sexta-feira, 18 de abril de 2014

Pesquisa mostra que bons profissionais sofrem bullying por parte dos colegas

Pessoas pró-ativas são cobradas negativamente por funcionários mais acomodados

Muitos acreditam que o assédio moral, ou até mesmo o bullying, tem uma só mão de direção nas empresas e vai sempre do chefe para o subordinado. No entanto, uma pesquisa realizada pelo Instituto de Bullying no Trabalho dos Estados Unidos, divulgada em 2014, mostra que o bullying no trabalho também é praticado entre colegas. De acordo com o levantamento, pelo menos 72% dos empregados norte-americanos foram vítimas, estão sendo alvo ou conhecem casos de assédio no trabalho. Do total de empregados pesquisados, ao menos 28% relataram que o bullying partiu de colegas de trabalho e não dos chefes.
— Esse é um fenômeno ainda invisível nas empresas, ou seja, quando as pessoas sofrem assédio por parte de colegas. E, por incrível que pareça, esse tipo de bullying tem geralmente a ver com o fato de a vítima ser um bom profissional, ter ótimo desempenho e começar a incomodar os funcionários, que se sentem ameaçados — explica Eduardo Carmello, diretor da Entheusiasmos, empresa especializada em gestão de talentos.
O consultor em liderança ainda assinala que em pelo menos em 90% das empresas brasileiras o empregado que faz mais, é pró-ativo e busca superar as expectativas é mal visto pelos colegas, o que leva a uma situação que fatalmente termina no bullying.
— Frequentemente escuto queixas de bons talentos nas empresas que raramente são reconhecidos e, pior, costumam ser perseguidos por outros grupos de empregados que deixam claro que o bom desempenho deles evidencia claramente o mau desempenho de todos os demais, daí porque costumam intimar os bons profissionais a "baixarem a bola" — alerta.
Outra informação surpreendente da pesquisa do instituto diz respeito ao perfil da vítima. De acordo com os dados, 37% daqueles que mais sofrem esse tipo de perseguição são considerados gentis e dotados de compaixão, outros 22% costumam ter jogo de cintura e atuam para alcançar um acordo e 19% são cooperativos. Ao contrário do que se imagina, os agressivos, com 15%, e os abusivos, com 6%, não são as principais vítimas.

— Esses dados são muito reveladores, pois evidenciam claramente as razões pelas quais muitos bons profissionais deixam as empresas, que é a falta de reconhecimento e perseguição por parte de colegas que buscam esconder sua incompetência perseguindo quem têm bom desempenho e uma visão mais humanitária da empresa — diz Carmello.
Para ele, quando um clima como esse se instala na empresa, os grandes derrotados são a própria organização e o empregado com desempenho excepcional, que se torna vítima do assédio. Nesse sentido, a empresa que não agir para conter esse problema vai perder as pessoas que fazem a diferença junto ao cliente e manter justamente aqueles acomodados, que são incapazes de gerar bons resultados.

— Como evitar que isso aconteça? É fundamental que as empresas tenham sistemas de competência e de meritocracia que reconheçam os bons empregados, que ajudem a desenvolver as pessoas medianas e que gerem consequências para aqueles que têm baixo desempenho — assinala.
Além disso, para o bom profissional, ganhar o mesmo que todos os demais e ainda ter que fazer mais do que os outros é um fator de desmotivação e a principal razão para que essa pessoa deixe a organização.
Fonte: Diário Catarinense

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