sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Bullying entre irmãos não deve ser ignorado

A mobilização para prevenir e conter a vitimização de crianças e o bullying deve se expandir também para abarcar a agressão entre irmãos


Será que em briga de irmãos ninguém mete a colher? Ser escolhido como o objeto de bullying por um irmão ou irmã pode ser prejudicial para a saúde mental de uma criança ou adolescente. O alerta vem de um estudo publicado noPediatrics.

Segundo os pesquisadores, enquanto o bullying pelos colegas é um problema reconhecido socialmente, a intimidação por parte de irmãos, muitas vezes, é julgada “normal” ou “aceitável”. Para chegar a essa conclusão, foram entrevistados, através de cerca de 3.500 telefonemas, crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos e cuidadores ou pais de crianças de 0 a 9 anos.

Foram avaliados o alcance e a extensão da injúria do irmão vivida pelos entrevistados, registrando medidas como a agressão física e a lesão com ou sem arma de fogo; roubar algo da criança, empregando força ou não; quebrar as coisas dos irmãos de propósito, e dizer coisas que façam a criança se sentir mal, com medo ou não querida por perto.

“A saúde mental das crianças também foi avaliada. Os resultados mostraram que a agressão do irmão, no ano passado, foi associada com a saúde mental significativamente pior de crianças e adolescentes. O estresse foi evidente em crianças e adolescentes que experimentaram ambas as formas, leves e graves, de agressão por parte dos irmãos. Os dados também mostraram que quando se comparam as agressões de terceiros com a de irmãos, a dos irmãos provoca um maior sofrimento mental”, afirma o pediatra Moises Chencinski.

Segundo os autores, pais, pediatras e público devem tratar a agressão do irmão como potencialmente prejudicial, e não rejeitá-la, taxando-a de “normal”, “menor” ou até mesmo benéfica. Essa mensagem deve ser reforçada junto aos pais.

Especialista alerta que o bullying entre irmãos não deve ser ignorado (Foto: Divulgação)
Especialista alerta que o bullying entre irmãos não deve ser ignorado (Foto: Divulgação)


Como lidar com o problema em casa? Como agir quando um de seus filhos é o agente do bullying?
“Se você sabe que seu filho está intimidando o outro irmão, você precisa levar esta questão a sério. O hoje, o agora, é sempre o momento mais apropriado para interferir e mudar o comportamento do seu filho. No longo prazo, os agentes causadores de bullying continuam a ter e a gerar problemas, que muitas vezes, tendem a piorar. Se o comportamento de bullying é permitido ou não reprimido, quando essas crianças se tornam adultos, elas são muito menos bem sucedidas em seu trabalho e vida familiar, podendo, inclusive, entrar em conflito com a lei”, alerta o médico.

A seguir, o pediatra Moises Chencinski lista algumas medidas que podem auxiliar os pais a lidarem com esta questão:
Sempre converse com seus filhos, desde cedo, a respeito do assunto. A orientação sobre o bullying, sofrido ou executado, deve fazer parte da “educação formal e informal”, tanto em casa quanto na escola. “Só assim, uma criança terá bases para não agredir e para saber se defender ou indicar aos pais e professores que está sendo vítima de bullying, sem medo de sofrer represálias por conta dessa atitude”, diz o médico;

“Defina firmes e consistentes limites sobre o comportamento agressivo do seu filho. Tenha certeza que seu filho compreenda bem que o bullying nunca é aceitável”, destaca o pediatra;
“Seja um modelo positivo. As crianças precisam desenvolver estratégias novas e construtivas para conseguirem o que querem, sem provocações, sem ameaças e sem ferir ninguém. Todas as crianças devem aprender a tratar os outros com respeito”, orienta Chencinski;

Use a disciplina, não física, de maneira eficaz, como a perda de privilégios. “Quando o seu filho precisa de disciplina, explique porque o comportamento foi errado e como ele pode mudar isso”, recomenda o médico;

Ajude seu filho a compreender como o assédio moral fere outras crianças. “Dê exemplos reais dos bons e maus resultados das ações de seu filho”, estimula o pediatra;

“Desenvolva soluções práticas com o apoio de outros. Envolva o diretor da escola, os professores, a babá, a empregada e os outros parentes em maneiras positivas para parar o bullying”, finaliza Chencinski.

Fonte: Diário do Litoral

Professora de português é acusada de praticar bullying com alunos

Pais denunciaram a professora que teria chamado um menino de "viado" e perguntado a outra aluna se ela teria levado choque por causa do cabelo arrepiado

A direção da Escola Municipal Isabel Nascimento de Matos, no bairro Petrolândia, em Contagem, na Grande BH, recebeu denúncias de pais de pelo menos quatro crianças de que a professora de português da instituição estaria praticando bullying com os alunos, que têm entre 10 e 11 anos de idade.
 
As atitudes da educadora têm indignado os pais das crianças, que são estudantes  do 3° ano do segundo ciclo, o que corresponde a antiga quinta série. "Minha menina tinha feito educação física e ela tem o cabelo cacheadinho. Depois que ela saiu da educação física, um dia, o cabelo dela ficou um pouco arrepiado por causa do suor e a professora perguntou se ela teria tomado um choque. Isso fez com que os outros coleguinhas começassem a chamá-la de teaser, aquela arma de dar choque", conta uma das mães que ficou indignada ao ouvir o relato da própria filha.
 
Ela ainda conta que depois disso teve que levar a criança no psicólogo, o rendimento escolar caiu no último bimestre e ela pediu para fazer uma escova progressiva por causa das piadas. "A professora até pediu desculpa para a minha filha, mas eu não esperava que isso acontecesse. Dos alunos a gente até espera esse tipo de brincadeiras, mas do professor, a gente imagina, no mínimo, que ela tenha um pouco de ética. Minha filha falou que não tem mais vontade de estudar. É difícil arrumar outra vaga, vou ter que esperar até o ano que vem para mudá-la de escola", conta.
 
Além disso, a mesma menina foi abordada pela professora, certa vez, que disse que ela tinha que emagrecer por estar com uma bochecha de bulldog. "Essas coisas afetam muito a autoestima de uma criança de 11 anos. Ela emagreceu muito de uns tempos pra cá, não queria se alimentar. Minha filha tem 11 anos, uma criança não entende esse tipo de coisa, ela já vai crescer complexada", disse.
 
A mãe ainda conta que, na mesma classe, tem uma criança que, devido a um problema, não cresce e faz tratamento com endocrinologista há anos. "A professora falou pra essa menina que ela não vai crescer mais não", conta. 
 
Outra mãe denunciou a professora à direção da escola após o filho dela, de 11 anos, falar que a educadora coloca apelidos nos coleguinhas dele. "O meu filho mesmo não recebeu nenhum apelido, mas ele ficou tão assustado que me contou o que viu acontecer com os colegas. Dois alunos da sala dele têm dificuldades de aprendizagem e a professora falou que eles iriam passar direto, pois eram doentes mentais. Além disso, meu filho já relatou que a professora chamou um menino de donzela e viado. Ensino meu filho a respeitar os professores, mas espero que eles também respeitem meu filho de volta”, contou. 
 
A diretora da escola, Vânia Adelita, contou que está apurando a situação e que já conversou com os pais de quatro alunos que teriam sido vítimas do bullying da professora. Vânia também contou que a professora alegou que não teria dito as ofensas da forma como os alunos falaram. Na escola, uma reunião entre a direção, as crianças afetadas, os respectivos pais e a professora está marcada para esta sexta-feira (27).

Fonte: O Tempo

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Campeão mundial de judô é suspenso por bullying a jovens lutadores

Shohei Ono pegou gancho de três meses por abusar fisicamente de integrantes do time júnior de sua universidade


UOL Esporte 
Foto: AFP
Shohei Ono comemora vitória no Mundial de Judô no Rio de Janeiro; ele faturou o ouro
Shohei Ono comemora vitória no Mundial de Judô no Rio de Janeiro; ele faturou o ouro


O campeão mundial de judô Shohei Ono foi suspenso pela federação japonesa da modalidade, depois de abusar fisicamente de integrantes do time júnior de sua universidade. O bullying rendeu três meses de gancho para o lutador.
A federação japonesa de judô anunciou a suspensão nesta quarta-feira, de acordo com o Japan Today, e a medida o tira de ação tanto de campeonatos locais quanto internacionais.
De acordo com a entidade, ele e outras 11 pessoas abusaram fisicamente de companheiros de treino em várias ocasiões entre maio e julho. Nos dormitórios, os jovens judocas era alvos de tapas e chutes.
"Bullying não é disciplina, é um crime. É hora de tirar a violência do esporte", afirmou Mieko Ae, psicólogo professor de educação física de um colégio de Tóquio.
Ono conquistou a medalha de ouro no Mundial do Rio de Janeiro, no fim de agosto, na categoria até 73 kg.
O escândalo é só mais um no desgastado judô japonês, que vem sendo alvo de diversos casos de violência – até sexual.
Técnicos da seleção japonesa de judô já foram acusados de bater em lutadores com varas de bambu. Também houve casos de abuso sexual, que nos últimos meses mancharam a reputação do país, o mais tradicional polo de judô do mundo.

Facebook se desculpa por anúncio que mostrava foto de jovem morta

Rehtaeh Parsons se suicidou em abril após ser alvo de bullying virtual.

Sua foto estampava a campanha publicitária de um site de relacionamentos.


Do G1, São Paulo

Canadense tuitou peça publicitária do Facebook que continha a foto de jovem que se suicidou após sofrer bullying virtual. (Foto: Reprodução/Twitter.com)Canadense tuitou peça publicitária do Facebook que continha a foto de jovem que se suicidou após sofrer bullying virtual. (Foto: Reprodução/Twitter.com)
Facebook pediu desculpas por utilizar em uma peça de publicidade veiculada na rede social a foto de uma adolescente de 17 anos que havia se matado por sofrer bullying virtual. O comunicado foi encaminhado ao G1 nesta quarta-feira (18).
A foto da adolescente Rehtaeh Parsons estava sendo utilizada para promover a página de encontros ionechat.com. A imagem aparecia ao da frase: “Conheça as meninas e mulheres canadenses para amizade, namoro ou relacionamentos”. Acima da foto da garota: “Encontre amor no Canadá!”.
"Este foi um exemplo extremamente infeliz de um anunciante utilizando uma imagem da internet para sua campanha. É uma violação clara de nossa política de publicidade e removemos o anúncio permanentemente da conta do anunciante. Nos desculpamos por qualquer dano que essa situação tenha causado", afirma o Facebook no comunicado.
O vietnamita Anh Dung, proprietário do site ionechat.com, afirmou ao jornal “Toronto Sun” nesta quarta-feira que ele encontrou a foto de Parsons na busca de imagens do Google e não tinha conhecimento de sua história.
A jovem morreu em abril deste ano. Segundo a família, moradora de Nova Escócia, uma das províncias do Canadá, a garota se matou após ser alvo de bullying por meses após ter sido estuprada.
“Meu Deus, isso é tão nojento. Quem poderia fazer algo tão doente assim?”, escreveu o pai de Rehtaeh, Glen Cannning em seu blog nesta quarta-feira (18). Também em um post em seu blog, datado de agosto, Canning descreve o que a filha disse à mãe.
O caso
Segundo ele, em novembro de 2011, sua filha participou de uma festa em que bebeu demais. Aproveitando da situação, quatro garotos a estupraram –dois deles eram ex-namorados dela.  Um deles tirou uma fotografia que começou a circular pelas redes sociais (Leia o relato em inglês aqui).
Segundo Canning, o Facebook foi avisado nesta terça por Andrew Ennals, que tuitou duas as propagandas que utilizam fotos da garota. “Supremo mau gosto: um anúncio de um site de relacionamento está usando uma foto de Rehteah Parsons”, escreveu o jovem.
O suicídio da jovem provocou uma repercussão nacional. Devido ao alcance do caso, o ministério da Justiça do Canadá propôs uma reformulação das leis para conter o bullying virtual.
"Após o trágico suicídio de Rehtaeh Parsons, em abril, os governos federal, provinciais e territoriais concordaram, por unanimidade, acelerar a revisão de nossas leis que cercam o cyberbullying”, afirmou em julho o ministro da Justiça, Peter MacKay.
A morte da jovem forçou o governo da Nova Escócia a aprovar uma lei que permite às pessoas processarem indivíduos que estejam importunando seus filhos ou buscar proteção da Justiça caso sejam alvos do chamado ciberbullying.
“Lembre-se, apenas porque essas imagens no Facebook são gratuitas não quer dizer que elas custarão nada, especialmente se você levantar imagens de menores", escreveu o paí da garota.
Outros casos
Recentemente, Facebook foi condenado a pagar US$ 20 milhões por ter veiculado imagens de usuários em peças publicitárias, as chamadas "Histórias Patrocinadas". Após o fato, a rede social sugeriu mudanças de seus termos de uso, a fim de esclarecer como os informações dos membros do site são utilizados para o direcionamento de propagandas.
A iniciativa, no entanto, foi alvo de contestação de associações de privacidade e causou uma investigação da Comissão Federal do Comércio (FTC, na sigla em inglês).

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Jacir Venturi: O bullying é o termômetro da moral da escola

A intensidade do bullying indica o quanto moralmente a escola está comprometida. E onde mais se pratica? Segundo pesquisas, nessa ordem: salas, recreios, entradas e saídas. No ambiente escolar, essa patologia pode se disseminar como decorrência da falta de regras claras e de punição adequada, conflitos mal resolvidos, ausência de uma cultura mais humana no colégio ou em casa. Aos professores e pais cabem  duas frentes de combate: prevenção e ação. É preventiva a prática de uma cultura de respeito, tolerância e aceitação de que somos diferentes. Ação vigilante e punitiva sobre os agressores. Em resumo: ação como remédio e prevenção pelo comportamento ético.

A escola  é um laboratório para a vida adulta. Evidentemente o mundo do trabalho é competitivo e em determinados momentos a tolerância às hostilidades é necessária. Esse aprendizado deve ser gradual – não pontualmente intenso, uma característica do bullying – para os ensinamentos de que o caminho a ser percorrido na vida não é plano, florido e pavimentado. Quem não foi alvo de apelidos, gozações, ofensas em sua trajetória escolar? Em boa medida, a escola deve punir. Num crescendo, o educando vai assimilando as oportunas lições das alegrias e agruras na convivência com os colegas e destarte torna-se mais robusto para o enfrentamento dos desafios e frustrações. As raízes de um carvalho só se fortalecem pala ação das inclementes rajadas de vento. E cada vitória tem o sabor de uma perdoável vingança, como as palavras de Kate Winslet – vítima  por ser uma adolescente rechonchuda – ao receber o Oscar de melhor atriz, por sua atuação em Titanic: “Lá do palco, quando olhei a plateia, não vi nenhum dos meus agressores.”
É um exemplo de superação. Há um outro extremo, fruto de agressores sistemáticos e que agem sadicamente. É um solo minado, com consequências nefastas, como a tragédia numa escola do Rio, em 2011, quando 12 alunos foram assassinados por Wellington de Oliveira. Um legado trágico sucede suas palavras escritas na véspera: “Muitas vezes aconteceu comigo de ser agredido por um grupo e todos os que estavam por perto se divertiam com as humilhações que eu sofria, sem se importar com os meus sentimentos. Embora meus dedos sejam responsáveis por puxar o gatilho, essas pessoas são responsáveis por todas estas mortes, inclusive a minha.”
Essa violência repetida e praticada entre iguais deixaram marcas leves em Kate e profundas em Wellington. São marcas que geraram sofrimento, provocadas pela insensibilidade moral do bully (agressor). É necessária uma ação pedagógica e punitiva, pois os estudos comprovam que a  criança ou adolescente praticante do bullying, quando adultos tenderá à violência doméstica  e desvios de conduta como furtos, álcool, drogas e crimes.  Nós, educadores, devemos atacar as causas para que a consciência não nos acuse quando vierem as consequências. 
Jacir J. Venturi
Foi professor da UFPR e da PUCPR. Autor dos livros: Álgebra Vetorial e Geometria Analítica (9.ª ed.); Cônicas e Quádricas (5.ª ed.) e Da Sabedoria Clássica à Popular (3ª. ed.) 

Fonte: CBN Curitiba

Adolescente se suicida nos EUA após sofrer bullying na internet


AFP - Agence France-Presse

A adolescente Rebecca Ann Sedwick, de 12 anos, suicidou-se na Flórida, depois de passar mais de um ano sofrendo bullying online dos colegas, informaram as autoridades americanas no último sábado.

Rebecca se matou a caminho da escola. Ela pulou da plataforma de uma fábrica de cimento abandonada perto de casa, informou o gabinete do xerife do condado de Polk. A adolescente é da cidade de Lakeland, que fica no centro da Flórida. 

Sua morte é a última no crescente fenômeno de jovens que decidem se matar, após sofrer cruéis perseguições na Internet por meio de mensagens, ou aplicativos de fotos.

Mais de dez de meninas foram identificadas como possivelmente envolvidas no assédio a Rebecca, informou o xerife do condado de Polk, Grady Judd, em entrevista coletiva, acrescentando que foi aberta uma investigação policial.

As autoridades acreditam que o bullying tenha durado mais de um ano. "A menina foi absolutamente aterrorizada nas redes sociais", afirmou Judd.

O assédio teria começado por uma briga na relação com um garoto, com quem Rebecca havia saído por algum tempo, informou o jornal "The New York Times".

Segundo a mãe da adolescente, Tricia Norman, sua filha recebia mensagens de texto como "Você é feia", "Por que você ainda está viva?" e "Se mate".

Para a mãe, o alerta apareceu há vários meses, ao ver os ferimentos nos pulsos da filha. Foi quando ela decidiu internar a menina, confiscou seu celular, fechou a página de Rebecca no Facebook e transferiu-a para outro colégio.

A situação e o ânimo de Rebecca pareciam melhorar, e sua mãe disse que "não tinha qualquer razão para achar que algo estava indo mal". A menina mudou o número de telefone, estava mais tranquila, cantava em um coral e começaria a dançar, fazendo parte de um grupo de animadoras.

Em segredo, Rebecca se registrou em aplicativos para celular, como o Kik Messenger, e o bullying recomeçou, acrescentou o "NYT".

"Talvez ela achasse que poderia lidar com isso tudo sozinha", disse a mãe, tentando entender e pedindo aos outros pais que permaneçam vigilantes quando seus filhos "parecerem estar bem".

No Kik Messenger, Rebecca Sedwick deixou duas mensagens para amigas e mudou seu nome de usuário para "a menina morta", informou o jornal.

Professores de escolas em área de risco no Piauí ganharão gratificação


Professores e alunos da rede pública sofrem com a violência nas escolas.
Seduc já divulgou relatório com mais de 70 escolas nessa situação.


Do G1 PI

A violência dentro e próximo às escolas tem dificultado o aprendizado dos alunos e o trabalho dos professores na rede pública de ensino no Piauí. Muitos colégios têm sido alvo de criminosos que roubam os ventiladores, aparelhos de ar-condicionado, equipamentos eletroeletrônicos e até a merenda escolar. Por conta desse cenário, os profissionais que trabalham nessas áreas com carga horária de 40 horas vão ganhar gratificação no valor de R$ 100.
Escola no bairro São Cristovão, Zona Leste, foi colocada como área de risco (Foto: Gil Oliveira/ G1)Escola no bairro São Cristovão, Zona Leste, foi colocada como área de risco (Foto: Gil Oliveira/ G1)
Esse conjunto de problemas, juntamente com os fatores sociais da região em que a escola está inserida, motivaram a expedição de portaria da Secretaria de Educação e Cultura (Seduc) que qualifica algumas unidades como escolas instaladas em áreas de risco e/ou de difícil acesso.
A qualificação teve como base o parecer de dados do Comando de Policiamento Comunitário da Polícia Militar em Teresina. Nas ultimas avaliações, publicadas no mês de março deste ano, 67 escolas foram colocadas no relatório, já no mês de agosto, mais 19 escolas entraram para a lista. O relatório gerou uma gratificação financeira para os professores que trabalham nestes locais.
A Unidade Escolar Professor José Amável, no bairro São Cristovão, Zona Leste de Teresina, é uma das que entraram recentemente na lista. Para o diretor da instituição, professor Luiz Carlos Vieira, os dados mostram a realidade vivida nas escolas de toda a capital.
Diretor revela a insegurança na região da escola (Foto: Gil Oliveira/ G1)Diretor revela a insegurança na região da escola
(Foto: Gil Oliveira/ G1)
“O risco é eminente, a própria mídia mostra que a violência está em toda a cidade. Aqui mesmo na região, os comerciantes reclamam de assaltos e pequenos furtos que vêm acontecendo. Alunos relatam assaltos nas proximidades da escola”, relata Luiz Carlos.
Unidade Escolar no Bairro Promorar também está na lista da Seduc (Foto: Gil Oliveira/ G1)Unidade Escolar no Bairro Promorar também está
na lista da Seduc (Foto: Gil Oliveira/ G1)
Além da violência na região, o diretor revela os problemas vividos do lado dentro da escola. “Infelizmente temos casos de professores que sofrem com os mais diversos tipos de agressões. Os alunos não os respeitam, afrontam e desacatam o docente, e existem casos até de ameaça por parte de um grupo de alunos. O pior é que quando chamamos alguns pais destes alunos, eles também desrespeitam a escola e a direção”, relatou o diretor.  
Apesar dos registros, a escola tem cerca de 730 alunos e é referência na região. “O colégio tem ótimos professores e alunos, mas infelizmente pequenos grupos tentam distorcer a paz. Nestes casos, convocamos o conselho de classe e o escolar, que juntos decidem se aqueles alunos que atrapalha a harmonia da escola e não querem estudar, continuarão ou não na escola. Já tivemos alguns casos de expulsão”, revela Luiz Carlos.
Já na Unidade Escola Mercedes Costa, no bairro Promorar, Zona Sul de Teresina, os professores declaram que o principal problema está fora da escola e dentro das famílias. “Os valores familiares estão sendo perdidos e essa ausência da família é sentida na escola”, disse o professor Fabricio Aurélio Pimentel.
Para o docente, o problema vivido nas escolas é reflexo do que as crianças vivenciam no dia a dia. “Se no colégio a criança tem todo um aprendizado, ao chegar em casa ela sofre as mais diversas violências, seja ela física, moral, intelectual, virtual, porque elas estão em uma comunidade violenta e ao vivenciarem isso, acabam incorporando e trazendo para dentro da escola. Por isso, a escola está em uma luta desleal, não somos a família, mas temos que fazer este papel e lutar contra o que esses meninos aprendem nas ruas”, destacou Fabrício.
Com medo da violência, portões da escola ficam sempre fechados (Foto: Gil Oliveira/ G1)Com medo da violência, portões da escola ficam sempre fechados (Foto: Gil Oliveira/ G1)
Gratificação
Segundo o docente, o valor do bônus de R$ 100 para professores com carga horária de 40 horas é irrisório. “Vivemos em risco, porque apesar de conseguirmos controlar a violência na escola, para chegar ao trabalho temos que passar por locais onde a criminalidade reina. Enquanto isso, os deputados e vereadores ganham muito mais que o salário total de um professor para ir trabalhar”, desabafou.
De acordo com o diretor Luiz Carlos, o programa de incentivo aos professores em área de risco é uma ajuda, mas não resolve o problema. “O educador é uma pessoa humilde, que tem um salário baixo, mas que cumpre sua função social. O que precisamos mesmo é ter o apoio para saber utilizar mais nossos parques e espaços, e assim integrar a comunidade, sociedade e a escola”, sugeriu.
Para ele, outra coisa a ser feita é inserir a cultura e o trabalho para os jovens. “Quando realizamos atividades que envolvem os alunos, é possível ver a satisfação de cada um. Outro ponto positivo é observado nos jovens que já têm o primeiro emprego, apesar de terem menos tempo, eles tem as melhores notas, isso porque o trabalho os dignifica”, concluiu Luiz Carlos.
O secretário estadual de educação, Átila Lira, disse que além da gratificação, estão sendo instaladas câmeras de monitoramento próximos as unidades de ensino, que são gerenciadas pelo Ronda Cidadão.
"Até o momento contamos com 42 câmeras de vigilância e contamos também com o Pelotão Escolar para que os atos de vandalismo sejam resolvidos, tanto dentro como nas proximidades das escolas. Temos registrados muitos casos de violência e isto não pode acontecer, já que estes locais são destinados para a educação", destacou.
A lista de escolas consideradas em área de risco e/ou de difícil acesso está disponível nas publicações virtuais do diário oficial do Governo do Estado nos meses de abril agosto de 2013.
Nota
A Secretaria Municipal de Educação (Semec) enviou uma nota sobre  a segurança nas escolas. Confira o comunicado na íntegra:
Um levantamento realizando pela Secretaria Municipal de Educação (Semec) aponta que 32 escolas municipais já sofreram com assaltos, arrombamentos, depredações e outros casos de violência. A Prefeitura de Teresina já tomou medidas para minimizar o problema, dobrando o número de vigilantes, instalando cercas elétricas, sensores e dialogando com as rondas de policiamento para reforçar o combate às depredações.
De forma mais ampla, a Prefeitura estuda o projeto de monitoramento online através de câmeras de segurança. Em paralelo, a Semec estimula nos gestores a promoção de espaços de sensibilização com a comunidade, para que esta auxilie no combate à violência como um todo.
Atualmente, 97 escolas possuem sensores de movimento, que detectam a aproximação de pessoas e, automaticamente, acionam um alarme na empresa responsável pela instalação e monitoramento. O secretário municipal de Educação, Kléber Montezuma, fez um apelo ao governador do Piauí para que coloque policiais militares nas escolas públicas de Teresina.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Antes de morrer, estudante pediu para cuidar da filha; alunos faltam à aula

Graziela Rezende e Aliny Mary Dias
fonte: Campo Grande News
Estudantes se reuniram em grupos em frente à escola. Foto: Marcos ErmínioEstudantes se reuniram em grupos em frente à escola. Foto: Marcos Ermínio

Reunidos em pequenos grupos em frente à Escola Estadual José Ferreira Barbosa, na Vila Bordon, em Campo Grande, onde ocorreu a briga entre duas alunas e culminou na morte de Luana Vieira Gregório, 15 anos, os estudantes decidiram não assistir aula na manhã desta quinta-feira (12). Eles lamentam a morte da colega. Vizinhos pedem providências contra a violência na região. 
“Fui no carro junto com ela para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Almeida e Luana disse que amava muito a outra menina que foi ferida na perna. Ela ainda pediu pra gente cuidar da filha dela, porque ela estava indo embora”, diz a adolescente de 15 anos.
Segundo o diretor da escola, Mariomar Rezende, não há clima algum para trabalho no local. “O clima está péssimo e hoje teremos uma reunião na Secretaria de Educação, para saber qual deverá ser o nosso posicionamento”, fala o diretor, ressaltando que a briga ocorreu 10 minutos após o encerramento das aulas e a metros da escola.
“Frequentemente encontramos pessoas que não são alunos aguardando na saída da escola, para se envolver em brigas”, comenta o professor. Na unidade, são 523 alunos nos três períodos e 40 professores.
Moradora em frente ao local da briga, a dona de casa Sandra Cristina, 51 anos, disse que são frequentes as confusões próximo à escola, porém nunca com a utilização de uma arma. “Estou aqui há 30 anos e é a primeira vez que presencio algo tão grave. Todos os vizinhos aqui estão muito assustados com esta situação”, fala Cristina.
Vizinha diz que são frequentes as confusões no local. Foto: Marcos ErmínioVizinha diz que são frequentes as confusões no local. Foto: Marcos Ermínio
Briga - Luana Vieira Gregório morreu na Santa Casa de Campo Grande depois de levar uma facada no abdômen na saída do colégio. O crime aconteceu por volta das 11h30 de ontem (11). A suspeita é uma colega de sala, de 16 anos.
De acordo com a Polícia Militar, Luana foi morta porque borrifou um perfume na sala de aula. A agressora, de 16 anos, teria se irritado, porque é alérgica, e decidiu se vingar no final do expediente escolar. A faca acertou o fígado da adolescente.
Uma terceira menina, amiga da rival de Luana, teria levado a faca ao colégio e entregado à agressora, que além de esfaquear Luana na barriga, acertou outra menina, amiga da vítima, também de 15 anos, na perna. As duas feridas foram encaminhadas com vida à Santa Casa.
Luana foi internada no hospital às 12h40. No entanto, após duas paradas cardíacas, a menina morreu às 15h, segundo a assessoria de imprensa do hospital. O crime foi considerado fútil pela polícia. As duas agressoras estão foragidas e o caso é investigado pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Garçonete que atropelou cinco depois de sofrer ‘bullyng’ em bailão paga fiança e é liberada

Por Luiz Henrique de Oliveira e Bruno Henrique


mulherqueatropelou09092013
Adriane disse que foi zombada no bailão (Foto: Antônio Nascimento – Banda B)
A garçonete Adriane Gonzales de Oliveira, de 41 anos, pagou fiança de R$ 2 mil e foi liberada, depois de, na madrugada de domingo (8), ter atropelado cinco pessoas em frente ao bailão Catarina, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. A mulher afirmou à Banda B que cometeu o ato após ter sido vítima de um‘bullyng’: “Eles ficaram jogando minha bolsa de um lado para o outro. Eu fui zombada”, disse quando foi presa, na manhã de ontem. (Ouça a entrevista dela no ícone de áudio)
Segundo a Polícia Militar (PM), Adriane se recusou a fazer o teste de bafômetro e aparentava sinais de embriaguez. “Nós tivemos que tirá-la do local, porque a população estava tentando agredi-la. A moça estava transtornada e alegava que tinha sido assaltada”, contou à Banda B o cabo Telles, da Polícia Rodoviária Estadual, que participou da prisão da garçonete.
Em entrevista à Banda B nesta segunda-feira (9) o delegado Fábio Amaro, da Delegacia de Pinhais, explicou quais os procedimentos a serem tomados no caso. “Somos obrigados a arbitrar fiança para este crime e ela vai responder ao processo em liberdade, já que pagou o valor. As pessoas que ela atropelou não correm risco de morte. A Adriane vai responder por cinco lesões corporais, embriaguez ao volante e direção sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH)”, contou.
As vítimas que a moça atropelou já receberam alta do Hospital Cajuru e do Trabalhador.

Aracaju terá Encontro de Educadores do Ensino Médio

Ciberbullying será um dos temas debatidos no evento
Educadores de Ensino Médio se encontram em evento no dia 4 de outubro (Foto: Arquivo Portal Infonet)
A Faculdade Maurício de Nassau promove no dia 4 de outubro o Encontro de Educadores do Ensino Médio. A ação será na Faculdade Maurício de Nassau e tem o objetivo de reunir e integrar os professores e diretores de escolas para buscar soluções cada vez mais eficientes para os jovens brasileiros receberem uma educação de alto nível e, consequentemente, uma formação de qualidade.
Em tempos onde o Cyberbullying – uso da Internet para enviar textos ou imagens com a intenção de ferir ou constranger outra pessoa - atinge cada vez mais vítimas, a discussão em volta do assunto, bem como sobre o Bullying, se faz indispensável para o combate ao ato. Com o intento de promover uma reflexão acerca do Cyberbullying, o público de Aracaju irá assistir palestra sobre o tema “Novas gerações | Bullying e Cyberbullying”, que será ministrada pelo professor Sidnei Oliveira, especialista em Conflitos de Gerações, Geração Y e Z, e desenvolvimento de Jovens Potenciais e Mentoria.
O evento é gratuito e os professores e diretores de escolas interessados em participar devem se inscrever através do email camila.pradofs@gmail.com. Além de gerar certificado aos participantes do evento, no e-mail deve conter os dados referentes ao nome completo e contatos pessoais. As vagas são limitadas.
Fonte: Faculdade Maurício de Nassau