embates, Christina tirou as roupas vermelhas "de circulação" e disse aos filhos que não usassem peças dessa cor.
Questionado sobre casos como esse, Luis Claudio Megiorin, presidente da Aspa-DF (associação de pais e alunos do DF) e coordenador da Confenapa (Confederação Nacional das Associações de Pais e Alunos), diz que é melhor prevenir do que remediar.
"Vai levar tempo para gente voltar a usar vermelho. Até para as crianças não sofrerem nenhuma retaliação e nenhum tipo de crítica: evitem usar vermelho."
Megiorin foi com a família aos protestos contra o governo e aconselhou os filhos a não usarem a cor para não serem confundidos com outros manifestantes.
"Os pais que levam os filhos para as manifestações vão incorporando um sentimento de Justiça. Outro dia mostrei para o meu filho de 10 anos o samba (sobre o) Lula e ele começou a rir porque sabia o que tinha ali", afirma.
"Já começo a ver ele e coleguinhas esboçando um 'Fora Dilma' (e outras) palavras de ordem, porque estão vendo o exemplo."
'Ideologia de esquerda'
Se parte dos pais notam uma intolerância maior contra posições à esquerda, há quem diga o contrário. Uma parcela das familias afirma que pensamentos de direita são subjugados em escolas em que haveria uma "doutrinação marxista".
Em suas provas de história, Mariana, 17, normalmente escreve recados criticando o comunismo e Karl Marx. Ela costuma discutir com o professor sobre a abordagem das aulas e se diz isolada do resto da turma por suas opiniões mais ligadas à direita.
O pai de Mariana, o analista de sistemas Roberto, 37 anos, de Brasília, se orgulha das posições da filha e diz que, por causa delas, a adolescente é excluída pelos colegas. Roberto foi com Mariana e a irmã para as manifestações antigoverno em Brasília.
"Minha irmã mais velha sente muito o isolamento, foi chamada perante o coordenador por discordar do professor. Ela gosta do Bolsonaro e se fala no nome dele na sala, é zoada."
O advogado Miguel Nagib, do movimento Escola sem Partido, diz que os ambientes acadêmicos devem ser despolitizados. Ele considera que há muitos docentes militantes, que aproveitam as aulas para disseminar visões de esquerda.
"É evidente que também existem professores de direita que abusam da sua liberdade de ensinar para fazer a cabeça dos alunos. Mas são franco-atiradores. No Brasil, quem promove a doutrinação político-ideológica (...) de forma sistemática (...) é a esquerda."
Conversa
Apesar da forte polarização política, a coordenadora do Núcleo de Psicoterapia Infantil da PUC-SP, Ana Maria Trinca, diz que é preciso deixar as paixões de lado ao explicar para os filhos o momento político.
"A função da escola e dos pais é acalmar e colocar as coisas em termos menos radicais."
A psicanalista diz que hoje a emoção transpassa toda a discussão e isso é perigoso quando as crianças usam o comportamento adulto como modelo.
"As atitudes estão muito extremadas. É fundamentalmente emoção. Quando vai às manifestações, a criança está inserida numa festa. Isso a estimula, mas ela não sabe porquê. Se os adultos não estão entendendo, ela não poderá fazê-lo. E aí (se alguém) está de vermelho, a criança é contra. É simples."
Depois das participações em protestos, por exemplo, é necessário conversar, diz Trape. "Em vez de chamar fulano de burro ou de idiota, o pai e a mãe devem explicar a situação, propor uma leitura com menos violência embutida."
No entanto, para o professor da faculdade de educação da USP Elie Ghanem esse diálogo é difícil, porque os adultos sabem tão pouco do processo político quanto os pequenos.
"Eles têm uma dificuldade semelhante, a pouca experiência com a vida política. De modo geral, os adultos são desinformados. Muitos não compreendem a existência dos três poderes nem a relação entre eles."
Para Ganhem, com deficiências nos colégios e no Estado, que não criam condições para o desenvolvimento de opiniões fundamentadas, o jeito é incentivar a busca por informações e o debate em casa.
A escola também tem um papel fundamental na formação de uma consciência crítica, diz a professora do Instituto de Piscologia da USP Marilene Proença.
Ela explica que as salas de aula são ideais para aprofundar a discussão, mostrar as raízes do problema. "Assim saímos desse lugar do bem e do mal, do 'vermelhos versus pretos'."
*foram usados nomes fictícios para as crianças e suprimidos os sobrenomes dos pais de modo a preservar a identidade dos menores.

Depois do blog, criado há cinco anos, Bianca Andrade já tem até casa própria

Blogueira de Moda e Beleza é nascida e criada no Complexo da Maré e tem mais de 7 milhões de seguidores na web

O DIA

Bianca Andrade: 'Era um mundo novo para mim, assistia até 20 vídeos por dia. Mas como não podia pagar pelos produtos, tive que me virar'
Foto: Divulgação

Rio - Nascida e criada no Complexo da Maré, a blogueira de maquiagem Bianca Andrade conta hoje com mais de 7 milhões de seguidores nas suas redes sociais. Mas, antes de atingir o sucesso aos 21 anos, a jovem enfrentou dificuldades do dia a dia de uma comunidade para colocar seus posts e vídeos no ar. Falta de luz, barulho dos vizinhos, internet lenta foram alguns dos percalços que a dona do blog ‘Boca Rosa’ passou. Hoje com uma casa própria conquistada através do site, a ex-moradora do Complexo apresenta sua nova paixão: os palcos. Bianca estrela o espetáculo ‘Boca Rosa’, que conta sobre sua história, e já ganhou mais duas datas no Teatro Net Rio.

De forma inusitada, a jovem maquiadora se interessou pelo mundo das ‘make-ups’. Navegando pela internet viciada em clipes de música, Bianca encontrou por acaso um vídeo sobre maquiagem. Foi amor à primeira clicada.“Fiquei encantada! Era um mundo novo para mim, assistia até 20 vídeos por dia. Mas como não podia pagar pelos produtos que eram usados, tive que me virar. Fui numa barraquinha perto de casa e comprei o que pude. Em pouco tempo, já estava craque! Maquiava as minhas vizinhas, minhas colegas do colégio, tamanha foi a paixão”, conta a jovem.

Mas nem tudo foram flores depois de sua descoberta do mundo das maquiagens. As suas colegas do colégio foram duras ao criticarem sua vontade de criar o blog e o canal no YouTube. “Além de praticarem bullying por eu ir sempre maquiada para a aula, as meninas não acreditavam que pudesse dar certo a minha ideia de ter um blog e um canal de vídeos”, lembra a blogueira.

O estímulo para que ela não desistisse dessa vontade veio de suas vizinhas, que insistiram para que Bianca explicasse de forma mais didática as suas maquiagens e também pelas suas dicas mais econômicas, dificilmente encontradas em outros blogs do gênero. “Foi preciso trabalhar duro para conseguir juntar uma grana e comprar a câmera. Mas valeu a pena, maquiagem explicada por foto é quase impossível de compreender”, diz.

E com apenas cinco anos de blog e vídeos, foi possível não só se sustentar com o lucro vindo das redes sociais, como também comprar sua primeira casa, em Bonsucesso. “Nos mudamos, eu e minha mãe, para Bonsucesso em 2014. Mas não esqueci da onde eu vim. Ter morado no Complexo da Maré é o que me diferencia das outras blogueiras. Isto chama atenção da mídia. Provavelmente, se eu tivesse vindo de outro lugar, não teria o sucesso que tenho hoje. Falo ainda com as minhas leitoras como se fossem as minhas vizinhas”, afirma.

Após conquistar prestígio e fama como blogueira de maquiagem, a jovem não perdeu tempo e foi buscar algo também bastante desafiador. E desta vez, foi direto da tela dos computadores para os palcos. Com peça dirigida e escrita pela dupla Afro Gomes e Leandro Goulart, Bianca estrela o espetáculo que conta sua vida, abordando temas como bullying, diferenças sociais, maquiagens, casamentos, entre outros. 

Na foto, o namorado, Nando, a mãe, Mônica Andrade, e a atriz Bia Guedes,
que contracena com Bianca na peça
Foto: Divulgação

COMO SALVAR A MAQUIAGEM

SALVANDO A MÁSCARA DE CÍLIOS
“Se ainda há máscara, mesmo com ela seca, ainda dá para aproveitá-la colocando a embalagem dentro de uma caneca com água morna.”

RECOMPACTANDO PRODUTO EM PÓ
“Não importa que seja sombra, iluminador ou pó, essa dica vale para todos. Coloque o pó em um recipiente e derrame um pouco de perfume. Misture até virar uma pasta e coloque de novo na embalagem. Para tirar o excesso do perfume, passe um pouco de guardanapo.”

SALVANDO A BASE QUE ESTÁ CLARA DEMAIS PARA A SUA PELE
“Ao se maquiar, antes de colocar a base, misture o produto junto a um pouco de bronze. Ela vai ficar mais escura.”

RECUPERANDO LÁPIS SECO
Quando o lápis fica seco, é possível recuperá-lo com a ajuda de um fósforo ou isqueiro. Basta colocar a ponta do lápis em contato com o fogo por alguns segundos.”

MATIFICANDO O BATOM
“Para deixar o batom com efeito mate, basta colocar pó translúcido e passar por cima do produto.”

LINK DO VÍDEO:
http://bocarosablog.com/category/videos

Com reportagem de Bruna Motta

domingo, 20 de março de 2016

Vida de jogador que quer estudar não é fácil. Eles sofrem até bullying

Luiza Oliveira*
Do UOL, em São Paulo
*Colaborou Vanderlei Lima

Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro
  • Victor é um raro caso de jogador de ponta no Brasil que concluiu o ensino superior
    Victor é um raro caso de jogador de ponta no Brasil que concluiu o ensino superior
Estudo e esporte são instrumentos fundamentais para a formação de todo cidadão. Mas entre os jogadores de futebol, ao menos no Brasil, os dois andam bem separados. São raros os casos de atletas que têm interesse e condições de investir na formação escolar e chegam a fazer um curso superior. Os que se desdobram para concluir a graduação, ainda encontram muitas dificuldades e sofrem até bullying dos colegas.
A árdua rotina de treinos e jogos costuma ser o maior vilão dos jogadores estudantes. Quem ainda insiste em investir nos livros e cadernos, enfrenta uma rotina diária de três turnos em que é preciso conciliar treinos, aulas e trabalhos escolares , além de driblar sono e o cansaço.
O goleiro Victor, do Atlético-MG, representa esta pequena parcela de atletas de ponta que completaram o ensino superior. Ele começou a cursar Educação Física ainda quando estava na categoria Sub-20 do Paulista. O goleiro foi emprestado ao Ituano e precisou trancar o curso, mas conseguiu terminar a graduação quando voltou ao clube de Jundiaí.
"Atuando e viajando para jogos é difícil conciliar, é complicado porque você viaja muito e, às vezes, você acaba perdendo as aulas. Sempre tive também o apoio do pessoal do Paulista na minha época, o meu treinador no profissional do Paulista era o Vagner Mancini, ele sempre me incentivou. Em algumas oportunidades, ele me liberava por algumas horas da concentração para que eu pudesse ir para a faculdade. Então com uma certa dificuldade eu consegui conciliar. É um diferencial, algo importante que eu tenho no meu currículo", disse ao UOL Esporte.
Outros atletas também viveram as dificuldades encontradas por Victor. O zagueiro Hugo Gomes hoje está emprestado ao Mallorca, mas jogou nas categorias de base no São Paulo. O Tricolor do Morumbi incentiva seus atletas a estudar e até arca com os custos da faculdade. Ainda assim, poucos têm interesse em seguir adiante.
Hugo foi o primeiro atleta da base do clube a se formar em Educação Física e hoje vê o quanto o estudo foi importante em sua vida. Mas admite que não foi fácil. "Eu fiquei um pouco fora do padrão. Todo mundo queria terminar o ensino médio para se dedicar só ao futebol, não aguentavam mais, e eu continuei estudando. No primeiro ano eu era o único do clube que estudava. Nos três anos seguintes, vinham matérias mais complexas na faculdade e eu já estava no júnior indo para o profissional. Por mais que eu tenha conseguido, passei noites estudando, fazendo trabalho em estádio e treinava de manhã, chega uma hora que é puxado. Querendo ou não teve uma questão de sorte também. Eu poderia ter sofrido com lesões por não descansar, o horário que eu tinha para descansar eu estava na faculdade".
Reprodução/Instagram
A dificuldade para estudar não se restringe à rotina. Como são minoria, alguns atletas enfrentaram até a zoação dos colegas. O goleiro Dauberson, que disputou a Copa SP pelo Cruzeiro e hoje está emprestado ao Boa Esporte-MG, optou por um curso bem diferente de sua profissão. Ele cursa Engenharia de Produção e se prepara para entrar no mercado, caso um dia deixe o futebol.
Em sua visão, os jogadores, de uma forma geral, não veem no estudo um instrumento de transformação de vida porque acham que vão garantir o futuro apenas com a bola. Assim, a dedicação aos livros não é importante. Dauberson acredita que apenas os atletas que têm muita consciência e que contam com o apoio da família seguem adiante.
"Alguns (colegas) apoiam bastante, mas outros acham que eu estou errado. Eles não pretendem estudar, falam que estudar é coisa para burro. Fizeram só até a sexta ou sétima série e acham que estão garantidos no futebol, que vão ser grandes jogadores e ponto. Acham que são mais espertos porque vão se dar bem mesmo sem estudar. E isso vem de anos, desde lá atrás, grandes jogadores não são formados e ganharam dinheiro. Então eles acham que não precisam estudar, que vão ganhar muito dinheiro. Para mudar isso hoje é difícil".
No Cruzeiro, outros atletas também se viram para fazer cursos sem qualquer relação com o futebol. O atacante Victor Crispim e o goleiro João Victor Bravin passaram recentemente no vestibular de direito e psicologia, respectivamente, e ainda não sabem se vão conseguir cursar por causa da agenda.
"Se a gente tem tempo para jogar bola, que é o que a gente sonha, para o plano B também tem que ter um tempinho. Então, é sempre importante focar nos estudos. A gente procura ficar com essa galera que gosta de ler e dormir cedo", conta João Victor.
Thiago Fernandes/UOL

Estudo pode ajudar dentro de campo?

Ainda que exija um esforço extra, o curso superior pode trazer muito mais benefícios do que a maioria acredita. Hugo Gomes conta que a Educação Física ampliou seus conhecimentos para muito além do campo e bola. Hoje, ele compreende um treino ou uma instrução do preparador físico com muito mais clareza.
"A faculdade de Educação Física abre a mente além do futebol. Você começa a conhecer o seu corpo, a sua musculatura, a sua alimentação, o que influencia. Se os atletas soubessem o quanto ajuda em questão de conhecimento, as funções de cada alimento, o que a proteína oferece para o músculo, o quanto o carboidrato é importante. O preparador passa um trabalho e eu questiono os métodos dele. Não é só chutar uma bola, abre o leque do que é o esporte para desempenhar da melhor maneira".
Também atleta do São Paulo, o volante Felipe Araruna concilia os treinos e jogos com o curso de Administração de Empresas na tradicional Faap, em São Paulo. E só vê benefícios. "É bom porque sempre tenho um dia cheio. Não me incomodo e não me atrapalha, só ajuda. Ao invés de ficar com a cabeça muito aqui dentro, no mesmo lugar sempre e conversando com as mesmas pessoas, eu aprendo um negócio novo. Faço novos amigos, isso que é o diferencial".

Aluna acusa professor de cometer bullying: 'me sentia constrangida'

Adolescente diz que professor a chamava de 'gordinha' em escola de MT.
Lei federal obriga escolas a discutirem o bullying dentro das escolas no país.


Do G1 MT

Uma estudante de 14 anos foi vítima de bullying por parte de um professor dentro de uma sala de aula, em Sinop, a 503 km de Cuiabá. A estudante, que não quis se identificar, conta que o caso ocorreu no início do ano e ela precisou procurar a coordenação da escola para dar fim às provocações.

Considera-se bullying a prática de atos de violência física ou psicológica, de modo intencional e repetitivo, exercida por uma pessoa ou grupos, contra uma ou mais pessoas com o objetivo de constranger, intimidar, agredir, causar dor, angústia ou humilhação à vítima.

No caso da estudante, que cursa o 1º ano do ensino médio, os comentários dos colegas de sala e do próprio professor eram sempre a respeito do seu peso. Segundo ela, o professor a chamava de “gordinha” dentro da sala de aula, o que acabou virando um trauma a ponto de a adolescente não mais querer frequentar as aulas.

“Eu me senti muito chateada, deprimida. Não queria mais ir para as aulas dele porque eu me sentia constrangida diante de todos da sala de aula pelas brincadeiras de duplo sentido [que ele fazia]. Chegou um ponto em que eu não aguentei mais e fui falar com a coordenação [da escola]”, relatou.

Mas vítimas de bullying nas escolas é algo mais comum do que se imagina. Segundo os professores, normalmente a prática ocorre nas escolas entre alunos de oito a 15 anos de idade. De acordo com a psicóloga Quetti Nunes, os autores das brincadeiras ofensivas não agem sozinhos.

“O bullying é quando a brincadeira passa a ser algo que eu não faço sozinha. Eu chamo um grupo e coloco aquilo [apelido] como algo que vai denigrir a sua imagem”, afirmou.

Lei federal

Desde janeiro deste ano, entrou em vigor uma lei federal que obriga todas as escolas – seja da rede pública ou particular – a discutirem o bullying dentro das salas de aulaA abordagem, conforme a lei, pode ser feita por meio palestra, teatro ou danças.

'Garçom' na 1ª derrota do Corinthians em Itaquera já sofreu 'bullying' por sobrenome famoso

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br

O primeiro jogo oficial na Arena de Itaquera, em maio de 2014, não sai da cabeça de Guilherme Lazaroni. Ele foi o autor do passe do gol de Giovanni Augusto, na histórica vitória do Figueirense diante do Corinthians por 1 a 0, pelo Campeonato Brasileiro. Hoje no Linense, o lateral esquerdo reencontrará o palco do momento mais importante de sua carreira, neste sábado, às 16h, pela 10ª rodada do Campeonato Paulista.

"Nunca vai sair da minha cabeça, o estádio lotado e vencemos. Dei o passe e isso vai ficar marcado na minha vida para sempre. Quando falarem do gol daqui 20 anos e mostrarem o lance, verão o passe que dei para o Giovanni fazer. E isso significa muito para mim", disse o jogador, em entrevista aoESPN.com.br
"Naquela semana falavam muito que a gente era o adversário ideal. Estávamos em uma fase difícil, não tínhamos vencido ninguém, sabíamos que o Brasil inteiro ia ver nosso jogo. O Guto Ferreira mostrou na palestra essa manchete de jornal falando que éramos o melhor adversário, que íamos perder e a torcida fazer festa em cima da gente", prosseguiu.
"Todos entraram mais focados e o time todo foi bem. Comemoramos demais depois, porque além de ser um adversário difícil, precisávamos muito dessa vitória. Ela foi tão importante que embalamos uma boa sequência depois disso", recordou.
Agora no Linense, o objetivo é classificar para a segunda fase do Estadual e conquistar uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro. O "Elefante da Noroeste" tem 13 pontos ganhos.
Parente do treinador da seleção na Copa de 90?
Guilherme Henrique dos Reis Lazaroni nasceu em Rio Claro (SP), onde começou a dar os primeiros chutes. Passou pelas categorias de base do São Carlos, Noroeste até chegar ao Figueirense, em julho de 2008.
No time catarinese jogou com o atacante Roberto Firmino, do Liverpool-ING. O lateral lembra que o ex-colega famoso era um homem de poucas palavras. "Ele era bem tímido e não falava quase nunca, sempre muito reservado. A gente brincava que ele 'não parava de falar', um cara nota dez que merece tudo de bom que está ocorrendo na vida dele", vibrou.
Após passar alguns anos no time profissional, ele foi emprestado ao Portimonense, de Portugal, em 2015. Quando chegou ao clube, precisou responder se era filho ou sobrinho de Sebastião Lazaroni, ex-trécnico da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1990, na Itália, que trabalhou Marítimo-POR.
GAZETA PRESS
Giovanni Augusto fez primeiro gol da Arena de Itaquera
Giovanni Augusto fez primeiro gol da Arena
"Não sou parente próximo do treinador, mas tem um grau muito distante sim por causa de um irmão do meu tataravô que foi para o Rio de Janeiro. Nunca falei com ele, mas sempre me perguntam isso. Dois Lazaronis que trabalham com futebol é curioso", relatou.
Ter o mesmo sobrenome que o ex-comandante do Brasil também gerou situações inusitadas. "Uma vez na rua estava na escolinha de futebol e um cara falou assim: 'Ele é parente do cara que perdeu a Copa '(risos). Era muito criança e não sabia quem era o Lazaroni ainda. Estranhei na hora; 'Como assim, perdi a Copa?'", relembrou aos risos.
Após superar lesões no ano passado, Guilherme quer se destacar no Paulistão e quem sabe  jogar novamente na Europa, seu sonho de infância."Quando estava na base quase fui para o Hoffenheim, da Alemaha, fiquei ansioso, mas não deu certo. Foi uma experiência muito boa ir para Portugal, aprendi táticas novas e coisas diferentes, futebol por lá é mais rápido", observou.

Com arte e palestras, projeto sobre prevenção mobiliza escolas da região de Jaú

Estudantes participaram de palestras sobre câncer de mama, gravidez na adolescência e higiene

Há dois anos, as escolas da rede estadual da região de Jaú fazem parte de um amplo projeto sobre prevenção. Por meio da iniciativa, são oferecidas palestras sobre temas como bullying, dengue, drogas, gravidez na adolescência, obesidade, hábitos de higiene e prevenção ao câncer de colo de útero, mama, vacinação de HPV e outros temas. Os próprios alunos, com orientação dos professores, desenvolvem os trabalhos e apresentam para as unidades, de acordo com cada ciclo.
O objetivo do ciclo de palestras, chamado "Arte na Prevenção", é desenvolver, ao longo dos anos, com os alunos e comunidade escolar, a conscientização sobre a importância dos temas apresentados. Além disso, a iniciativa pretende levar o protagonismo juvenil para dentro as escolas, dando autonomia para os alunos. Os assuntos são discutidos nas próprias unidades. 
Parceria
O sucesso do projeto garantiu uma parceria com o hospital Amaral de Carvalho, com o objetivo de oferecer treinamento aos professores sobre tratamento e prevenção do câncer de mama e de colo de útero e vacina de HPV.
Após a capacitação, os educadores desenvolveram o conteúdo para os alunos. Os gremistas também estudaram o tema e apresentaram para as escolas da região. “Essa dinâmica foi excelente, pois por meio dessas palestras as mães dos alunos e, até mesmo as alunas, foram até o hospital se informar sobre a vacina do HPV. Isso significa que nosso trabalho deu certo, esse é o papel da escola: conscientização”, relata a professora coordenadora de Ciências da região de Jaú, Adriana Aparecida Domingues Ferreira Alonso.
Isso aconteceu também com outras escolas das regiões de Dois Córregos e Bocaina. Os estudantes desenvolveram palestras sobre higiene, dengue, obesidade e bullying. “Nosso resultado foi muito satisfatório, e a nossa proposta é ampliar para todas as escolas e para mais segmentos”, finaliza a dirigente regional de ensino da região de Jaú, Carla Karam.
  • Foto: Divulgação
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Little Boy – Além do Impossível (2015): a fé pode mover uma montanha?

É tudo tão doce e tão ameno no longa que ele passará despercebido. Melhor assim: analisando atentamente, as virtudes ficam bastante prejudicadas pelas falhas.

Diogo Rodrigues Manassés twitter.com/diogo_rm

A fé pode mover montanhas? Não seria melhor falar em esperança? Quem acredita sempre alcança? E se não depender apenas de si? O viés religioso é inafastável em tais casos?
Esses e outros questionamentos estão presentes em “Little Boy – Além do Impossível”, coprodução entre México e EUA cujo protagonista é Pepper Busbee, garoto de 8 anos de fé inabalável. Sua vida se divide entre o bullying sofrido em razão da sua baixíssima estatura e a amizade intensa que tem com seu pai, com quem vive aventuras fantasiosas como se fossem ambos crianças. Porém, quando seu irmão é rejeitado pelo exército estadunidense, quem se ausenta do lar para atuar na Segunda Guerra Mundial é seu pai, deixando o garoto na expectativa pelo retorno.
O norte do plot é bastante claro: a relação entre pai e filho. Com a ida daquele para a Guerra, o roteiro aposta em alavancas narrativas: Ben Eagle (Ben Chaplin, caricato como devia), mágico que faz a iniciação de Pepper na crença no impossível; padre Oliver (Tom Wilkison, muito bem), que sugere ao garoto seguir alguns mandamentos de conduta (a “Lista Ancestral”) que, se seguidos, poderiam ajudar no retorno do seu pai (argumentação derivada de uma explicação teológica); e Hashimoto (Cary-Hiroyuki Tagawa, excelente), pessoa Pepper odiava por reflexo do restante da sociedade. Ou seja, são três personagens que colaboram para o objetivo de Pepper, que é ter o pai ao seu lado novamente. Permeando tudo isso, a importância da fé (ou esperança, pois a visão teológica que o padre sugere não chega a ser acolhida pelo menino, ao menos não de forma pura), conduz Pepper na narrativa.
De todas as subtramas, a do preconceito sofrido por Hashimoto é a mais fascinante (e a ótima atuação de Tagawa ajuda bastante). Residente nos EUA desde a infância, sua descendência nipônica é motivo de ódio e marginalização por parte dos demais cidadãos (afinal, o período é de Segunda Guerra). Ele é encarado por todos como inimigo, e Pepper, de forma reflexa, faz o mesmo – ao menos até seguir as recomendações do Padre Oliver. A amizade que se forma entre Hashimoto e Pepper tem algum encanto, todavia, não chega ao nível de “Up: Altas Aventuras”, por exemplo. As demais subtramas são burocráticas, como a do irmão rebelde e malsucedido (David Henrie, convincente) e a do médico cuja intenção é assumir a posição de patriarca na família Busbee (Kevin James, idem).
Como se percebe, o roteiro é elaborado de forma razoável – exceto pela narração voice over usada como muleta –, com uma concatenação fática coerente – exceto por um plot twist desnecessário e reducionista – e formulação de personagens verossímeis. Entretanto, padece de um mal incurável (além das exceções mencionadas): é extremamente previsível. É aquele tipo de filme para reconfortar pessoas desanimadas e arrancar emoções fáceis (usando uma criança, o que facilita ainda mais). Tudo leve e inofensivo – até demais.
Outros elementos técnicos também são excessivamente amenos: a direção é despida de dramaticidade, mesmo em cenas que a exigiriam (como a despedida do pai), além de filmar de forma clichê, com planos gerais para ambientação e closes para comoção; a fotografia é insossa; a trilha sonora é insignificante. Destaque positivo apenas para a montagem: alternada em alguns momentos (como a que faz analogia entre o bullying sofrido por Pepper e uma batalha de que o pai participa) e remissiva em outros (fazendo referências claras awesterns e filmes de samurais). Dá um tom fantástico benéfico, que, porém, só atenua os demais aspectos ruins.
“Little Boy – Além do Impossível” acolhe uma temática aprazível, coloca um infante como protagonista para emocionar mais – a atuação do carismático Jakob Salvati é espetacular, dando um up nos demais artistas, que já estão em bom nível – e dá uma condução dotada de imensurável brandura, tornando o longa quase infantil. Uma ou outra acidez se faz presente (em especial nas provocações de Hashimoto ao defender a “fé em si mesmo” e ao usar a expressão “amigo imaginário do céu”), mas fato é que o diretor Alejandro Moneverde entrega um produto (seu segundo longa) tão suave que passará despercebido pelos cinemas. Contudo, a mensagem que deseja passar fica bastante clara: a fé pode mover uma montanha.