domingo, 23 de abril de 2017

Bullying e suas consequências. Psicóloga esclarece - Ponto de Entrevista...

13 razões para estar alerta

JC ONLINE

Com debate importante sobre o assédio e o bullying, '13 Reasons Why' traz questões delicadas como a glamourização do suicídio

Katherine Langford é a jovem Hannah Baker em '13 Reasons Why' / Foto: Netflix/Divulgação
Katherine Langford é a jovem Hannah Baker em '13 Reasons Why'
Foto: Netflix/Divulgação
MÁRCIO BASTOS
Até hoje, questões envolvendo saúde mental permanecem envoltas em mistificação e silenciamento. Uma das consequências mais graves da falta de acompanhamento e tratamento dessas disfunções é o suicídio. Apesar da gravidade, o assunto permanece como um dos mais fortes tabus na maioria das sociedades. Eventos recentes, no entanto, tornaram o debate inevitável. A pauta ganhou força, principalmente, devido à série 13 Reasons Why (Os 13 Porquês, em português), disponibilizada na Netflix. A obra aborda a decisão de uma jovem de tirar a própria vida, não sem antes gravar treze fitas cassetes explicando os motivos que a levaram a tanto – ou melhor, apontando as pessoas que julga serem responsáveis por sua decisão. Elogiada por levar para o grande público temas necessários como bullying e machismo, a série também vem enfrentando críticas por supostamente promover a glamourização do suicídio, o que tem preocupado profissionais da saúde.


Baseada em um livro homônimo escrito por Jay Asher, a série é ambientada em no ensino médio e seus personagens são adolescentes. Período de intensas transformações para o indivíduo, tanto físicas quanto psicológicas, a adolescência é retratada na produção de forma complexa. As situações às quais Hannah é exposta, como bullying, abuso e isolamento, são compartilhadas por outros jovens fora das telas.

Apesar de não tratar os personagens de forma plana, como tantas obras do gênero costumam fazer, a série toma decisões problemáticas, que serão discutidas a seguir. Para quem não assistiu aos treze episódios, alertamos que o texto a seguir contém spoilers.
Hannah e sua família chegam a uma nova cidade e, ao entrar na escola, ela se depara com o desafio da aceitação pelos novos colegas. Logo nas primeiras semanas, ela se envolve com Justin, atleta popular da instituição, que, para se gabar com os amigos, expõe uma foto íntima da garota. Começa então o processo de isolamento de Hannah que, além de lidar com a desilusão amorosa, passa a ser vítima também de chacotas e perseguição.
A dificuldade em estabelecer relações de amizade também se apresentam como um impedimento para a garota, que se mantém sempre na linha da superficialidade com Clay, jovem apaixonado por ela. A desconexão com o seu entorno, assim como a ocorrência de experiências traumáticas, como um abuso sexual, fazem com que Hannah, já com o estado emocional abalado, opte por tirar a própria vida. Antes de cometer o ato, no entanto, ela grava 13 fitas cassete endereçada a cada um dos que considera terem provocado sua atitude. Nessa decisão da jovem, há um dos principais motivos pelos quais a série vem sido objeto de críticas: a ideia de culpabilização do suicídio.
“A série fala do suicídio de uma forma romantizada. A personagem está responsabilizando aqueles que de alguma forma tiveram influência direta para o desenvolvimento do sofrimento dela. É como se ela estivesse em busca de justiça, mas não se pode trabalhar o tema desta maneira. O suicídio não é um fenômeno isolado. Está dentro de um contexto político, social, econômico. Fatores como abusos, injúrias, falta de diálogo e apoio podem exercer influência. E a própria pressão social, afinal, vivemos em uma sociedade de consumo, e não corresponder às expectativas do que se coloca como sucesso, poder de compra, angustia muito. Mais do que culpados é importante estimular o diálogo sobre o tema entre pais e filhos, a parceria entre a escola e comunidade e repensar o tipo de relações estabelecidas”, explica a psicóloga Dayse Mattos.
A professora Rosinha Barbosa, que integra com Dayse e o grupo formado por professores, profissionais e estudantes de psicologia Programa de Prevenção ao Suicídio e Promoção de Resiliência, na UFPE, ressalta ainda o crescimento no número de jovens que tentam suicídio a cada ano.
“Antes o suicídio era mais comum entre pessoas mais velhas, mas hoje se encontra em segundo lugar dentre as 10 primeiras causas de morte no mundo entre jovens de 15 a 29 anos”, pontua. “O clima de estresse, com relações virtuais ao invés de pessoais, contribue para o sentimento de isolamento e cria um ambiente onde florescem ações absurdas, como o jogo Baleia Azul, na qual a última consequência é tirar a própria vida”, reforça.

SAÚDE MENTAL

Outra crítica pertinente ao seriado é o fato do quadro mental de Hannah não ser aprofundado. Apesar de tê-la como narradora, gasta-se pouco tempo discutindo o estado emocional dela e como as ações externas afetaram seu interior. Questões como depressão não são abordadas. Clay, o outro protagonista da série, também passa por problemas psicológicos, sendo afetado com alucinações no presente e dando indicativos de que precisou de tratamento no passado (sua mãe recomenda a volta ao psiquiatra). Não há, no entanto, aprofundamento nesses temas, que são de ordem de saúde pública.
Essas questões foram ressaltadas pelo crítico Pablo Vilaça, um dos primeiros a apontar os problemas da série. Em seu blog, ele ressaltou que a obra falha em tratar a depressão e o suicídio como “problemas complexos exatamente por envolverem a subjetividade do paciente/vítima – assim como são reais os traumas que o autoextermínio provoca em quem ficou para trás e que não tem necessariamente a ver com responsabilidade”.
Além de conter vários gatilhos (reações psicológicas decorrentes de associação de situações do presente com traumas passados), 0s criadores da série optaram por mostrar a cena do suicídio de Hannah. Ao retratar de forma gráfica a morte da jovem, a série vai de encontro às recomendações da Organização Mundial da Saúde. Segundo Dayse Mattos, os episódios podem ter feito danoso, pois se dirigem a jovens que podem querer reproduzir determinadas situações em função de seu próprio sofrimento, a exemplo do Efeito Werther (ver vinculada). A preocupação aumenta levando-se em consideração a popularidade da série: segundo o Huffington Post, ela é a mais popular já produzida pela Netflix, angariando mais de 3,5 milhões de menções online (o serviço de streaming atualmente está disponível em mais de 130 países e tem 100 milhões de assinantes, mas não divulga informações exatas de audiência).

“Mostrar a cena do suicídio é nocivo. À medida em que você expõe o fato, pessoas que já estão munidas de sofrimento, passando por essa angústia, sem ver alternativas, podem ser incentivadas a cometerem o ato, em um ato de espelhamento. Em geral, há um pedido de socorro dessa pessoa que está em sofrimento. Normalmente o suicídio acontece depois de outras tentativas. Então, retratar essa situação, ainda mais em um contexto em que ela está buscando justiça, pode ter consequências ruins. É preciso reforçar a importância da prevenção e estimular o debate sobre a saúde mental. É importante refletir o quanto a morte dessas pessoas nos trazem elementos sobre a vida", reforça Dayse.

OS PERSONAGENS DE 13 REASONS WHY

Hannah Baker (Katherine Langford) – Personagem central da trama, antes de cometer suicídio, a jovem grava fitas para cada um daqueles que julga serem culpados por sua decisão. Entre os traumas que enfrenta estão violência sexual e bullying, que desencadeiam um processo depressivo.
Clay Jensen (Dylan Minette) – Apaixonado por Hannah, passa grande parte da trama atormentado em busca da razão por pertencer às fitas deixadas por ela. Emocionalmente frágil, chega a sofrer alucinações em decorrência do estresse desencadeado desde a morte da amada.
Jessica Davis (Alisha Boe) – Primeira amiga de Hannah na nova escola, se afasta da jovem e passa a circular por outros ciclos, iniciando namoro com Justin, pivô da primeira grande crise Hannah. Após uma experiência traumática envolvendo estupro, inicia vício em álcool.
Justin Foley (Brandon Flynn) – Um dos garotos mais populares da escola, o atleta divulga foto íntima de Hannah e se torna uma espécie de algoz da garota. Sua vida familiar, afetada pelos relacionamentos abusivos de sua mãe, também é abordada na série. Um episódio envolvendo sua incapacidade de defender a namorada, marca-o profundamente.
Alex Standall (Miles Heizer) – Junto à Hannah e Jessica, que posteriormente se torna sua namorada por um breve período de tempo, forma o “Trio Monet” (em referência ao café onde costumam se reunir). Seu pai, um policial machista e repressor, vê na violência uma forma de legitimação do filho.
Tony Padilla (Christian Navarro) – Responsável por guardar as fitas de Hannah após o suicídio, atua como uma espécie de mentor de Clay, buscando auxiliar o rapaz durante o processo de escuta das cassetes.
Olivia Baker (Kate Walsh) – Mãe de Hannah, vive o luto da morte da filha ao mesmo tempo em que busca justiça. Ela acredita que a negligência da escola em perceber o bullying e a situação de vulnerabilidade vividos pela garota impulsionaram a decisão trágica.
Bryce Walker (Justin Prentice) – Proveniente de uma família rica, é machista e comete o mesmo crime em relação a duas personagens. Suas atitudes são consideradas cruciais para a decisão de Hannah.

WWE enfim se pronuncia sobre acusações de bullying de JBL nos bastidores

Por: Diego Ceratti

Na tarde deste sábado (24), foi divulgado pelo veículo de imprensa, Newsweek, que Mauro Ranallo decidiu abandonar a WWE após uma passagem de um ano e meio pela companhia de Stamford. A decisão foi tomada após o acerto de um acordo mútuo entre ambas as partes.

O pedido foi ocasionado devido a problemas de Mauro Ranallo com JBL nos bastidores. Segundo o Wrestling Observer Newsletter e outros diversos veículos de comunicação, o problema entre o comentarista canadense e o ex-lutador foi o bullying. Ainda de acordo com a mesma fonte, JBL praticava bullying contra Mauro em shows da empresa e também nos bastidores. Somado a isso, Mauro sentiu-se mal e pediu afastamento dos shows da companhia. O escândalo estourou após diversos lutadores aproveitarem a situação para também revelar que o ex-lutador praticava bullying com seus colegas de trabalho. A indignação dos fãs da empresa foi tanta que o coro de "Fire JBL" (Demitam JBL) dominava as arenas que o plantel do SmackDown Live visitava.

Uma das vítimas do assédio moral de JBL nos bastidores foi Lillian Garcia, segundo o portal dirigido por Dave Meltzer. Lillian Garcia afastou-se por um longo período de tempo devido ao estado crítico de seu pai que faleceria mais tarde em decorrência de um câncer maligno e vendo essa condição JBL aproveitou para "azucrinar" Lillian, afirmando que ele não faltou em seu trabalho um só dia quando passou por uma cirurgia na hérnia. Em decorrência das declarações de JBL, Lilian começou a chorar nos bastidores.

As acusações não param por aí. Justin Roberts, ex-locutor da empresa, acusou JBL de mandar funcionários roubarem seu passaporte de sua mala. Segundo o jornalista Dave Meltzer, são mais de 15 funcionários que acusaram JBL de praticar bullying nos bastidores.

Tendo conhecimento de toda a situação, a companhia de Stamford primeiramente decidiu não se pronunciar e retirou todas as menções sobre Mauro Ranallo de seu site oficial, uma vez que o comentarista fez o mesmo em suas redes sociais. Mas vendo a proporção que o problema se tornou, um porta-voz da empresa falou, sobre as acusações de bullying praticado por JBL nos bastidores, em uma rápida entrevista ao Newsweek.

"Como parte do nosso compromisso de criar um ambiente inclusivo, em abril de 2011, a WWE lançou a nossa campanha anti-bullying, Be a STAR, que incentiva os jovens a tratar uns aos outros com tolerância e respeito. Como uma empresa de capital aberto, esse lema levamos adiante em nossa cultura corporativa. Como tal, podemos investigar plenamente quaisquer alegações de comportamento inadequado, incluindo a recente alegação da situação com John Layfield (mais conhecido como JBL), apesar de nenhuma queixa formal tendo sido apresentada."

A crença é que a WWE não tome nenhuma providência sobre o assunto ao menos que um novo escândalo atinja a empresa em uma proporção absurda. Mauro Ranallo foi contratado pela WWE em dezembro de 2015 para integrar a mesa de comentaristas do SmackDown Live, que em janeiro de 2016 passou a ser transmitido pela USA Network. Durante sua passagem pela empresa, seu trabalho foi elogiado pelos principais críticos da indústria e rendeu apelidos como a "Voz do SmackDown".

Aos poucos, Mauro Ranallo foi conquistando o seu espaço na empresa e chegou até receber o prêmio de melhor apresentador de televisão pelo Wrestling Observer Newsletter pelo seu incrível trabalho.

Bruna Vieira e Indiretas do Bem em um #PapoDeAmiga sobre bullying

Os porquês de você assistir a essa live e se sentir abraçada. 

Por Da Redação

CAPRICHO

Em parceria com o Instagram, o projeto #PapoDeAmiga da CAPRICHO discute assuntos importantes do universo feminino e adolescente. No programa de estreia, conversamos sobre empoderamento. Na última quarta-feira, 19, foi a vez de falar sobre bullying e cyberbullying.
Bruna Vieira e Indiretas do Bem em um #PapoDeAmiga sobre bullying
(Mariana Pekin/Reprodução)
A live contou com a presença da psicanalista Flavia Escrivão, que faz parte da Comissão de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo, da influencer e escritora Bruna Vieira, e das meninas do Indiretas do BemJessica Grecco e Ariane Freitas. Bru, Jé e Ari trocaram experiências, desabafaram sobre suas experiências pessoais com o bullying e contaram como superaram e continuam superando diariamente o trauma deixado por ele, ao mesmo tempo em que a especialista deu conselhos mais técnicos sobre o assunto. O painel foi conduzido pela Amábile Reis, social media da CAPRICHO.

Bullying: efeitos vão além da ficção

DIÁRIO DO NORDESTE

por Karine Zaranza - Repórter
Isabela Serpa foi vítima de bullying na escola. Hoje aos 20 anos, ela recorda que ser alvo de apelidos e xingamentos, aos 11 anos, por seu biotipo físico foi difícil. "Eu tinha medo de ir pro colégio, chorava, pedia para não ir. Pedia pra minha mãe colocar na agenda que se eu passasse mal eu poderia voltar para casa. Ainda tenho trauma com meu corpo, não uso roupa sem manga porque eles falavam do meu braço", relata.
O sofrimento da estudante foi velado por seis meses. Ela calava enquanto seus opressores atacavam. O fim das repetitivas agressões verbais e psicológicas só cessou quando os pais perceberam e exigiram da escola uma solução. "Até então eles achavam que era apelido, brincadeira. Com as denúncias dos meus pais, eles passaram a investir em palestras para os alunos e professores. Melhorou", conta.
O bullying- termo da língua inglesa que designa comportamentos agressivos que ocorrem de forma repetida com intenção de causar dano físico ou moral nas pessoas - é realidade nas escolas, públicas e particulares. A discussão sobre o efeito que esses comportamentos podem causar aos estudantes ficou ainda mais forte com a repercussão da série de TV "13 Reasons Why", que trata de bullying e suicídio em uma escola americana.
Assim como Isabela, cerca de 46% dos alunos do 9º ano do ensino fundamental em instituições de ensino do Ceará afirmaram que foram magoados, ridicularizados ou ofendidos por colegas de classes em situações persistentes. Os dados, conforme o 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, refletem a realidade de 2015.
O levantamento revela ainda os motivos. No Ceará, a aparência do rosto (8,4%) e do corpo (15,4%) lideram as razões das agressões. Depois, aspectos relacionados a cor ou raça (5,2%), religião (3,7%) , orientação sexual (1,8%) e região de origem (1,3%). Outros motivos somaram 64,2%.
Os comportamentos agressivos ocorrem tanto na rede pública quanto na privada. Os índices de alunos ofendidos no Ceará são 45,4% em instituições públicas e 50,8% em instituições particulares. Quando interrogados se já praticaram intimidação contra os colegas de escola, 18,7% de alunos responderam que sim. Destes, 23,6% são do sexo masculino e 14% do feminino.
Subnotificação
Os números da pesquisa revelam uma situação que a gestão municipal e estadual não conseguem dimensionar. Nem a Secretaria Municipal de Educação (SME) nem a Secretaria de Educação do Ceará (Seduc) possuem número de registros de bullyings nas escolas. O Centro de Referência em Direitos Humanos do Governo do Estado é o único equipamento que contabiliza esse tipo de registro.
No entanto, conforme a coordenadora do Centro, Daniella Alencar, os casos de bullying são subnotificados. De 2013, quando o equipamento foi criado, até hoje, foram apenas 29 denúncias. "A subnotificação existe pela invisibilidade das questões de bullying dentro das instituições. Na verdade, a grande maioria das pessoas que nos procuram chegam com casos que passam a ser condutas criminosas, quando acontece uma ameaça de fato ou até mesmo lesão corporal. A maioria das vítimas fica num estado emocional tão fragilizado que acaba não procurando ajuda tanto da instituições de ensino ou dos familiares".
O discurso de Daniella se completa ao do Professor Doutor do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), João Paulo Pereira Barros. Ele também aponta a recente atenção para esses fenômenos e a naturalização das práticas de intimidação sistemática, muitas vezes encaradas como não sendo violência propriamente.
"Além disso, diversos estudantes não se sentem suficientemente confiantes e suficientemente amparados psicossocialmente e também do ponto de vista institucional para compartilhar seus sofrimentos", alerta ele. O professor também pondera que o que se convencionou chamar de bullying ainda é permeado por imprecisões e achismos, o que pode gerar tanto subnotificação quanto supernotificação.
Causas e efeitos
Além de produzir efeitos de sofrimentos para quem está direta ou indiretamente envolvido, pode acarretar fragilização de seus vínculos sociais e institucionais, aponta João Paulo. "Em minhas pesquisas de mestrado e doutorado, por exemplo, acompanhei casos de crianças e adolescentes que abandonaram a escola e até relatos de tentativas de suicídio decorrentes de experiências categorizadas como bullying".
O problema que aparece na escola é, na verdade, reflexo da violência social que vivenciamos, defende João Paulo. O pesquisador relaciona os principais alvos de violência escolar (negros, populações LGBTs e pessoas com deficiência) como sendo alvos da violência social. O comportamento agressivo costuma ser acompanhado de processos de estigmatização e segregação de sujeitos vistos como "diferentes", "fora do padrão" ou "inferiores".
"Logo, isso nos convoca a tratar a violência escolar, assim como outras expressões contemporâneas de violência, como uma questão pública, ampliando os debates, no cotidiano da escola e também em outros espaços educacionais, sobre racismo, gênero, inclusão e como nossa sociedade lida com diferenças. Do contrário, corremos o risco de legitimar violências e mascarar, sob a categoria bullying, complexos e históricos processos de desigualdade social e dominação".
Dados

Ações promovem cultura de paz

Há um ano, entrou em vigor a Lei 13.185, que estabelece medidas de prevenção e combate à prática nas escolas do País. A nova legislação federal instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), responsável por capacitar professores e equipes pedagógicas das escolas para prevenir situações de agressão física, psicológica e moral contra crianças e adolescentes, dentro e fora das escolas.
O texto não prevê punições. Exige, no entanto, que haja capacitações aos professores e envio de relatórios bimestrais aos governos estadual e municipal sobre ocorrências que se enquadrem nos termos definidos pela lei como bullying, para o desencadeamento de ações.
No Ceará, as ações são muito mais de promoção de uma cultura de paz do que de enfrentamento e embate. A Secretaria de Educação do Ceará informou, através de nota, que o trabalho é feito de forma multidisciplinar, desenvolvendo programas e projetos para promover a prevenção às violências. A Seduc foca no projeto Diretor de Turma, que teve início em 2008 e hoje está universalizado na rede, cujo foco é promover um diálogo com todos os agentes. Um professor da escola atua como diretor de uma turma, acompanhando todo o desempenho escolar desses alunos até o fim de sua escolarização, identificando as necessidades, fazendo as intervenções e construindo as pontes. Há ainda a Célula de Mediação Social e Cultura de Paz para fomentar ações voltadas à gestão pacífica de conflitos.
Mediação
Na rede municipal, Lucidalva Bacelar, coordenadora de Articulação da Comunidade e Gestão Escolar da Secretaria Municipal da Educação (SME), explica que as ações seguem uma linha preventiva. A principal estratégia é a Célula de Mediação de Conflitos que hoje é composta por uma equipe na sede e uma responsável por cada distrito de educação. "A nossa linha é que a escola, por inteiro, seja mediadora. Porque assim há um empoderamento da escola em relação ao diálogo", justifica.
A coordenadora explica que, no ano passado, foi criado um sistema para que as escolas identificasse essas ações indisciplinares. "A gente pensa que precisa mais aperfeiçoamento, mas não como um sistema que categorize o bullying. A gente percebe que as questões são mais de ordem afetiva e de indisciplina que propriamente como bullying", defende ela que não enfatiza o tema. "A gente não evita falar. Não focamos excessivamente no bullying. Trabalhamos a temática. Quanto mais reforçar, pode valorizar mais a violência que a paz. Trabalhamos a mediação e não o conflito".
Para o professor da UFC, João Paulo Pereira Barros, as principais reações das escolas, pesquisadas por ele, frente ao bullying, pautavam-se no aumento da punição aos alunos "agressores", assim como na ampliação dos mecanismos de vigilância, como a reivindicação de monitoramentos eletrônicos no espaço escolar. "Sobressaem-se práticas de caráter repressivo, ainda que muitos profissionais avaliem sua pouca efetividade na diminuição da incidência de violência. Tais estratégias têm sido responsáveis por tornar a violência entre pares na escola uma questão eminentemente médico-psiquiátrica, e ou jurídica".
Personagem
Livro infantil trata fenômeno com fábula
O jornalista e escritor cearense Marcelino Júnior lançou o livro "O Manifesto da lagarta", obra que utiliza a fábula para tratar sobre o bullying. Percorrer os passos da Lagarta Leila é acompanhar todos os conflitos e dúvidas que a adolescência traz. No meio disso, vemos uma Leila que é uma vítima de bullying na escola, que sofre com o isolamento do grupo e com agressões verbais. O autor estará na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro com sua obra e também trabalha na criação de um aplicativo sobre bullying para a região Norte do Ceará
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Canais de denúncia
Ouvidoria (Seduc): 155
Centro de Referência em Direitos Humanos do Estado do Ceará: (85) 3101.2989

1 em cada 10 jovens é vítima de bullying frequente

O Pisa avalia o desempenho de alunos em matérias escolares mas, nesta semana, divulgou dados sobre o bem-estar dos estudantes


CLAUDIA

Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), divulgados na última quarta-feira (19) apontam que, no Brasil, aproximadamente um em cada dez estudantes é vítima frequente de bullying nas escolas. A pesquisa revelou que 17,5% dos alunos brasileiros na faixa dos 15 anos disseram sofrer alguma agressão física ou psicológica, ser alvo de piadas e boatos maldosos, ser excluídos propositalmente pelos colegas, não sendo chamados para festas ou reuniões algumas vezes por mês.
O Pisa avalia a cada três anos o desempenho de alunos de 15 anos nas disciplinas de matemática, ciências e leitura, mas, nesta semana, divulgou dados sobre o bem estar dos estudantes avaliados de maneira detalhada.
Na última edição, de 2015, o Pisa avaliou 72 países e economias. Participaram dessa edição 540 mil estudantes de 15 anos que, por amostragem, representam 29 milhões de alunos de 72 países. São 35 países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e 37 economias parceiras, entre elas o Brasil.
No Brasil, 7,8% dos estudantes disseram ser excluídos pelos colegas; 9,3%, ser alvo de piadas; 4,1%, serem ameaçados; 3,2%, empurrados e agredidos fisicamente. Outros 5,3% disseram que os colegas frequentemente pegam e destroem as coisas deles e 7,9% são alvo de rumores maldosos. Esses dados colocam o Brasil em 43º colocado no ranking de índice de exposição de bullying -com 53 países.

Bullying é tema de apresentação com tecnologia multissensorial

Projeto Edupark promove debate em escolas no Barreto e em Jurujuba

POR 

Escolas de BH se mobilizam contra o jogo Baleia Azul

Diante das investigações em Minas Gerais de casos que podem ter relação com o desafio on-line Baleia Azul, que induz crianças e adolescentes à automutilação e, em alguns casos,  ao suicídio, instituições privadas de Belo Horizonte estão se mobilizando para ajudar na prevenção e combate ao problema e, ao mesmo tempo, para tranquilizar os pais. Por meio de comunicados, cartas e palestras, as instituições de ensino pretendem reforçar a parceria entre escola e família para a proteção dos jovens, principalmente em tempos de fácil acesso virtual a todo tipo de informação, positiva ou negativa. No Colégio Batista Mineiro, a Escola de Pais, um programa que tem o objetivo de apoiar o desenvolvimento da criança e do adolescente na escola, discutindo temas que desafiam os pais na educação de seus filhos, está promovendo a palestra “Depressão na infância e na adolescência”. Serão tratados, além do distúrbio mental, temas como o jogo Baleia Azul e a série 13 Reasons Why, que acalorou, em especial na internet, conversas sobre bullying, assédio sexual e verbal, depressão e suicídio. “Neste momento de alerta geral, em que as famílias estão muito preocupadas, é muito importante esse diálogo entre família e escola. Essas duas instituições são parceiras no processo educativo, e precisam trabalhar juntas”, defende Valseni Braga, diretor-geral da Rede Batista de Educação. O diretor também aponta que as escolas podem facilitar e ajudar as famílias que ainda não sabem como agir em relação ao assunto. “Nas escolas, por meio da conversa com especialistas, professores, alunos e pais, é possível repercutir abertamente e acolher as famílias, indicando caminhos saudáveis e promovendo ajuda mútua”.ORIENTAÇÕES A Rede Salesiana Brasil de Escolas (RSB-Escolas) e os colégios Magnum e Marista Dom Silvério também se mobilizaram para debater o tema e instruir os pais. Em carta, a RSB-Escolas enviou orientações sobre a série e o jogo. “Profissionais da área de psicologia têm alertado que 13 Reasons Why, embora tenha valores contra o bullying, não toma os cuidados adequados para tratar do assunto. É importante conversar com os jovens e aprofundar as questões abordadas: quais são as generalizações da série? Qual outra alternativa a protagonista poderia ter escolhido? Como ajudar um colega que sofre agressões na escola?”, aponta a nota.O Marista Dom Silvério também reforçou a importância de os pais acompanharem as escolhas dos programas, jogos e séries de TV de seus filhos. “À escola cabe, sobretudo, orientar os nossos estudantes para que tomem decisões em prol do respeito, por si e pelo próximo, do amor e da vida. Enquanto educadores, temos a ciência de que a tarefa de educar e formar é uma grande missão para a vida toda”.Eldo Pena Couto, diretor do Colégio Magnum, também fez um comunicado aos pais, no qual repercute os assuntos. “O suposto jogo Baleia Azul é apenas o pano de fundo para um cenário de aumento de casos de suicídio entre jovens que se repete há anos. Meses atrás, o jogo do momento era o da asfixia. Agora é o Baleia Azul. Daqui a um tempo terá um novo. A questão que devemos levantar é: o que vamos fazer para evitar?”, questiona. Segundo o comunicado do diretor, é preciso ir além de apenas conversar sobre o desafio Baleia Azul ou proibir/obrigar os jovens a ver uma série que fale sobre suicídio. “O que pode realmente ajudar a prevenir uma tragédia é permitir que o filho ou filha se sinta seguro para conversar, respeitando as suas individualidades”, ressalta. SECRETARIA Por sua vez, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) informou que também dialoga com diretores e a comunidade escolar. “Como o jogo ‘Baleia Azul’ está sendo bastante repercutido nas redes sociais, a secretaria está finalizando material informativo sobre esse fenômeno, que será distribuído a todas as escolas. No material, vão constar informações como perfil das possíveis vítimas, como identificar sinais de participação, orientações para as famílias e encaminhamentos devidos”, afirmou a pasta por meio de nota. Segundo a secretaria, também estão programadas ações para diretores e coordenadores pedagógicos. Em outros estados, escolas têm sido fórum para tratar de problemas ligados à internet. A Polícia Federal em Pernambuco, por exemplo, promove palestras para orientar sobre como se proteger de crimes na web.     Polícia apura 4 casos em Minas A Polícia Civil de Minas  investiga se dois casos de suicídio e dois de automutilação no estado têm relação com o game Baleia Azul. O primeiro registro foi de um jovem de 19 anos que se matou em Pará de Minas. Em Leopoldina, é apurada a participação de um jovem de 18 anos no jogo. Segundo a corporação, a mãe do garoto  informou que o filho participava do jogo e tinha cortes no braço. Em Belo Horizonte, um adolescente de 16 anos foi achado morto no fim de semana no Bairro Ribeiro de Abreu. Familiares suspeitam que haja relação com o Baleia Azul. Em Manhuaçu, uma adolescente de 13 anos foi encontrada desmaiada em casa após ingerir medicamentos para epilepsia e dores musculares. A vítima deixou o hospital na quarta-feira.

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/04/21/interna_gerais,863901/escolas-de-bh-se-mobilizam-contra-o-jogo-baleia-azul.shtml

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Comissão anti-bullying da OAB

Cyberbullying

Bullying na Escola

Bom Para Todos: Bullying, como evitar esta violência

Bullying, uma marca na alma das vítimas

HOJE EM DIA

Conforme a pesquisa divulgada ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mostra o nível de “bem-estar” dos estudantes de 15 anos, o bullying nas escolas tem se tornado uma verdadeira tortura. Para se ter uma ideia, em 34 territórios dos 72 que inclui o estudo, mais de 10% dos entrevistados garantem que já foram alvo de deboches pelos colegas várias vezes por mês. Entre as vítimas, 42% afirmaram não sentir “que a escola é o seu lugar”. Além disso, 4% disseram que chegaram a apanhar também várias vezes no mês, enquanto 7,7% foram agredidos fisicamente diversas vezes ao ano.
Aplicado em 2015, o teste da OCDE com 540 mil estudantes mostra ainda outro aspecto preocupante: 26% dos jovens passam mais de seis horas por dia na internet nos finais de semana e 16% se conectam até seis horas diariamente durante a semana, tempo que tem aumentado. Essa obsessão, alerta o estudo, pode levar esses estudantes a se sentirem mais sozinhos na escola, a não pensarem no futuro de seus estudos, além de chegarem atrasados às aulas.
Na correria do dia a dia e com o advento das redes sociais, muitos pais abandonaram o diálogo com os filhos em casa, as relações têm se tornado mais ríspidas e frias e há uma delegação e cobrança cada vez maior para que as escolas tentem suprir esse vácuo deixado nos lares brasileiros. Muitas vezes, o isolamento dos jovens em casa, os altos níveis de cobrança, o pessimismo em excesso e até mesmo a dificuldade em assumir a sua orientação sexual podem levar essas pessoas a serem motivo de chacota não só nas escolas, mas em vários ambientes que frequentam.
Os comportamentos de ansiedade, raiva excessiva, medo em abordar determinados temas, além na queda no rendimento escolar podem estar associados à baixa autoestima e autoconfiança desses jovens, que já se encontram fragilizados. Longe das salas de aula, as próprias redes sociais se tornam também a porta de entrada para o cyberbullying.
Dessa forma, é necessário que os pais exerçam uma vigilância maior sobre o comportamento de seus filhos, que procurem profissionais especializados e tenham um diálogo amplo e franco. Às escolas, é aconselhável também trazer esses temas à tona, seja por meio de seminários ou outras atividades pedagógicas, para tentar dar um basta no sofrimento de milhares de pessoas no país.
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Projeto Ecoar discute temas sobre violência e bullying em escolas da rede

Violência, bullying, automutilação e racismo. Esses são alguns dos problemas enfrentados por adolescentes e que, nas últimas semanas, foram evidenciados pela série 13 Reasons Why, da Netflix. O enredo traz a história de uma adolescente que comete suicídio e deixa fitas cassetes relatando quem são as pessoas e os motivos que a fizeram cometer tal ato. Em seis escolas municipais de Ensino Fundamental da região Noroeste de Campinas esses assuntos já são cotidianamente debatidos e tratados por meio do projeto Ecoar, que envolve alunos - do 6ª ao 9º ano -, professores e um grupo de psicólogos e estudantes de psicologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Campinas).
 
“A série é impressionante e mostra como um caso de violência afeta a dinâmica da escola. Expõe o cotidiano complexo de uma escola. Os problemas retratados na série fazem parte do cotidiano de uma escola”, explica a diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Edson Luis Chaves, Tânia Irineu, que tem o Ecoar na sua unidade de ensino.
 
O projeto leva para o ambiente escolar, por meio de discussões, reflexões sobre as formas de enfrentar e prevenir as diversas maneiras de violência na escola. “É um projeto que dá suporte ao processo educativo”, afirmou a coordenadora do Ecoar e professora da Faculdade de Psicologia da PUC, Raquel Guzzo. “A psicologia na escola tira a criança da situação de risco”, acrescentou Raquel.
 
Cada escola da região Noroeste conta com um grupo supervisionado por Raquel, composto por uma psicóloga e duas estagiárias. O primeiro passo do projeto é fazer um mapeamento da realidade da escola. Para isso, são ouvidos estudantes, professores, gestores e os demais funcionários.  A partir deste diagnóstico são feitos trabalhos coletivos, que acontecem mensalmente: são as chamadas assembleias de classe. Nelas, são promovidas discussões coletivas sobre os problemas vivenciados no espaço escolar em duas fases: discussão e encaminhamento. Ao final dos encontros, os alunos assinam uma ata comprometendo-se cumprir as ações que foram propostas.
 
“Os temas pautados são discutidos com os alunos, levantamos questões caracterizando o problema, e as encaminhamos com as sugestões deles. Com a nossa mediação, eles têm de pensar em ações concretas”, disse Jacqueline Meireles, psicóloga do Ecoar responsável pelo trabalho na Emef Edson Luis Chaves, no Jardim Santa Rosa. Ela ainda ressaltou a participação dos estudantes. “É importante ouvir o que eles têm a dizer. A gente resolve os problemas da escola na base do diálogo. Criamos essa cultura de participação, desenvolvimento e autonomia com o diálogo”.
 
Paralelo ao trabalho com os alunos, o Ecoar faz um trabalho de formação com os educadores. “A ideia é pensarmos e auxiliarmos os professores nestas situações que eles vivem no cotidiano da escola, trazendo fundamentos da psicologia para ajuda-los”, explicou Jacqueline.
 
Para Tânia Irineu ter um momento de debate sobre violência na escola é fundamental para a solução desse problema. “O Ecoar vem com as demandas dos nossos alunos, eles se colocam e ensinam as crianças a se posicionar e a dizer o que e porque está acontecendo. Isso transforma a escola em um espaço seguro e saudável, que eles possam se desenvolver. Nós estamos muito gratos pela parceria”, reconheceu Tânia.
 
Fatalidade
 
“A Rede Municipal tem o caso de um aluno que passou mal em uma aula de Educação Física, foi socorrido, mas faleceu no hospital. Os alunos ficaram com medo de ir para as aulas de Educação Física. Ou seja, a subjetividade é afetada pelas circunstâncias do ambiente. Você não pode naturalizar e banalizar a violência e casos assim porque as pessoas ficam insensíveis. Ninguém, nem psicólogos, médicos, estudiosos, nunca explicou o impacto em uma criança quando uma situação de violência como essa acontece”, exemplificou Raquel.
 

Noroeste
 
Com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e da Faculdade de Psicologia da PUC - Campinas, o Núcleo de Ação Educativa Descentralizada (Naed) responsável pela Região Noroeste de Campinas desenvolve o Ecoar nas seis Emefs da região: Clotilde Barraquet, no Jardim Florence II, Edson Luis Chaves, no Jardim Santa Rosa, Padre Francisco Silva, na Vila Castelo Branco, Padre Leão Valleriè, no Parque Valença I, Padre Melico Cândido Barbosa, no Parque Tropical e Sylvia Simões Magro, Jardim Ipaussurama.
 
Para 2017, a perspectiva é ampliar o programa para outros seis Centros de Educação Infantil na região, “que são escolas que estão próximas às Emefs atendidas pelo projeto e provavelmente mandarão alunos pra cá no primeiro ano”, afirmou Thais Penteado, supervisora educacional do Naed Noroeste. “Começará com esse critério. O intuito é fazer um trabalho preventivo com estes alunos menores e acompanhá-los até entrar no ensino fundamental. Vamos proporcionar isso pra essa região, que precisa muito”, concluiu.

Mãe desabafa na internet após filho com doença sofrer bullyng

Mayara Dias
Mayara DiasJornalistaMEIO NORTE

A doença do seu filho faz com que ele tenha um cisto na bochecha.


Benji tem apenas 5 anos e sofre de uma doença rara chamada linfangioma. Apesar da pouca idade, ele não se livrou do bullying feito pelas crianças mais velhas de sua escola. Foi por isso que sua mãe, a inglesa Kathleen McGrath, 41 anos, decidiu desabafar sobre o que ele tem suportado.
A doença do seu filho faz com que ele tenha um cisto na bochecha, que parece sempre inchada. Apesar dos coleguinhas de sala estarem acostumados, a partir do bullying dos mais velhos, eles também começaram a perseguir Benji. “Ele é tão inteligente, engraçado e desinibido, mas quando o bullying começou, suas atitudes mudaram“, disse a mãe ao The Daily Mirror.
Kathleen disse que Benji ficou tão assustado que nem mesmo procurava os professores. “Ele começou a querer faltar o colégio, ele acordava chorando no meio da noite e não queria nem sair para brincar com seus amiguinhos“, afirmou. Sua dor ainda era maior porque o filho não entendia como as pessoas que antes ele considerava amigos, agora haviam se tornado algozes. “Eu precisei explicar por que algumas pessoas são maldosas.”
A partir daí, ela tentou mostrar ao filho que uma boa forma de diminuir o bullying é explicar aos demais o que é o linfangioma. “Eu disse que, se ele explicar o que é quando as pessoas perguntam, alguns alunos poderão ser mais educados quando conhecerem mais alguém com a doença.” Benji gostou tanto da ideia que até brinca que não irá mais tirar o cisto — mesmo que seja necessário.
Kathleen encontrou muita ajuda por meio de uma ONG chamada “Mudando Faces”, que ajuda pessoas com problemas no rosto. “O conselheiro do Benji é incrível. Ele está ensinando meu filho a lidar com os problemas da vida de maneiras que muitos adultos não conseguem. Agora, ele consegue se imaginar dentro de uma armadura que retém todas as palavras maldosas”, garantiu.
Fonte: Com informações do Metropoles

Nuno Markl sobre mãe de jovem com sarampo: "O bullying é obsceno"

NOTÍCIA AO MINUTO

O radialista explicou a situação nas redes sociais

POR MARILINE DIREITO RODRIGUES

Esta quarta-feira, dia 19, Nuno Markl foi uma das personalidades a expor a sua opinião sobre a morte da jovem de 17 anos com sarampo.

Na altura, o humorista afirmou: “Não consigo sentir ódio ou sentimento de ‘bem feita!’ pela mãe que perdeu a filha de 17 anos com sarampo. É impossível imaginar a dor, o arrependimento, a tortura que será a vida dela daqui para a frente - uma pena perpétua que é possível que tenha sido provocada por uma coisa simples e gigante que todos nós, pais que vacinam e pais que não vacinam, partilhamos: a de achar que se está a fazer o melhor para o bem dos filhos".
Hoje, o radialista refez a sua opinião depois de terem sido reveladas novas informações sobre o caso, nomeadamente, o facto de a mãe da jovem não a ter vacinado por causa dos efeitos secundários das vacinas: “Continuo a ser adepto da vacinação (e de que os riscos que ela possa acarretar em casos particulares sejam devidamente analisados), e também sou adepto da ideia de que a vida é demasiado cheia de surpresas e de complexidade para que aceitemos a versão Facebook dela, pronta-a-comer e pronta-a-julgar”, refere.
E explica o sucedido: “Num post anterior (que apaguei entretanto a pedido de um amigo da família da jovem), eu dizia que a mãe, neste momento, nada mais merece do que compaixão e solidariedade, mesmo que fosse contra a vacina. Se, afinal, ela não era contra e, simplesmente, por questões de saúde, não pôde vacinar mais a filha, o filme de terror de impropérios e bullying que está a viver ainda é mais obsceno”.

Projeto Ecoar discute temas sobre violência e bullying em escolas da rede em Campinas

PORTAL NOVIDADE

Violência, bullying, automutilação e racismo. Esses são alguns dos problemas enfrentados por adolescentes e que, nas últimas semanas, foram evidenciados pela série 13 Reasons Why, da Netflix. O enredo traz a história de uma adolescente que comete suicídio e deixa fitas cassetes relatando quem são as pessoas e os motivos que a fizeram cometer tal ato. Em seis escolas municipais de Ensino Fundamental da região Noroeste de Campinas esses assuntos já são cotidianamente debatidos e tratados por meio do projeto Ecoar, que envolve alunos – do 6ª ao 9º ano -, professores e um grupo de psicólogos e estudantes de psicologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Campinas).
“A série é impressionante e mostra como um caso de violência afeta a dinâmica da escola. Expõe o cotidiano complexo de uma escola. Os problemas retratados na série fazem parte do cotidiano de uma escola”, explica a diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Edson Luis Chaves, Tânia Irineu, que tem o Ecoar na sua unidade de ensino.
O projeto leva para o ambiente escolar, por meio de discussões, reflexões sobre as formas de enfrentar e prevenir as diversas maneiras de violência na escola. “É um projeto que dá suporte ao processo educativo”, afirmou a coordenadora do Ecoar e professora da Faculdade de Psicologia da PUC, Raquel Guzzo. “A psicologia na escola tira a criança da situação de risco”, acrescentou Raquel.
Cada escola da região Noroeste conta com um grupo supervisionado por Raquel, composto por uma psicóloga e duas estagiárias. O primeiro passo do projeto é fazer um mapeamento da realidade da escola. Para isso, são ouvidos estudantes, professores, gestores e os demais funcionários.  A partir deste diagnóstico são feitos trabalhos coletivos, que acontecem mensalmente: são as chamadas assembleias de classe. Nelas, são promovidas discussões coletivas sobre os problemas vivenciados no espaço escolar em duas fases: discussão e encaminhamento. Ao final dos encontros, os alunos assinam uma ata comprometendo-se cumprir as ações que foram propostas.
“Os temas pautados são discutidos com os alunos, levantamos questões caracterizando o problema, e as encaminhamos com as sugestões deles. Com a nossa mediação, eles têm de pensar em ações concretas”, disse Jacqueline Meireles, psicóloga do Ecoar responsável pelo trabalho na Emef Edson Luis Chaves, no Jardim Santa Rosa. Ela ainda ressaltou a participação dos estudantes. “É importante ouvir o que eles têm a dizer. A gente resolve os problemas da escola na base do diálogo. Criamos essa cultura de participação, desenvolvimento e autonomia com o diálogo”.
Paralelo ao trabalho com os alunos, o Ecoar faz um trabalho de formação com os educadores. “A ideia é pensarmos e auxiliarmos os professores nestas situações que eles vivem no cotidiano da escola, trazendo fundamentos da psicologia para ajuda-los”, explicou Jacqueline.
Para Tânia Irineu ter um momento de debate sobre violência na escola é fundamental para a solução desse problema. “O Ecoar vem com as demandas dos nossos alunos, eles se colocam e ensinam as crianças a se posicionar e a dizer o que e porque está acontecendo. Isso transforma a escola em um espaço seguro e saudável, que eles possam se desenvolver. Nós estamos muito gratos pela parceria”, reconheceu Tânia.
Fatalidade
“A Rede Municipal tem o caso de um aluno que passou mal em uma aula de Educação Física, foi socorrido, mas faleceu no hospital. Os alunos ficaram com medo de ir para as aulas de Educação Física. Ou seja, a subjetividade é afetada pelas circunstâncias do ambiente. Você não pode naturalizar e banalizar a violência e casos assim porque as pessoas ficam insensíveis. Ninguém, nem psicólogos, médicos, estudiosos, nunca explicou o impacto em uma criança quando uma situação de violência como essa acontece”, exemplificou Raquel.
Noroeste
Com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e da Faculdade de Psicologia da PUC – Campinas, o Núcleo de Ação Educativa Descentralizada (Naed) responsável pela Região Noroeste de Campinas desenvolve o Ecoar nas seis Emefs da região: Clotilde Barraquet, no Jardim Florence II, Edson Luis Chaves, no Jardim Santa Rosa, Padre Francisco Silva, na Vila Castelo Branco, Padre Leão Valleriè, no Parque Valença I, Padre Melico Cândido Barbosa, no Parque Tropical e Sylvia Simões Magro, Jardim Ipaussurama.
Para 2017, a perspectiva é ampliar o programa para outros seis Centros de Educação Infantil na região, “que são escolas que estão próximas às Emefs atendidas pelo projeto e provavelmente mandarão alunos pra cá no primeiro ano”, afirmou Thais Penteado, supervisora educacional do Naed Noroeste. “Começará com esse critério. O intuito é fazer um trabalho preventivo com estes alunos menores e acompanhá-los até entrar no ensino fundamental. Vamos proporcionar isso pra essa região, que precisa muito”, concluiu.

No desporto, há 10% de vítimas de bullying

VISÃO

Gonçalo Rosa da Silva / Arquivo VISÃO

Estudo nacional diz que no desporto praticado pelos jovens, existem 10% de vítimas de bullying, 11, 2% de agressores e ainda 35% que assiste ao que se passa, sem nada fazer

Luísa Oliveira
Jornalista
Depois de cinco anos no terreno, o psicólogo clínico Miguel Nery, cuja tese de doutoramento dá pelo título de Bullying no contexto da formação desportiva em Portugal, vai finalmente pôr a mão na massa. Ele e a sua equipa de técnicos da Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa, com o professor Carlos Neto à cabeça. "A coisa está feia e atinge desde claques a treinadores", adiantou este coordenador.
Depois de todo o trabalho que fez junto de quase 1500 atletas de modalidades coletivas, individuais e de combate, Miguel Nery chegou à conclusão de que, transversalmente, 10% dos desportistas em formação são vítimas de bullying, 11,2% são agressores e quase 35% assiste, impávido e sereno a essas agressões. Os ataques dão-se, sobretudo, nos balneários ou em zonas menos vigiados e muitas vezes escapam aos treinadores e pais. Noutros casos, são aceites como "normais".
O desporto, já se sabe, deveria ser uma atividade formativa e ética, mas acaba por se transformar no palco perfeito para este tipo de intimidação, que normalmente está relacionada com o corpo - ou se ataca o mais pesado, ou o lingrinhas ou o desajeitado ou o deficiente. E isso pode ser feito através de palavras, agressões ou exclusão (não passar a bola, é o exemplo mais clássico).
"Uma das principais consequências do bullying nas modalidades desportivas é o abandono da prática, sem se assumir qual a causa", expõe Carlos Neto.
Agora que já se traçou o quadro nacional, nada animador, há que agir para que as coisas mudem. Daí que este grupo de cientistas tenha lançado esta quarta-feira este site interativo, onde se encontram vários conselhos práticos e materiais de apoio, para os diferentes atores desta triste história.
Daqui a pouco tempo, estará também em funcionamento uma linha de apoio à vítima de bullying no desporto (os técnicos estão em formação), com o apoio da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). A próxima leva de formação de treinadores já terá a intervenção deste grupo de especialistas, para que não mais se permita que haja condescendência com essas práticas. E assim que a época recomeçar, o grupo estará presente, em intervenção direta, em alguns clubes, numa situação em que toda a gente será envolvida, desde atletas, a pais, a dirigentes desportivos e treinadores. "É o princípio da investigação/ação. Ao mesmo tempo que agimos, vamos recolhendo mais dados e reformulando resultados", explica Miguel Nery.
Há ainda uma série de parceiros institucionais e de embaixadores civis, desde Nuno Delgado a Carlos Lopes ou Luís Represas, que dão visibilidade ao projeto e apoiam a causa. Ambas as listas estão em aberto e desejosas de crescer.